O que tenho para dizer sobre esta experiência? Opá, o carro é lindo!


Tive a sorte de ter tido possibilidades para comprar um cabriolet na altura certa, ou seja, quando andava pelos 30 anos. Ainda somos espíritos livres, com sorriso rasgado, farto cabelo e força para viajar em todo e qualquer momento livre, com ou sem frio, sob chuva ou sol. E, não tenham dúvidas, é para esses momentos que um cabriolet serve porque, para tudo o resto, é um veículo realmente pouco prático.

Para mim, um cabriolet só faz sentido na Primavera e no Outono, alturas em que há sol (em Portugal) e não faz um calor absurdo. Portanto, este estranho “Outono” português é a altura perfeita para baixar a capota. E sendo assim, posso, ao fim de duas décadas, comparar o meu fantástico MG-F british racing green de 120 cavalos (existia a versão com 140) com esta nova coqueluche de 2017. Se o espírito se mantém igual, com a tal liberdade dos cabelos ao vento, tudo o resto evoluiu. Os materiais, a qualidade de construção e, acima de tudo, a segurança activa e passiva.

Análise Fiat 124 Spider

Existem dois novos modelos no mercado que são quase gémeos, pois dividem grande percentagem dos elementos, e que são o Fiat 124 Spider e o Mazda MX5. Para primeiro embate, calhou-me o Fiat que, posso avançar desde já, apresenta umas linhas que têm bem mais a ver com o meu gosto.

Se com o meu MG-F tinha algum receio ao abrir a capota em Lisboa (não imaginam o que a inveja faz e o que se atira para dentro do carro), com o 124 Spider… aconteceu-me exactamente o mesmo. Confesso, não sou condutor que goste de dar nas vistas. E um cabriolet, quer queiramos quer não, é pensado para criar sensações, em quem o guia como em quem o aprecia. Portanto, tive sempre de me afastar do reboliço desta cidade caótica para poder gozá-lo. O que vale é que sou homem de boas e profundas amizades e dei por mim a visitar um amigo que habita um imenso palacete em Sintra, essa mágica terra, que garante a melhor das experiências com um veículo sem capota. E, com uma sorte danada, apanhámos um dia tão fabuloso que ainda nos levou à praia para uma merecida refeição a olhar o mar.

O Fiat 124 Spider é muito bonito. A posição de condução, típica nestes carros, é baixa e mais deitada que o normal, mas conseguimos sentir algum conforto, mesmo quando os pisos estão em más condições. O Fiat é largo, mais do que pensamos quando o observamos de fora, e as estradas sintrenses provaram ser uma prova de elevado quociente de dificuldade, pois é terra para quem tem a perfeita noção das medidas do seu meio de transporte, principalmente quando se tem de entrar e sair de um portão cuja estrada de acesso foi pensada para cavalos de quatro patas e não carros com 140 cavalos.

Análise Fiat 124 Spider

Dá muito prazer guiar o Spider, principalmente quando se puxa por ele. É agressivo, muito dinâmico, rápido nas inserções, composto a sair das curvas em aceleração, equilibrado nas travagens. Sim, dá mesmo muito gozo, se me estão a entender, principalmente em trajectos sinuosos dentro de paredes seculares que fazem ecoar os roncos das acelerações.

Análise Fiat 124 Spider

Se numa toada rápida todo ele se mostra como extraordinária máquina, é a velocidades mais baixas e de puro passeio que podemos desfrutar das vantagens de não ter capota. Por falar nela, o sistema de abertura/fecho é muito prático e fácil de operar, mesmo em andamento (a velocidade muito limitada, como convém). A insonorização existe e a construção da capota é de elevado nível. Não deverá deixar entrar água aquando um dilúvio. Já a do MG-F deixava…

Esta grande qualidade de construção tem origem em Hiroshima, onde também é montado o “irmão” Mazda. Mas o Fiat tem depois todo aquele “tratamento” italiano, com pele e assentos refinados, toques aqui e ali de bom gosto, cromado em abundância, tudo conjugado para obter uma imagem retro que tem tanto de beleza estética como de apelo à memória dos grandes carros de outrora. Claro que tudo isto tem de viver com as necessidades modernas, mas a Fiat soube inserir o ecrã de 7″ sem fazer grande mossa. Este, táctil, tem o já conhecido sistema Uconnect que nos liga ao mundo de todas as formas possíveis e imaginárias.

Agora imaginem um sistema áudio BOSE dentro deste automóvel… estão a ver ali em baixo a Pen USB? Pois foi à séria que acordei a vizinhança.

Análise Fiat 124 Spider

A marca apostou no bloco 1.4 litros turbo MultiAir de 140 cv que é comedido nos consumos e algo rápido nas acelerações. Mas, na verdade, pouco me interessam os 7,5 segundos dos 0 aos 100 ou a velocidade máxima de 215 Km/h, pois o que me realmente me dá gozo num cabriolet é poder andar… devagar. E, mais uma vez, passear por Sintra deve ser uma das melhores experiências da vida ao volante deste tipo de carroçaria.

O 124 Spider custa, nesta versão, quase 28.000€, preço mais alto que o do Mazda, e que bem que poderia trazer alguns espaços de arrumação sem ser o sob tampa central e de mau acesso. O smartphone tem de ir dentro do casaco o que… afinal, nem é mau. Ao fim e ao cabo, o carro é lindo e só deveremos ter olhos para ele.

 

 

João Gata

Começou em vídeo e cinema, singrou em jornalismo, fez da publicidade a maior parte da vida, ainda editou discos e o primeiro dos livros e, porque o bicho fica sempre, juntou todas estas experiências num blogue.

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