Apresenta-se com inteligência artificial, um processador neural e um conjunto de câmaras com tanta luz que iludem a própria noite. Eis o novo Huawei!


Para que se quer um smartphone topo de gama? Para mostrar aos amigos, para se estar sempre na linha da frente, para se ser “in” ou porque realmente se trabalha com o dito? Pois que estou em crer que existem dois tipos de consumidores de grande escala: os que tudo fazem para estar na moda e terem o último grito, quase sempre da mesma marca, e todo um segundo grupo que procura mesmo um computador portátil para coadjuvante diário. E neste caso, meus amigos, há dois ou três grandes modelos e nenhum é da Apple.

A Huawei conquistou um lugar no Top 3 global numa mão cheia de anos. Quem diria, sendo uma marca chinesa e tal, não tendo pedigree, imagem de marca… pois tudo isso mudou, estou em crer, com o lançamento do P7, um smartphone que lançou a marca para aquele segmento que apaixona os fashion victims e, neste caso, os geek victims. Um telefone mais barato que os concorrentes, mas que mostrava ter condições para poder ser realmente útil, para além de bonito. Desde aí até ao Mate 10Pro muita tinta correu, muitos prémios foram conseguidos e os degraus para o éden foram sendo cavalgados dois a dois.

Análise Huawei Mate 10Pro

O que a Huawei conseguiu num curto espaço de tempo foi passar de uma “marca chinesa” a uma top brand. Design, exclusividade, marketing de guerrilha, até cópias dos ícones que depois passavam nos ecrãs numa comparação directa, todas as armas conhecidas foram usadas. O resultado é este e a Huawei é, a par da Apple e da Samsung, uma das marca que todos querem.

Mas nem só de imagem, design e grande comunicação se faz um sucesso. A marca teve, ao longo do tempo, de cimentar a sua própria tecnologia. Optou, com grande risco (se bem que calculado, podemos agora dizer à confiança), numa família de processadores próprios. Arriscou na inovação completa de algumas características sendo a dupla câmara a mais brilhante. Mas continuou a acertar com capacidades de topo a preço mais atraente. O Huawei Mate 10Pro, o novo modelo em análise e que foi apresentado recentemente em Munique, só vem confirmar o bom momento que a marca atravessa. E é notório o pulo qualitativo do anterior Mate 9 num espaço mínimo de um ano.

Análise Huawei Mate 10Pro

Então o que trás de novo este Mate 10Pro?

Bom, há tanta coisa por escrever que vai ser difícil nomear todas as funcionalidades num só artigo sem levar o leitor à exaustão. Vou tentar ser breve, prometo.

Antes de mais, e porque é sempre obrigatório explanar as informações técnicas mais importantes, começo por salientar o novo processador Kirin 970 com o já muy famoso NPU que processa a inteligência artificial e que se apresenta como Unidade de Processamento Neural. Ora se neural vem de sistema nervoso e todas as suas ramificações, convém explicar desde já como é que isto funciona: com sede de aprendizagem, o NPU vai memorizando os nossos passos mais habituais, as aplicações que mais usamos, a forma como interagimos com o equipamento, se preferimos este ou aquele caminho, quanto tempo estamos ligados, o que fazemos quando estamos conectados em dados, quanto tempo jogamos ou vemos vídeo, e os demais passos diferentes de utilizador para utilizador. Com toda esta data acumulada, e convém passarmos algum tempo em utilização, os processos vão sendo refinados, melhorados e optimizados para, por exemplo, as aplicações responderem mais depressa, a bateria durar mais tempo, o só acordar funções que estão sempre em segundo plano quando precisamos realmente delas, etc. É até mais ou menos como o teclado que vai aprendendo a nossa forma de escrever, com os erros que fazemos, e com as palavras novas que inserimos. O processador vai aprendendo todos os dias mais um pouquinho sobre nós e isso faz com que, concretamente, o equipamento responda melhor ao que lhe pedimos e, por incrível que pareça, consegue melhorar a performance ao longo do tempo, o que é fantástico. Claro que tudo isto não é conseguido apenas com a inteligência artificial: o GPU MALI G72MP12 tem como objectivo melhorar a capacidade gráfica e os 6GB de RAM actuam sobre toda a operação emprestando uma rapidez a todos os níveis notável (em paralelo com o que experienciei no todo poderoso Note 8 da Samsung, um equipamento mais oneroso).

Análise Huawei Mate 10Pro

Mas nem tudo é bom neste novo Huawei! Ainda estou estupefacto por não ter uma entrada para cartões de memória, coisa que sempre conheci nos Android e que sempre foram uma das grandes, enormes vantagens para contra os iPhone. Sim, podem apontar que 128GB de memória interna são suficientes para qualquer utilizador, ou pelo menos, para a maior parte deles, mas é algo de psicológico: deixei de ter uma possibilidade de expansão que, também, me ajudava sem perda de tempo a mudar tudo o que me acompanha de um telefone para outro, como músicas, fotos, vídeos, documentos e demais dados. Sim, posso guardar tudo na cloud, mas não, sou antigo (ou “vintage”) e gosto muito de ter as coisas em formato físico. Mas pior que tudo é não poder “atirar à cara” dos fanboys esta grande diferença.

Vamos ao ecrã! É mais alongado e estreito (no cada vez mais presente formato 18×9) que o do Mate 9, tendo quase as mesmas dimensões: 5,99” FullHD+ com 2160 x 1080 pixels (qualidade que podemos alterar no menu) com certificação HDR10. Para mim está perfeito: é brilhante, muito nítido sob a luz solar, cores sólidas e grande definição, o que ajuda na visualização de vídeos e, acima de tudo, na tomada de fotografias mesmo durante o dia. A Huawei fez, quanto a mim, uma boa escolha, pois não há grande diferença para os ecrã QDH e a bateria aguenta-se mais tempo. Sendo OLED, também permite, que pela primeira vez num Huawei, tenhamos a função Always On o que é, para mim, uma enorme mais valia.

O já citado NPU é um dos responsáveis por um dos grandes atributos do novo Mate 10Pro. Se o Mate 9 aguentava perfeitamente um dia de trabalho intenso, a bateria de 4000mAh do Mate 10Pro está a revelar-se uma autêntica maratonista, principalmente após um upgrade de software que mudou completamente a vida útil diária. Posso, sem problemas de maior, e estando sempre ligado à internet (wifi e dados) com muita operação fotográfica, gravação vídeo, escrita de textos, etc., chegar ao fim do dia com cerca de 40% de bateria. Houve alturas que cheguei com 10, outras com 70%, portanto, tudo muda devido à utilização mais ou menos intensa do equipamento. De qualquer forma, nunca foi uma preocupação e é uma das grandes razões de força para se optar por este equipamento em relação a toda a concorrência, pois não há adversário com este tipo de características com tão grande vida útil.

Mas para que serve também a inteligência artificial? Por exemplo, para nos ajudar a tirar fotografias como se fossemos um profissional. Bom, vá lá, um amador esclarecido! Já devem ter visto por aí muitas fotografias que mostram o reconhecimento automático do que se pretende fotografar, por exemplo um animal de estimação ou um prato de comida, uma flor ou um retrato. O que este 10Pro faz é, através da tal AI e do NPU (de que falei neste artigo), programar automaticamente os parâmetros adequados a cada situação, ou seja, maior ou menor abertura do diafragma, mais intensidade, menor ou maior valor ISO, mais ou menos brilho, etc.. Isto significa que a fotografia sai sempre bem ou, pelo menos, deve sair, pois quem está a premir o botão também tem de fazer a sua parte. Há 13 cenários pré-programados a que se devem juntar mais opções ao longo da evolução do conceito. É uma jogada de mestre, dá para encher o olho e para mostrar aos amigos o conceito da tal inteligência artificial.

Análise Huawei Mate 10Pro

Para estes resultados extraordinários, a Huawei melhorou as câmaras. A unidade traseira, e principal, mantém a dupla objectiva Summilux-H com dois sensores: RGB com 12MP e monocromático com 20MP, mas a grande, enorme diferença para todo o mercado é a sua abertura: agarrem-se, pois falamos de f/1.6. O que este valor garante é uma maior entrada de luz quando tiramos uma fotografia e, quanto mais luz, maior a qualidade e melhor o resultado, isto para explicar de forma muito simples.

Este portento técnico enche as medidas de qualquer utilizador, rivalizando mesmo com as câmaras encontradas nos topos de gama Samsung. Chega a ser extraordinário onde “isto já vai” e na brutal evolução a que temos vindo a assistir nos últimos anos. O Huawei mostra essa excelência na sua já habitual suíte de ferramentas que, varrendo o ecrã da esquerda para a direita abre toda a colecção de efeitos criativos, e ao contrário, a secção dos controles manuais que têm algumas novidades, como a grelha que apresenta a hipótese em espiral Fibonacci (tanto à esquerda como à direita) e o seguimento do foco no objecto de forma automática, muito útil para as filmagens.

A abertura f/1.6 pode, contudo, apresentar resultados pouco expectáveis como nas fotografias com pouca luz ou no lusco-fusco: o Huawei vai buscar toda a luz que pode e enche a imagem quase como se tivessemos um conjunto de projectores a bombar luz. Se para a maior parte dos utilizadores esta pode ser uma mais valia, para os mais criativos vai obrigar a escolher um modo manual para, assim, conseguir a imagem mais realista e de acordo com o que estamos a ver.

A definição das imagens é louvável: chegou mesmo a hora de meter a compacta na gaveta à excepção dos modelos de 1000€ e com sensores quase profissionais. As cores são correctas, embora aqui e ali, devido à abertura, se note uma maior vibração. Falo, por exemplo, dos vermelhos. Como gosto das cores o mais naturais possível, tendo sempre a evitar os modos automáticos quando realmente preciso de puxar pela máquina. Mas uma coisa é certa: esqueço-me que “isto” é um telemóvel.

As fotografias a preto e branco são o grande, imenso trunfo desta parceria da marca com a Leica, o que tem vindo a ser norma desde os modelos que inauguraram esta solução de duplo sensor.

Com tudo isto, quase que nos esquecemos que o painel frontal também tem uma câmara e bem boa, por sinal: 8MP de abertura f/2.0 com filtros próprios como a “selfie perfeita”, mas que podemos ser mais criativos com qualquer um dos outros.

Não gostei da função Zoom digital, pois esborrata demasiado o que pretendo aproximar mesmo com boa luz. O Zoom óptico é de apenas 2x o que sabe a pouco. Mas existem outros grandes trunfos técnicos: OIS (Estabilizador Óptico de Imagem), BSI CMOS, Flash de duas tonalidades e focagem PDAF+CAF+Laser+Foco automático de profundidade. Wow!

É facílimo, por exemplo, conseguir um efeito bokeh quase automaticamente, bastando aproximar muito o objecto a focar, conseguindo uma imensa profundidade de campo, mesmo que aqui e ali se notem alguns artefactos digitais. No Modo Retrato existe, inclusive, um controlo de densidade do nível de beleza o que pode ser útil para alguns utilizadores mais fashion.

No que respeita à qualidade de vídeo, sabendo nós que é uma função cada vez mais utilizada roubando até algum protagonismo à febre das DSLRs, há que contar com os 4K a 30fps ou 1080p a 60fps na unidade principal, enquanto os instagramers podem brilhar com os 1080p da câmara frontal.

Outra das surpresas que vai brindar os felizardos que vão escolher este terminal, é o facto do Huawei Mate 10Pro ser o primeiro smartphone (fora da Google) a estar equipado com o mais recente sistema operativo Android, designado por Oreo 8.0. É uma imensa mais valia principalmente porque a marca também evoluiu, e bem, o seu conhecido EMUI, aparecendo com designação 8.0 só para se manter a par da numerologia. Ambos apresentam novidades e funcionalidades novas, sendo mais práticos e informativos, rápidos e “limpos”.

Uma das características que mais me atrai num smartphone é a qualidade de reprodução áudio e, quem me lê, sabe bem que prefiro duas colunas frontais, como geralmente surgem nos Sony ou Motorola, à coluna mono virada para baixo e que é geralmente tapada por um dedo. A Huawei, felizmente, sacou da cartola no seu P9 Plus, uma solução engenhosa que é fazer do auricular um segundo altifalante, debitando os agudos enquanto a dedicada debita os graves e médios. Ok, não é perfeito, mas ajuda e posso dizer “fair enough”. Mas se nos anteriores modelos Plus esta função é accionada em modo horizontal quando vemos um vídeo, no Mate 10Pro está sempre ligada, o que é mais confortável e bastante mais prático.Análise Huawei Mate 10Pro

Mas depois deste brilharete, eis outra machadada profunda para as minhas preferências! Então não é que a marca decidiu abolir a ficha 3,5mm (vulgo mini-jack) onde se liga os auriculares (entre outras coisas) à semelhança da “má escolha” da Apple? Confesso, não estava à espera desta. De uma só vez, ficamos sem cartão de memória e entrada 3,5mm, duas enormes “evoluções”. Podem dizer-me “mas os auriculares que estão incluído no pacote têm uma ficha USB-C para ligação imaculada” e ainda poderão dizer “e juntámos um adaptador USB-C/mini-jack”. Sim, tudo muito bem, mas isso obriga-me 1) a usar os phones que vêm no pacote em vez dos meus e 2) fazer-me acompanhar sempre do tal adaptador que se pode perder muito facilmente. É que, por exemplo, uso um microfone Lavender da Rhode próprio para smartphones (que me custou um dinheirão) para gravar entrevistas ou os meus próprios programas e, com esta alteração, a vida ficou um pouco mais… embrulhada.

Mas há coisas muito boas: por exemplo, o dual-SIM que aceita a rede 4.5G LTE Cat.18 D (sim, em ambos os cartões), a certificação IP67 (belos mergulhos até um metro de profundidade durante meia horita), uma capa transparente mole perfeita para proteger o belo corpo deste Huawei (metal e vidro), o sensor de infra-vermelhos para podermos controlar a maquinaria lá de casa, da TV ao AC, o sensor de impressão digital que continua a ser polivalente e o melhor do mercado (embora eu preferisse a solução frontal apresentada no P10/honor 9 e no Mate 10 “normal”), a possibilidade de ligarmos o Mate 10Pro a um monitor ou televisor apenas com um cabo para termos realmente um computador de bolso que até funciona em ambiente de escritório de forma rápida e simples, e até a tradução de texto automática, bastando seleccionar o que queremos entender.

Gosto também de alguns atalhos como os toques no ecrã para activar certas funções, com duplo toque ou desenho de letra, que já são habituais na marca (e até existe um novo C de Chrome)

Há muita função para activar neste equipamento, por exemplo, a activação vocal para chamadas, o ecrã dividido, o botão inteligente, etc. Tudo depende das necessidades de quem o utiliza.

Bom, vamos à conclusão.

É um excelente terminal que melhora o que estava bem feito no antecessor e que abre todo o novo mundo da denominada inteligência artificial. Até que ponto ela é útil, só o tempo o dirá, pois além do reconhecimento de cena e objecto que podemos realmente ver através do ecrã, tudo o resto passa por debaixo do capot. É uma máquina que vai sendo oleada e que, julgo, apresentar uma linha de evolução contínua com novas funções AI o que pode ser uma mais valia em relação a alguns dos concorrentes directos. Por falar neles, o preço vai jogar a favor da Huawei, o que também é uma norma, e quem conseguiu fazer a pré-reserva teve um brinde extraordinário na forma da sebenta/caneta digital da Moleskine.

 

 

Fotograficamente é muito, muito bom e ainda com espaço para melhorias e ligeiros ajustes. O tamanho é perfeito, o ecrã não sendo como os da Samsung, chega e sobeja para todo o tipo de utilizadores e só tenho pena da falta do jack e da slot do cartão. Se vou viver bem com isso? Só o tempo o dirá, como em relação aos super benefícios anunciados pela inteligência artificial.

Este novo objecto de desejo tecnológico está disponível nas cores Titanium Gray e Mocha Brown por 879,90€ e ganha um fantástico SELO DE OURO VOICEBOX!

Voicebox selo de ouro
Voicebox selo de ouro

Galeria de imagens (reduzidas para 1250pixels)

João Gata

Começou em vídeo e cinema, singrou em jornalismo, fez da publicidade a maior parte da vida, ainda editou discos e o primeiro dos livros e, porque o bicho fica sempre, juntou todas estas experiências num blogue.

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