Ensaio ao
NOKIA LUMIA 800
com WINDOWS MANGO 7.5
Foi com alguma expectativa que recebi o L800 pois já o tinha experimentado nas novas instalações da Microsoft e queria confirmar a facilidade de utilização e a quase imediata relação com o utilizador. Chegado a casa fiz o teste com a pessoa que abomina tudo o que seja touch e, pasme-se, ao fim de um minuto já não queria largar o Lumia.
Que melhor cartão de visita um aparelho e uma linguagem ‘diferente’ podem ter? Principalmente para heavy users como eu que passou de iPhone para Android logo à primeira tentativa?
Uma Nokia em desespero viu no Windows 7.5 Mango a solução para regressar à ribalta e, com este diferenciado sistema operativo, conseguir recuperar fãs e reconquistar parte da quota já perdida para os IOS e Android. Em parte foi uma aposta ganha. A marca voltou a ser badalada e foi um suporte muito eficaz para o hype em torno do sistema Microsoft. Mas é uma batalha difícil, principalmente porque só agora conseguiu colocar um terminal à venda por menos de 200 euro. Infelizmente, veio na altura em que já se sabe, ou pelo menos quem segue estas matérias, que os smartphones actuais (900, 800, 710, 610) não vão conhecer o upgrade para o muito aguardado Windows Phone 8, ficando-se no 7.8.
Não é o fim do mundo, atenção. Tanto o 7.5 como o mais recente upgrade são sistemas que apaixonam qualquer um pela sua simplicidade e fluidez para além de serem muito bonitos, dinâmicos e animados. É um S.O. tão diferenciado dos concorrentes que cativa imediatamente pela facilidade de utilização, lógica de arrumação e com facilitado acesso aos sub-menus.
Por vezes dei por mim, ‘android heavy user‘, perdido à procura de funções normais e a pessoa ao meu lado que ainda se serve de um antigo Sony Ericsson deu por elas à primeira.
Mas vamos ao Lumia. A primeira sensação que se tem é que estamos a segurar num topo de gama, com um design irrepreensível (de acordo com os topos de gama da marca), uma silhueta bem fina mas, ainda assim, com algum peso que nos garante qualidade de construção e excelência de materiais. O vidro Amoled 3.7” e as ligeiras curvas do corpo em policarbonato têm 116.5mm x 61.2 mm x 12.1mm em 142g de peso.
Felizmente que a Nokia oferece uma capa protectora na embalagem pois é a primeira coisa que nos apetece fazer para evitar qualquer risco ou acidente com esta bela peça tecnológica. E esta capa é, apenas, perfeita!
Antes, contudo, é necessário colocar o microSIM(compreende-se por razões de espaço, mas é uma chatice para quem ainda tem smartphones que usam a totalidade do cartão, ou seja, 95% dos existentes) e não é fácil fazê-lo. Existem apenas duas aberturas no topo do corpo e para colocar o SIM é necessário primeiro abrir a portinhola do micro-usb, o que requer alguma destreza, para depois movimentar horizontalmente cerca de 1mm a segunda tampa que se destrava com esse movimento e que, ejectada, apresenta o espaço para o microSIM. Acho bem descrever a operação pois obrigou-me a ir consultar pela primeira vez o manual de instruções.
Infelizmente, não temos acesso à bateria (não é removível) nem existe uma slot para um cartão de memória o que é um ponto a desfavor (mesmo sabendo que existe espaço na Cloud).
Esta parte superior também apresenta a entrada para um mini jack.
Um dos lados não tem qualquer botão, e o outro apresenta os existentes quatro: dois para volume up & down, um para ligar/deligar e o último para acesso directo à camara.
Apresentação física feita, vamos então à verdadeira alternativa à concorrência que é o sistema operativo.
Para quem está atento a estas coisas, já com certeza viu vídeos ou imagens sobre o layout em pequenos quadrados e alguns rectângulos que nos oferecem os links para as funções mais utilizadas. Existe depois uma página com o restante menu por ordem alfabética, bastando um ligeiro arrastar de ecrã para a direita; Neste encontramos todas as opções do próprio telefone e onde vão ficar arrumadas todas as apps com que vamos enchendo a memória. A primeira será um atalho para as ligações wifi, bluetooth, etc. cujo quadrado arrastei imediatamente para o ecrã inicial (tarefa muito fácil e que se pode fazer com qualquer aplicação).
Existem outras diferenças pontuais que merecem mais atenção aos detalhes, como por exemplo, o status da bateria ou a informação de ligações. Estas só surgem no ecrã principal se tocarmos nesse extremo. Se não o fizermos, apenas temos visualização do relógio.
Navegar é muito fácil mas, por vezes, encontrar soluções ou opções a que já estamos habituados pode demorar mais tempo. Por exemplo, se nos ligarmos à net através do Explorer (muito rápido) e se continuarmos a navegar por entre páginas, pode ser frustrante sermos obrigados a carregar repetidamente no botão (sensível ao toque) back, pois não existe uma opção que nos faça log off de todas as aplicações que estão abertas e/ou a correr em simultâneo. Talvez seja uma das razões pelo rápido esvaziamento da bateria (que dura um dia com solicitação média). De qualquer forma, existe acesso directo (tipo leque) ao que está aberto para uma imediata consulta o que é útil.
Socialmente falando, temos acesso a tudo e mais alguma coisa no ecrã de ligação para os media, desde o Windows Live à integração Google, calendários e e-mails, facebook e twitter (próprios e desenvolvidos de propósito pela Microsoft), etc e tal.
Escrever SMS é rápido, pois o teclado é de fácil utilização e o ecrã muito sensível dá uma verdadeira ajuda à operação. MMS, e-mails, etc, é tudo rápido e “clean”.
A secção Contactos apresenta-se arrumada, bem apresentada e muito lógica. Podemos consultar a lista por letra ou individualmente, criar grupos e colocar-lhes diferentes toques, muito do que já é usual mas aqui mais rápido e visualmente mais elegante. Existe ainda uma utilíssima função de transferência de contatos por bluetooth de outro terminal.
Fazer chamadas é também uma dádiva pois no ícone directo e após escolhermos o destinatário, existe um sub-menu com links para o teclado ‘físico’, altifalante, sem som, colocar em espera e adiccionar chamada, tudo muito simples e no mesmo ecrã.
A velocidade de acesso aos sites via wifi é incrível, do melhor que tenho experimentado e utilizado, estando muito próximo do iPhone 4. O browser próprio não desilude e o teclado já tem atalhos que nos facilitam a pesquisa por texto. Por falar em pesquisa, uma das três teclas constantes (se bem que por toque) é a lupa. Se a pressionarmos entramos noutra área que podemos personalizar e que dá um jeitão. O link principal abre o Bing, mas existe o ícone de um olho que automaticamente activa o leitor QR, etiquetas Microsoft, procura de texto e histórico, e se escolhermos as reticências entramos nas definições de pesquisa, dependendo muito do utilizador a personalização desta área.
Chegámos à camara, uma questão cada vez mais importante num telemóvel. É verdade, quem diria há uns anos que um bom smartphone teria uma qualidade de 8 megapixels com abertura f/2.2 com flash dual-LED e capacidade de gravar video HD a 720p (convenhamos que é suficiente para o tipo de utilização)?
As características da camara que, como apontámos, tem botão físico directo, são até bastante completas com controlo por toque, de cena, exposição, ISO, efeitos, contraste, saturação, focus (macro) e resolução.
A focagem por foto é excelente e a qualidade das fotos não desilude ninguém, principalmente com luz do dia, onde os detalhes estão presentes e as cores bem sólidas. À noite temos a ajuda do led que permite tirar uns bonecos interessantes. O vídeo desilude um pouco, pois é lento a passar de situações iluminadas para outras que o não são principalmente em situações de contra luz. Infelizmente, não há zoom durante o vídeo e a focagem com pouca luz é complicada. Mas basta ligar o flash-led para tudo melhorar! Em suma, tem a qualidade necessária para tirar umas fotos e fazer uns vídeos de viagem ou em situações surpreendentes, mas não é um topo de gama (como alguns modelos da, por exemplo, rival Sony).
Das fotos e vídeos (e músicas) para o adorado/odiado Zune. Basta conectar o L800 pelo cabo usb (com uma tomada ‘cheia’ de design) ao computador e entra-se automaticamente (após instalar) na suíte. O design e as animações estão pensadas para continuar a experiência do próprio Mango 7.5, uma espécie de touch que funciona pelo arrasto horizontal do rato. Existem várias grandezas com destaque imediato para o qucikplay, collection, marketplace e phone (que se auto explicam). Ao centro do ecrã são apresentadas as áreas dos Pins, Welcome, New e History.
Mais abaixo os links directos para o sincronismo, o drag & drop e as listas criadas. Tudo muito simples e que funciona sem sobressaltos. A experiência é sempre agradável embora, para muitos utilizadores, a imposição da suíte Zune é um dado negativo (assim como o iTunes no que respeita aos produtos Apple).
Contudo, tudo está preparado> Música, Videos, Podcasts, Radio e Marketplace. O Mix Radio é capaz de ser uma proposta interessante para quem gosta de conhecer coisas novas, os Podcasts são cada vez mais extraordinários e os vídeos são reproduzidos com fluidez e muita qualidade mesmo que, por vezes, os clips MP4 se engasgassem. Deverá ser, como é normal em Windows, uma questão de instalar o codec apropriado.
Existem outras possibilidades de ligação do Lumia 800 ao computador e ao mundo> Bluetooth 2.1 + EDR, Wifi 802.11b/g/n. Os phones que o acompanham têm um design tradicional com acabamento em borracha o que, no meu caso, é impossível de utilizar (os meus ouvidos têm um formato diferente e a utilização de in ears só recentemente conheceu sucesso). Tem também um botão que permuta entre a música e uma chamada. De qualquer forma, a entrada para qualquer auscultador com ficha 3,5mm existe e está muito bem posicionada.
Não conheci qualquer problema com a rede (e utilizei cartão de duas) embora fosse obrigado, como já referi, a deslocar-me a uma loja para me cortarem os chips. A qualidade audio é francamente boa e mesmo o pequeno altifalante que está colocado na base faz-se ouvir bem alto.
O Nokia Drive e o Nokia Maps são instrumentos já imprescindíveis para os utilizadores da marca, e o Drive é a nova coqueluche, mas confesso que não tive grande oportunidade para usá-los.
Mas é o Marketplace que define a compra de um novo Smartphone, dizem os mais jovens. Ora a loja windows tem duas características: em quantidade, perde estrondosamente em comparação com os dois rivais. Mas em qualidade, a coisa já é bem diferente. São poucas mas boas, como se diz, e isso do poucas também está a mudar.
Por exemplo, estive na apresentação da App RTP nas novas instalações da Microsoft (a peça está aí no blog) e fiquei muito curioso. Foi a segunda que baixei e funciona como prometido. Vídeos, notícias, grelha, etc, tudo muto rápido e preciso. A TVi está instalada no menu principal por default.
Conclusão
Fiquei fã tanto do Lumia 800 como do Windows Mango 7.5. É uma experiência diferente e radicalmente melhor que a que tive (e me fez desistir) no meu antigo e já quase esquecido HTC Touch com uma versão Windows Phone que era tudo menos prática.
A peça tem as dimensões e o peso, para mim, ideais. A qualidade de construção está ao nível dos melhores concorrentes, a qualidade de imagem é fantástica e permite uma utilização outdoor mesmo debaixo do sol e sem qualquer problema.
O sistema operativo é inovador, ‘solto’, bonito, muio rápido e cheio de animação (e podemos escolher a cor dos quadrados), existe uma boa integração com os jogos da Xbox e também com serviços cloud para os nossos contactos e afazeres.
Os pontos negativos são, acima de tudo, a recente notícia que o sistema operativo 7.5 só vai conhecer um upgrade até 7.8 e nenhum dos Lumia existentes, nem mesmo o todo poderoso 900, conhecerão essa futura e total integração com o muito aguardado Windows 8; É, realmente, um desapontamento sério e uma razão com força suficiente para deixar pendurados todos os Nokia à venda em todo o lado.
Mas, se os preços baixarem um pouco, acho que mesmo e apenas com o 7.8 (pelo que vi tem algumas semelhanças visuais com o futuro 8), todos os utilizadores ficarão bem servidos.
E, vamos lá ver, nem toda a gente que compra um smartphone instala o novo upgrade/update, não é?
Se mudava de Android para 7.5?
Com este 800, sim. Fiquei convencido.PS: o upgrade para 7.8 é bem mais próximo do 8 do que pensava e partilha com ele a mesma interface sendo 100% idêntico. A coisa promete um futuro risonho aos actuais Lumia, sendo assim.

Joao Gata

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