Enorme, curvo, luminoso e adaptável são as forças deste AOC que precisa de uma boa secretária para aguentar o peso e o tamanho que enchem o olho.


Tenho trabalhado estes últimos meses a olhar para um destes extraordinários monitores AGON da AOC. Não sou gamer, antes que me questionem, mas passo cerca de 10 a 12 horas diárias agarrado ao computador de trabalho que, curiosamente, é um Asus G20. Bom, se formos por aí, até o rato é um Gladius o que demonstra uma total devoção ao segmento gamer. Mas nem tenho um único jogo instalado nesta panóplia de leds multicoloridos, aliás, até os desligo porque me desconcentram. Então, para que uso eu tanta maquineta que é desejada por todos os gamers? Bom… acima de tudo, edito áudio e vídeo e preciso de máquinas potentes. Depois, abro e fecho ficheiros de grande qualidade e geralmente funciono com mais de dois programas abertos. Ora sendo assim, começam a entender o porquê do setup (como se diz agora).

Análise AOC Agon 35

Quanto ao monitor, veio para análise e passou a ser o meu de todos os dias devido ao formato curvo que, realmente, faz todo o sentido neste tipo de equipamento. Sou, aliás, detrator do formato curvo em TVs mas super defensor deste em monitores e a questão é muito simples: está muito mais próximo de quem o olha. O formato curvo é tão óbvio para produção AV que já me vai ser difícil adaptar ao meu anterior monitor, também de formato panorâmico, mas com painel plano. E esse até tem mais qualidade que este AOC…

Análise AOC Agon 35

A versão deste AOC é o AGON 35 (AG352UCG) de formato 21×9 com umas estrondosas 35″ (sim, é absurdamente enorme com 847 x 587 x 266.45 mm), com compatibilidade G-Sync, um suporte magnífico que possibilita escolhermos a altura e inclinação de acordo com a necessidade e que termina com o topo em formato pega (não é fácil de transportar, porque pesa bastante) e vários tipos de ligações adequadas para tudo o que devemos ou podemos ter para lhe ligar. Factores muito importantes e que oferecem a este AOC uma mais valia, são os modos Shadow Control e Low Input Lag, e as tecnologias Flicker-Free e Low Blue Light para redução da tensão ocular e da fadiga.

Análise AOC Agon 35

O design é radical, principalmente para quem o observa por trás: uma espécie de desenho evocativo de asas com quatro enormes leds luminosos que trabalham em conjunto com todo um filamento que acompanha a base do monitor. Todo este festim possibilita inclusive escolher a cor (RGB), sendo o vermelho o mais popular, assim como o seu brilho, mais ou menos acentuado (três níveis). O botão central e de menu situa-se ao centro e por baixo do ecrã, sendo tipo cruz com clique para função. É um desenho simples e que até tem uma luz de presença, algo ténue, mas que permite tocar-lhe sem andarmos às apalpadelas. Através dele podemos escolher a luminância, cor, status, qualidade de imagem e todos os demais parâmetros usuais neste tipo de equipamentos. Estes menus podem ser acedidos mais praticamente por meio de uma espécie de comando com funções menu, setas e números para alternar entre três preferências. É um addon interessante, mas deveria ter a ligação microUSB, bem mais consentânea que a MiniUSB que já caiu no esquecimento… pensava eu.

Análise AOC Agon 35

As ligações situam-se atrás e viradas para baixo, o que dificulta parte da acção. Ainda bem que só temos de fazer isto raras vezes ao longo dos meses. Encontramos a porta HDMI, a DisplayPort, quatro USB 3.0 e uma saída áudio através de ficha 3,5mm, para além de uma entrada Mic. Podemo-nos queixar que deveria existir uma segunda porta HDMI e, porque não, uma porta RGB, mas é o que há e se tivermos um computador recente, sabemos que a DisplayPort é a melhor alternativa para conseguirmos a resolução máxima deste monitor e que é 3440 x 1440. Sim, é um azar dos diachos, mas a realidade é que não suporta 4K.

O grande “truque” deste AGON é oferecer o G-Sync que sincroniza as taxas de refresh da tela com a GPU para eliminar rupturas na imagem e minimizar o travamento na exibição. Desta forma, garante uma imagem mais estável e fluida, fantástica para quem passa horas a matar soldados ou a jogar futebol.

Outra característica com que podemos contar, é um par de colunas embutidas, mas que funcionam melhor se encostarmos o monitor à parede, pois assim consegue-se uma reflexão que projecta o som para quem está à frente. Por outro lado, desse modo perde-se toda a dinâmica visual deste AGON com os leds e as asas de cor prata. O som é sofrível, mas os monitores nunca apostaram realmente nesta particularidade, a não ser alguns portáteis que já exibem parcerias dignas de registo com algumas das marcas top na reprodução sonora.

Instalei um jogo bem agressivo para poder apreciar a qualidade e resposta gráfico do AGON 35. O resultado encanta, tudo é vibrante (até demais, o que me obrigou a recalibrar o brilho), a taxa de conversão torna tudo fluido, limpo, sem qualquer tipo de delay. Mas tudo muda na reprodução de vídeos, quer através do youtube como de ficheiros MP4. Aqui a qualidade decresce notoriamente com alguma pixelização e até algum arrastamento. Quanto ao trabalho “normal”, que é para isso que um monitor serve, tanto na edição de vídeo e áudio, cujo painel de comandos do software é sempre complexo, percebe-se que temos aqui uma mais valia. A imagem é flicker free, podemos baixar a intensidade q.b., o formato é ideal, o tamanho idem, e tiraramos partido de toda a tela cuja curvatura acentuada ajuda ao conforto. Sim, o AGON 35 é uma peça de equipamento polivalente, pois também se demonstrou perfeita para trabalhar com o Word, por exemplo, permitindo ter três (pelo menos que se vejam) folhas de trabalho abertas simultânea e paralelamente.

Análise AOC Agon 35

Bom, o que posso dizer deste belo monitor? É radical, ninguém lhe fica indiferente e permite multi-usos. A sua dimensão primeiro assusta, depois entranha-se e no final percebemos que é muito difícil passar para outra medida. A possibilidade de podermos ajustar altura e ângulo é tremenda e muito fácil de conseguir, o que responde ao tipo de utilização “moderna”, em que escrevemos ao teclado mas também nos recostamos para ver um filme. Tudo se faz com um ou dois movimentos.

Gosto das cores Led e de todo o visual que transmite, mas imaginem uma secretária que é dominada por filamentos, logotipos, pulsações… decidi desligar tudo. Mas tenho alguma pena. Como também é uma pena só podermos escolher uma de três cores, verde, azul ou vermelho, tanto para trás como a frente, o que limita as opções para quem gosta de moding.

Análise AOC Agon 35

A qualidade de imagem, que é o que realmente interessa quando se trata de monitores, chega e sobeja para todas as acções que fui explanando ao longo da análise. Poderia ser 4K, sim, poderia. Mas o preço a pagar também seria bem mais alto. A relação qualidade/preço é um dos pontos chave para este AOC que pode ser uma grande compra, pois não tem muitos adversários à altura. Contudo, e tenho de reforçar, este tipo de monitores serve quem trabalha com vídeo ou áudio ou então para o jogador que leva a sério esses seus momentos de lazer (ou profissionais). O seu tamanho não é indicado para quem trabalha com excell ou word e enche o ecrã com o programa pois isso vai provocar algum desconforto.

Aprecio o imenso tamanho do ecrã e a sua curvatura como as maiores valias. Mas existe um pequeno pormenor que ainda quero destacar: uma pequena aba que se desdobra para pousarmos os nossos auscultadores. E isto é pensar no utilizador. Boa, AOC!

PVP: 899€ com IVA incluído.

Voicebox selo de ouro
Voicebox selo de ouro

 

 

João Gata

Começou em vídeo e cinema, singrou em jornalismo, fez da publicidade a maior parte da vida, ainda editou discos e o primeiro dos livros e, porque o bicho fica sempre, juntou todas estas experiências num blogue.

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