Bom preço, belo ecrã, som de topo e muita capacidade de armazenamento. Do lado menos bom, um processador pouco potente. A quem servirá?


Recentemente, a minha mãe que está quase a entrar na nona década de uma extraordinária vida, pediu-me que lhe oferecesse um tablet. Ora a senhora não é pessoa tecnológica pois nunca entendeu bem os comandos mais genéricos dos aparelhos que teve e tem em casa. Sabe Esperanto e arranha o Francês, mas o Inglês passou-lhe ao lado o que, a olhar as legendas dos comandos e aparelhómetros, é omnipresente e consequentemente um terror para quem o não domina.

Antecipando um problema diário, que tem acontecido com a também recente instalação de um serviço triple play e, por conseguinte, um segundo comando para a box, questionei a razão.

A resposta é muito simples: “as minhas amigas (que andam pela mesma idade) têm um tablet para andar lá pelos facebooks e eu também quero para ver vídeos e fotografias e saber do que se passa no mundo e isso tudo e assim”.

Este desejo ou necessidade, este querer saber e estar, provou-me apenas uma coisa: os tablets ainda têm mercado. E foi com isso em mente que olhei para o novo Acer Iconia One 10, a versão topo desta gama e que é grande, sofisticado e responde a todas as exigências que procuramos num equipamento deste tipo… se desejarmos fazer o que a minha mãe pretende.

Pois então, vou analisá-lo tendo em vista o potencial utilizador na figura de uma pessoa que precisa de um equipamento simples de usar e que lhe permita um certo número de operações, digamos, básicas e corriqueiras.

O Acer Iconia One 10 pesa 530 g e tem uma espessura de 9,15 mm, dados que albergam um ecrã com 10,1” IPS Full HD com mais que suficientes 1920 x 1200 pixels de resolução. É muito brilhante, apresenta imagens detalhadas e pujantes e consegue ser visível sob a luz de um dia claro. Esta característica é, quanto a mim, essencial para a utilização de um tablet e este TFT WUXGA com matriz activa passa o teste.

O processador, um MediaTeMT8167A, é um quad-core que corre a 1.5 GHz, muito ajudado pelos 2 GB DDR3L SDRAM e oferece uns suficientes 32 GB de armazenamento interno, o que já dá para guardar muita aplicação e muito ficheiro (mas reservo uma surpresa lá para o fim do texto). Quanto ao coração da máquina estamos conversados.

O Áudio é, para mim, tão importante quanto a imagem, principalmente num equipamento que vai servir quase exclusivamente para ver séries TV, filmes, muito Youtube e televisão online. O Iconia não descurou este aspecto, está dotado com processamento DTS-HD Premium Sound que não é mais que um equalizador bem programado para optimizar a reprodução através das duas colunas frontais cuja grelha acompanha o comprimento das laterais o que confere um visual sofisticado. Este design passou com distinção o “teste das mãos”, ou seja, ao agarrar o One 10 não cheguei a tapar – e abafar – a totalidade do som.

Falta-lhe alguma pujança – mesmo que a marca faça gala dos seus cinco ímanes – e confesso que estava à espera de mais corpo com maior presença de graves, pois não estamos a falar de um tablet pequeno. Contudo, a qualidade está lá, os diálogos soam fortes e dinâmicos e percebe-se bem uma imagem estereofónica o que não é fácil de encontrar nesta gama de preço.

Com Android 7.0 Nougat, uma bateria (6100mAh) que não é extraordinária mas garante até 10 horas de utilização, bluetooth 4.0, WiFi 5GHz, duas entradas microUSB, outra para auscultadores e comandos bem colocados no topo ao lado da saliência para as câmaras, estamos perante um equipamento que cumpre bem a sua função, com especial destaque para a qualidade sonora.

Para as conversas por Skype ou aplicações similares, a câmara frontal tem apenas 2 MP enquanto a traseira está equipada com um sensor de 5 MP. Para mim faria muito mais sentido se fosse ao contrário, pois um tablet não foi feito para fotografar. Um aviso: não pensem nelas para fotografar ou filmar o que querem relembrar.

Lembram-se que escrevi lá em cima que reservava uma surpresa? Pois que ela tem a ver com a utilização putativa deste Iconia por parte da minha mãe: como iria ela descobrir que o rebordo que protege a secção das câmaras se abre no topo do corpo para desvendar a segunda entrada microUSB e uma slot para um cartão de memória microSD? Estas entradas oferecem mais “value for money” e ajudam a gastar a quantia que este Acer custa na loja.

A marca oferece também um pequeno stand, muitíssimo útil, que parece saído da gama Predator. É um belo presente para quem escolher este Iconia One 10 e que pode atenuar a idade já avançada deste processador (tem dois anos no mercado) que, enfim, não aguenta os jogos mais gráficos e rápidos.

PVP: 210€

João Gata

Começou em vídeo e cinema, singrou em jornalismo, fez da publicidade a maior parte da vida, ainda editou discos e o primeiro dos livros e, porque o bicho fica sempre, juntou todas estas experiências num blogue.

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