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Ah, o Betamax. As guerras que tive ao longo dos anos 80 por defender este magistral formato contra o horror de dropouts e semi-qualidade do adversário VHS. Nessa altura, e porque trabalhava em vídeo, fui obrigado a adquirir caixotes com o formato inventado pela Victor Company of Japan (JVC), pois todos os clientes tinham um VHS na empresa e, mais tarde, em casa. Razão: era mais barato.

Assisti na primeira fila ao tiro no pé que a Sony deu, ao permitir a licença de fabrico somente a duas ou três marcas, uma política suicida e que foi responsável pela derrota do melhor formato à altura.

Tive vários VHS, uns 20, e um único Betamax. Curiosamente, esse Sanyo M20 ainda funciona ao passo que os VHS já devem ter reencarnado em novos formatos e caixas de plástico, por mais de uma vez. E não me julguem mal: sou dos únicos cinco portugueses que comprou um Philips 20D, o último suspiro VHS com um D (de Data ou Digital como prefixo). Estou precisamente neste momento a olhá-lo, mais o caixote das cassetes especiais D-VHS que, nem tudo é mau, têm cada uma cerca de 21 horas de gravação digital (tudo “passado” de laserdiscs). Se este formato demorou 20 anos a chegar aí, é sempre interessante fazer a ponte entre o que aconteceu nos estúdios profissionais de vídeo e televisão onde o formato Betacam foi rei e senhor desde o primeiro minuto. E ainda é. E sim, Betacam e Betamax têm muitos pontos em comum.

Mas Março de 2016 marcará o ponto final do formato Betamax: a Sony vai deixar de fabricar cassetes e, sem fita, não há nada a fazer.
Será o fim de um ícone que mostrou ao mundo que não é por ser-se o melhor que se vence a guerra.

Fiquem com algumas imagens:

João Gata

Começou em vídeo e cinema, singrou em jornalismo, fez da publicidade a maior parte da vida, ainda editou discos e o primeiro dos livros e, porque o bicho fica sempre, juntou todas estas experiências num blogue.

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