Uma super Workstation que, nesta versão, rivaliza com qualquer máquina de topo com a vantagem do formato tudo em um muito compacto


Nos últimos anos assistimos a um quase extermínio no segmento dos computadores de mesa, vulgo desktops, devido à maior capacidade de processamento e, confessemos, praticabilidade dos computadores portáteis, vulgo laptops. Mas algo mudou nestes últimos tempos e o que parecia destinado aos primeiros – o extermínio – não só nunca aconteceu como está a conhecer um regresso fulgurante e cheio de genica.

Existem várias razões para esta realidade, mas vou apenas apresentar as minhas: trabalho cerca de 12 horas diárias defronte a um ecrã. Agora imaginem fazê-lo a olhar para um portátil, mesmo que tenha uma diagonal de 17”. Preciso de um ecrã o maior e mais nítido possível.

Faço também, para além de escrever, edição tanto áudio como de vídeo. Sim, acertaram, preciso do maior ecrã possível e com grande definição.

E em relação à postura enquanto escrevo ou trabalho? Posso, com um ecrã de secretária com braço configurável, colocá-lo à altura correcta para evitar dramas e dores.

Podem dizer-me que poderia continuar a usar um portátil e quando chegasse à secretária, simplesmente conectá-lo ao monitor. E têm toda a razão, tanto que podia como o fiz. Então porque deixei a prática tendo o portátil ali arrumado? Porque, muito sinceramente, faz todo o sentido ter um desktop em casa/trabalho quando preciso realmente de poder de processamento a um preço que nada tem a ver com um portátil equipado com as mesmas características. Para além de que, e agora pergunto, já arrumaram um portátil (muitos obrigam a ficar abertos) na secretária ao lado de um grande monitor?

Ao centro e junto ao ecrã a patilha on/off da câmara

Quando optei por um desktop foi porque tive a vantagem de poder contar com um monitor de características pouco comuns, de formato wide e 4k, com uma diagonal de 32”. Neste momento, utilizo um AOC AGON 35 de formato Wide e com ecrã curvo (ler análise aqui), mas que não é 4K quanto o anterior Philips (ler análise aqui), sendo a única crítica que lhe faço.

A verdade é que já não consigo viver profissionalmente sem um “trambolho” destes estacionado à minha frente, tal é a multitarefa que me possibilita, entre outras benesses. Arrumado ao lado E EM CIMA da secretária, tenho um Asus G20 que comprei a bom preço em segunda mão e que vai, não tarda, sofrer um upgrade de Ram e disco. E esta é a última das razões por optar pelo desktop em vez de um portátil: a facilidade de mudar os componentes sem obrigar ao profundo conhecimento técnico.

Serve toda esta introdução para apresentar uma tendência que começou com a Apple e o seu iMac (tive um de 21” que muito bem me serviu e do qual até guardo saudades): os denominados AIO, ou seja, All In One. As vantagens são muitas: um desktop que tem um ecrã acoplado, ou seja, o melhor dos dois mundos. E eis que chegamos, finalmente, ao HP Z1 Workstation, versão G3 que me chegou para análise.

Versão minimalista, sem cabos, do que vem na caixa de 15 kg

Não se assustem e agarrem-se firmemente à cadeira, pois vou descrever a máquina: este HP Z1 G3 está equipado com um processador Intel Xeon E3-1270 v5 que corre a 3.60GHz. Gostaram? Bom, mas o que dizer, atentem, aos 64GB de RAM DDR-4-2133? Depois disto, resta dizer que o disco é um Z2 GTurbo SSD de 512GB mas que está acompanhado por outro igual, ou seja, temos ao dispor 1TB em SSD (um disco para o sistema operativo, outro para armazenamento). Por último mas não em último, uma gráfica NVIDIA Quadro M2000M com 4GB de RAM.

É muito impressionante!

Conseguiram respirar? Resta dizer que o monitor LED IPS de 23.6” tem qualidade 4K, as colunas frontais estão bem dimensionadas e garantem um som decente com algum efeito estereofónico, e tanto o teclado quanto o rato são um mimo, tão boa a qualidade de construção e o feeling quando se trabalha com eles.

Retirar a tampa traseira é muito prático, não necessita de qualquer ferramenta, e dá acesso a todos os componentes. Mas no caso desta unidade, não me pareceu, enfim, necessário mudar o que fosse, nem um milímetro, tal é o poder de processamento.

Mas para que serve um maquinão destes para um utilizador quanto eu, que não tem um único jogo em formato PC (embora alguns em PS4)?

Se o observarmos em termos mercantilistas, chego a algumas complicações:

1. faltam as luzinhas de todas as cores para ser apelativo aos gamers;

2. falta status para ficar nas secretárias dos influenciadores;

3. falta tamanho de monitor para apelar aos gráficos e paginadores…

Portanto, este PC é ideal para mim! Isso mesmo! Uma pessoa que escreve num processador de texto mas que também grava e edita programas de rádio e, acima de tudo, edita e finaliza vídeos. O poder absurdo desta Workstation possibilita algo a que nunca tive acesso: a edição de vídeo em 4K puro, sem solavancos ou pausas. Sim, 4K, algo que nunca julguei possível num qualquer computador com este tipo de formato e, mesmo com um preço inadequado às possibilidades do sul da Europa.

Tudo o que precisamos está aqui mesmo à mão

Mas vamos mesmo ao que interessa e vou ser muito franco: não tenciono fazer vídeos em 4K nos próximos anos, pois as plataformas sociais não estão preparadas para os reproduzir ao mundo, pois também não tem máquinas deste calibre. por outro lado, não sou editor profissional, muito longe disso. Portanto, o tempo do rendering é-me pouco importante, mas sei quem “se pela” por conseguir poupar uns minutos em cada operação do género. E para essa malta, esta Workstation pode ser um caso sério (nunca se esqueçam que podemos sempre tentar comparar com o Mac Pro que custa cerca de 5000 euros) para passar a ser a máquina preferida para quase todas as tarefas.

O Z1 G3 será ideal para matemáticos, programadores, arquitectos (com C), malta que usa software realmente pesado como os AutoCads, Avids, Premiere Pro, Protools, enfim, tudo o que precise realmente de muito poder de processamento. Mas atenção, esta gráfica não é nenhum fórmula 1 e os 4 GB de RAM podem não ser suficientes. As Quadro são boas essencialmente para display de wireframe, por isso excelentes em projectos de arquitectura, desenho técnico (motores e engrenagens e similares). Mas nos tempos que correm não sei se justifica, pois quase tudo já mostra as coisas em sólido e não em wireframe.

Teste realizado com a versão 9

A HP montou uma máquina portentosa, capaz de lidar com todo o tipo de utilização. Mas existem pequenas coisas que causam algum alarme para os clientes mais puristas: por exemplo, posso levantar ou baixar o monitor/computador através do basculante que se move para cima ou para baixo com os graus necessários e, pasme-se, que também roda da esquerda para a direita… até bater na base e não conseguir ficar em formato vertical. Primeiro momento de negação…. O segundo, não consigo rodá-lo para os lados, o que num escritório é, por vezes, prático para mostrar o trabalho ao colega da frente. Se este Z1 G3 custasse, vá lá, 2000 euros, isto não era um problema, apenas um contratempo. Mas o preço desta versão vale um carro em segunda mão o que implica responder a todas as condições.

Descobri coisas muito boas (o silêncio de operação mesmo quando está a trabalhar à séria e o pouco aquecimento da unidade), mas outras que não compreendi: existe uma câmara embutida para as chamadas vídeo que se liga e desliga movendo a tampa posterior (perfeito para não sermos filmados sem saber), mas os drivers não vinham instalados de origem e tive realmente dificuldades em fazer funcionar a dita, mesmo com aplicações externas inclusive da própria marca. Poderá ser um acaso, vou colocar a questão à marca e depois virei aqui explicar o que se passa.

Acesso complicado a este segundo painel de ligações

Compreendo o preço pedido mas, vamos ser sinceros, é um valor complicado para o mercado nacional que precisa de seis ordenados mínimos sem impostos para conseguir comprar esta máquina que, curiosamente, servirá para melhorar a nossa capacidade profissional. O mundo é, por vezes, menos redondo do que parece. Por isso não posso dar um selo de ouro, mas a máquina entusiasma e leva um grande e entusiasmado PRATA.

PVP: 3150€ (versão analisada)

VoiceBox - selo prata
VoiceBox – selo prata

João Gata

Começou em vídeo e cinema, singrou em jornalismo, fez da publicidade a maior parte da vida, ainda editou discos e o primeiro dos livros e, porque o bicho fica sempre, juntou todas estas experiências num blogue.

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