O BackBerry KEYone fez-me andar para trás no tempo. Mas será que me facilitou a vida nesta era moderna? Foi o que descobri!


Quem diria, ter na mão um BlackBerry quase a dobrar a segunda década do novo milénio?

Sabem aqueles regressos ao passado cujas imagens e memórias surgem em catadupa interminável mas perfeitamente enquadradas num espaço e num tempo?

Pois foi isso que me aconteceu quando agarrei no BackBerry KEYone aquando a sua apresentação já faz algum tempo.

A sua chegada a Portugal demorou algum tempo e não apanhei a “primeira leva” que veio para análises e testes. Mas não desisti e aguardei pela segunda.

Antes de mais, explicar que o KEYone é dos modelos recomendados pela própria Google para utilização profissional (ver aqui).

Sim, eu sei que o novo BB KEY2 já foi apresentado e, pelas imagens que já se encontram por aí, vai com certeza ser um sucesso, pois melhora e lima o que está menos bem no actual.

Mas é o KEYone que tenho na mão já há algum tempo, e que, confesso, a cada dia que mais o utilizo, mais vontade tenho em utilizá-lo.

Então porque não usá-lo como smartphone principal? Bom, duas razões: primeiro porque não é meu e por isso mesmo não me quero habituar a um sistema diferente de interacção com um equipamento diário.

Segundo porque estou habituado a ter uma câmara com mais qualidade o que me garante sempre excelentes resultados em qualquer situação diária.

Mas não quero dizer com isto que a câmara do KEYone é menos boa, muito pelo contrário (para esta gama) como poderão ler lá para baixo.

Análise Blackberry KEYone

Back to the Future

Comecei a trabalhar ainda com máquinas de escrever de ferro e pesadíssimas.

Mais tarde comprei a primeira Olivetti com um ecrã LCD que permitia editar duas linhas de texto que ficavam em memória para depois serem impressas no papel de uma assentada.

Isto foi um avanço extraordinário à época em que se debatia as valências dos teclados HCESAR ou AZERT e que me poupou muito papel químico e tinta correctora (por pincel, não havia canetas).

Num repente, surge uma marca chamada RIM que incluiu um teclado completo na face principal e de formato QWERTY.

Ora bolas, lá pensei, mais uma dificuldade.

Mas isto é como a mais famosa das colas e vai-se entranhando.

A RIM entretanto deixou cair essa designação e adoptou a que até hoje existe.

Análise Blackberry KEYone

Os meus BBs

No fim dos dias, e se bem me lembro, tive dois Blackberry’s, um Pearl 8100 que tinha a famosa trackball (tipo esfera do rato e que também se sujava) e um Bold 9000.

É fácil lembrar-me se pensarmos no HAL da Odisseia no Espaço do mestre Kubrick.

Adorei este terminal, escrevia depressa como ninguém, e o “rato” funcionava na perfeição. Ao lado dos outros telemóveis, ter um BB era sinal de grande profissionalismo. Ó se era.

Ah, também existia o cliente Email próprio, algo inimitável até hoje e que, por si só, fazia com que ter um BB fizesse todo o sentido e que foi a única razão que levou muitos utilizadores a adiar a substituição até ao último segundo.

Mas lá tiveram de abandonar o sistema (vontade reforçada depois de um ataque gravíssimo aos dados dos clientes) e a Blackberry finou-se até ser “levantada” pela TCL.

Posso dizer, portanto, que este é o primeiro TCL Blackberry que uso com formato Android. E isso faz uma grande diferença.

Análise Blackberry KEYone
Habemus 3,5mm

A máquina

Ainda durante esta semana fiz o update ao S.O., mas não embandeirem em arco: foi apenas de Android 7.1 para Android 7.1.1.

O design continua a ser diferente de todos os outros smartphones e requer bastante tempo de adaptação.

Afinal, ficamos com “meio” ecrã e um grande teclado físico.

O ecrã tem 4,5” com 1620 x 1080 píxels, muito brilhante e de excelente visibilidade em qualquer hora do dia.

O processador é um Snapdragon 625 octacore a 2 GHz, tem 3 GB de RAM, 32 GB de capacidade interna, expansão por cartão e quase tudo o que precisamos, desde NFC a Bluetooth, 4G LTE e um sensor de impressão digital que está muito bem colocado na tecla de Espaço que, naturalmente, também duplica a função.

Análise Blackberry KEYone

O famoso teclado

Aliás, todo este teclado QWERTY é fenomenal, pois funciona como um touch screen activo, permite programar todas as teclas para um atalho ou segunda função, sendo realmente muito directo e de, após uma aprendizagem, fácil de escrever, alterar, editar, etc.

Confesso que hoje consigo escrever todo um texto sem me enganar, o que é difícil num touch screen digital (este também surge no ecrã para quem necessitar dele).

Análise Blackberry KEYone

As funções que nos “prendem”

Tal como existente nos Samsung’s topo de gama, o KEYone tem uma aba colocada à direita no ecrã.

Basta tocá-la ou arrastá-la para termos acesso a um conjunto de atalhos bem informativos e muito úteis, como a Agenda, Lembretes , Tarefas, Mensagens e contactos.

Existem diversas funções, como tecla de conveniência programável, controlo por gestos e até por voz (para chamadas, por exemplo), tudo para nos facilitar a vida.

Análise Blackberry KEYone

As restantes características

Um corpo muito sólido (esta versão de ensaio é a prateada que faz um conjunto bem moderno com as secções a negro), DTEK by Blackberry, Separador de produtividade, um Launcher próprio e o fenomenal serviço Hub e Hub+.

Este Hub congrega todas as informações e mensagens e emails e SMS e tudo o que é possível receber num smartphone num ambiente que facilita a sua exposição, leitura e resposta.

E sim, trabalha bem com os outros serviços, apps e clientes.

Ainda temos o calendário próprio mas que facilmente se conjuga com o Google, por exemplo, e enfim, existe muito software próprio da marca que é, no final de contas, aquilo que também o diferencia.

Deixo também uma nota muito positiva para o tempo de vida útil que esta bateria de 3505mAh que se vale da boa relação entre o teclado físico (e que não consome o ecrã), o próprio ecrã que tem metade do tamanho a que estamos habituados, e um conjunto de interacções que funcionam muito, mas mesmo muito bem.

Análise Blackberry KEYone

As câmaras

São, e confesso que não estava à espera, uma agradabilíssima surpresa.

A unidade principal tem 12 MP e o sensor é o que está montado no, atenção Google Pixel. Tem estabilizador de imagem e saca uns bonecos com qualidade mais que suficiente.

A unidade frontal oferece 8 MP para uma selfie para publicar nos perfis profissionais de certas redes ou na implementação dos CVs.

Nota para a possibilidade de gravação vídeo em 4K para quem realmente precisar disto como do pão para a boca.

Os pontos menos bons

Também os há, claro, mas tudo depende daquilo que pretendemos de um smartphone.

O ecrã em formato 4:3 é perfeito para ler mensagens e tirar retratos, mas pequeno para ver qualquer tipo de vídeo.

A reprodução sonora acontece apenas por meio de uma coluna quando este corpo (o KEYone não é pequeno, leve nem fininho) merecia duas colunas para uma estereofonia.

Análise Blackberry KEYone

Conclusão

Como escrevi lá para cima, este Blackberry KEYone serve quem realmente escreve muito e em todo o lugar.

O teclado é soberbo mas necessita de muita aprendizagem e habituação.

Mas depois de controlarmos os básicos, vamos aprendendo os seus truques, como os atalhos (fala-se de 50), o próprio scroll (que faz as vezes do trackball) e da rapidez de escrita.

É para quem gosta, não para quem lhe ache piada.

E ganha o selo PRATA!

 

PVP: entre 500 e 600€, vale bem a pena pesquisar.

VoiceBox - selo prata

João Gata

Começou em vídeo e cinema, singrou em jornalismo, fez da publicidade a maior parte da vida, ainda editou discos e o primeiro dos livros e, porque o bicho fica sempre, juntou todas estas experiências num blogue.

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