O Zenfone 4 salta para o podium dos melhores do seu segmento com uma câmara muito bem pensada e um comportamento geral francamente bom.


A Asus convidou-me, e muito bem, a estar presente no lançamento internacional da sua nova coqueluche, o Asus Zenfone 4, que já anda por aí a brilhar em muitas mãos. A festa foi rija com centenas de jornalistas presentes, e melhor ficou numa noitada que até meteu DJ até às tantas. Questionei se a confiança no novo telefone era assim tão grande para tão extraordinário evento e, passados uns meses, sim, entendo perfeitamente o entusiasmo.

Perguntam-me porque só agora escrevo esta análise e a resposta é muito simples: conheci alguns tropeções com um dos modelos anteriores, o Zenfone 2, que teimava num problema técnico de difícil resolução e fiquei a modos que “de pé atrás”. Foi por isto que levei o meu tempo a utilizar o Zenfone 4 e posso concluir, ao fim de dois meses, que se portou sempre à altura e, talvez por isso, tem sido apontado como um dos melhores gama média da actualidade. Será que penso da mesma maneira?

Análise Asus Zenfone 4

O Zenfone 4 é muito elegante num corpo integralmente em vidro Gorilla Glass 4 reforçado com laterais em alumínio, o que emula muitos terminais de gabarito. O desenho na secção traseira é o mesmo que acompanha os equipamentos da marca, dando um toque especial e diferenciador. Na frente um único botão que serve como sensor de impressões digitais, na traseira apenas a dupla objectiva e na lateral os botões volume e on/off. É de uma simplicidade extrema e muito parecido com outro top qualitativo para a gama média, o Honor 9 que, por sua vez, é decalcado do Huawei P10 que, por sua vez… tudo em boa companhia, pelo que se vê.

Análise Asus Zenfone 4

Mas há que ter cuidado com estas “belezas” sofisticadas de vidro, pois é fácil o Asus escorregar da mão e o nosso estado Zen pode ficar gravemente debilitado depois de uma queda que vai, com certeza, criar algumas mazelas. Felizmente, tal nunca me aconteceu, pois fui lesto a proteger o dito com a capa maleável que vem junto na caixa.

O modelo que me calhou na rifa tem 64 GB de memória interna, 4 Gb de RAM, bluetooth 5.0, USB-C e entrada para cartões. O processador é o conhecido Snapdragon 630 com oito cores Cortex-A-53, e o ecrã conta com 5,5″ com qualidade 1920 x 1080 pixels. O brilho chegou para se fazer ler sob o sol romano e mantém-se bem activo sob o sol lusitano, tendo de raiz o filtro de luz azul que nos possibilita escolher a percentagem activa. Já o Zenfone 2 me tinha encantado por trazer esta tão importante característica dentro do “pacote”.

Análise Asus Zenfone 4

Ainda sem o upgrade para Oreo 8.0 (mas que a marca garante estar para breve), o Zenfone 4 vem com o Android 7.1.1 bastante modificado com a sua ZenUI, interface de utilizador que muito mudou e para melhor desde as anteriores gerações, pois surge bem mais limpa e sem os gigas de aplicações que a Asus colocava de raiz. Não sendo tão moderna como algumas de marcas concorrentes, tem a vantagem de permitir muita customização, desde o tamanho dos ícones aos temas, o que queremos no ecrã de início, como o queremos ver, quantas linhas preferimos, etc. e tal.

Todo este pacote funciona bastante bem, o terminal é muito rápido e fluido e comportou-se extraordinariamente bem com o teste que faço a todos os gamas média: passar algumas horas a jogar Real Racing 3. Nunca crashou, nunca lhe vi um soluço, o que vindo de um 630 é uma grata surpresa. A Asus fez um bom trabalho na conjugação de todos os factores.

Ok, os jogos correm muito bem e isto pode ser um factor muito importante para um segmento de mercado, o dos gamers. Então porquê? Porque o Asus permite-nos gravar a acção que se passa no ecrã, ou seja, os nossos jogos, para além de outros truques e esta função não é fácil de encontrar no segmento. Kudos, Asus!

Ao falar de jogos, temos forçosamente de perceber quanto tempo os podemos jogar e o Zenfone 4 está equipado com uma bateria de grande capacidade com uns muito positivos 3300mAh, excelente para um smartphone deste segmento e com estas características. Contamos ainda com um carregador de 10W para recarregamento rápido, o mesmo que acompanha as gerações anteriores.

Análise Asus Zenfone 4

A Asus apostou forte, tanto em termos de comunicação como de composição técnica, no campo da qualidade fotográfica. Desde um logotipo próprio à objectiva dupla traseira, tudo está de acordo com as novas tendências e o Zenfone 4 mostra-se bem capaz de brilhar no meio dos holofotes.

A câmara principal usa o fabuloso sensor de 12 MP da Sony de abertura f/1.8 com autofocus por fase e estabilizador óptico de imagem. Só isto chega para nos fazer arregalar o sobreolho, não é? Mas há mais! Ao lado desta objectiva existe outra com 8 MP com abertura f/2.2 e grande angular que alarga o campo de visão para 120º, o que garante “bonecos” muito mais informativos e preenchidos. A grande vantagem é podermos alternar entre ambas apenas com um toque no ecrã, bem em cima do ícone, e que se consegue muito rapidamente.

Os resultados são muito, muito bons, principalmente para um smartphone dentro desta gama de preço. E, claro está, para quem gosta de viajar, a grande angular pode ser uma ajuda preciosa, pois encaixa mais naturalmente os grandes monumentos, as praças, a altura das torres. Depois percebi que foi exactamente para isto que a Asus escolheu Roma pois há muito, mas mesmo muito para fotografar e perceber a dinâmica desta escolha técnica para o Zenfone 4.

Existe algum grão à noite, mas o detalhe é imenso. Para isso, o estabilizador dá uma ajuda e, se quisermos demorar mais um bocadito de tempo para conseguir um boneco mais profissional, basta alterar as especificações manualmente. A suíte é muito fácil de usar e está bem feita, convidando ao seu manuseamento.

Com pixel duplo e outros truques, há que gastar algum tempo para entender os menus e as suas mais valias: o principal mostra os Modos Automático, Embelezamento, Pro (manual) que possibilita ficheiros RAW, Super Resolução, Animação Gif, Panorâmico, Câmara Lenta e Intervalo de Tempo. Basta ler para perceber que não é o típico menu e que nos convida quase de imediato a fazermos umas brincadeiras. Mas para quem gosta de resultados à séria, de salientar que é francamente fácil conseguir um efeito bokeh (profundidade de campo) o que garante logo um resultado francamente interessante, principalmente para retratos.

Análise Asus Zenfone 4

Existe ainda um modo “super-hiper-extra” que nos faz lembrar a técnica usada pela Nokia antes de desaparecer e que garantia que as suas fotografias tinham 48 MP de resolução. Bom, isso já lá vai, mas a Asus quis relembrar-nos dessa potencialidade e avisa que podemos tirar uma fotografia neste Zenfone 4 com os tais 48 MP. Confusos? Passo a explicar: o que o software faz é prolongar a exposição em quatro fotografias que depois junta para conseguir retirar delas o máximo potencial qualitativo. ok, podemos brincar e até conseguir chegar a resultados interessantes mas, aconselho, nunca o tentem sem um tripé.

No painel frontal encontramos a “normalizada” objectiva com 8 MP com modo retrato e embelezador que até tira as rugas e as borbulhas (para quem usa e abusa da câmara frontal, atenção ao Zenfone 4 Selfie). Os resultados são os esperados de uma escolha deste tipo com a curiosidade de conseguirmos iluminar a nossa cara com uma luz frontal emitida pelo ecrã. Sim senhor, bom truque.

VER GALERIA DE IMAGENS NO FINAL DA ANÁLISE

Quanto a Vídeo, qualquer artista vai gostar de saber que pode filmar até à resolução 4K e com estabilizador de imagem. Mas o mais interessante, porque quase automático, é usar as pré-definições para a câmara lenta (até 240fps) e o Intervalo de Tempo com algumas ajudas para poupança de bateria, qualidade 4K e intervalos de 1 a 5 segundos.

Análise Asus Zenfone 4

Quase menosprezado com tanta informação sobre as capacidades fotográficas, é o som, mas este Zenfone 4 tem muito que se lhe diga: em primeiro lugar, alvíssaras, temos estereofonia através de duas colunas! Mas a reprodução por auscultadores é que é de louvar pois este “menino” garante-nos qualidade Hi-Res Audio e uma aplicação denominada Audio Wizard que realmente consegue algumas feitiçarias, como a dinâmica DTS Headphone:X para resultados que emulam os sistemas Surround 7.1

Análise Asus Zenfone 4

Alguns pontos finais: o sensor de impressões digitais não é dos mais lestos mas existe um truque para ultrapassar isso: é memorizar duas vezes a mesma impressão. A partir daí, é sempre a andar! Já referi lá em cima que este Zenfone 4 é mesmo muito escorregadio e aconselho a usarem a capa de protecção que vem no pacote. Quem avisa vosso amigo é. E levem o tempo necessário para perceber esta câmara, pois ela consegue resultados muito interessantes e vale bem a pena retirar todo o sumo deste equipamento.

Em jeito de conclusão, sou da opinião que este Asus Zenfone 4 é uma grande escolha para quem não tem ou quer gastar fortunas num equipamento. Faz tudo bem, as câmaras são realmente muito boas, o conjunto funciona na perfeição e, sem ser o adversário da Honor, não vislumbro grandes concorrentes à altura (com representação em Portugal ou até ibérica). Tanto que merece um selo dourado!

PVP: 499€

Voicebox selo de ouro
Voicebox selo de ouro

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João Gata

Começou em vídeo e cinema, singrou em jornalismo, fez da publicidade a maior parte da vida, ainda editou discos e o primeiro dos livros e, porque o bicho fica sempre, juntou todas estas experiências num blogue.

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