O Huawei P Smart é um bom smartphone para quem procura algo moderno, eficaz e razoável e que esteja abaixo da barreira psicológica dos 300€


Podemos olhar o novo smartphone Huawei P Smart de duas formas muito distintas: a primeira é apreciar o design enquanto a segunda é apreciar a relação qualidade/preço.

Então, perguntam, há mudanças na apreciação? Oh se há, respondo! É que pela estrutura, qualidade de construção e traço exterior, o P Smart é mais topo de gama que muitos topos que andam por aí mas, ao apreciarmos a sua ficha técnica, parece que não cumpre o que promete visualmente. Se por outro lado optarmos pela racionalidade de ver o que obtemos por menos de 300€, então podemos ficar estupefactos em conseguir ter na mão um dos mais bonitos smartphones da actualidade.

A Huawei lançou o P Smart há cerca de dois meses, ou seja, no início de um ano que se previa (e prevê) muito dinâmico para a marca (o P20 é já um sucesso e especula-se sobre o Mate 20).

Se para os analistas o P Smart vem canibalizar segmentos médios da própria marca, em que as versões Lite dominam a seu bel prazer, para a marca o grupo-alvo do P Smart posiciona-se no segmento com mais crescimento em Portugal e que exige uma atenção particular.

É um target que está sempre ligado à internet e que vive as redes sociais numa base diária, utilizando os terminais para multitasking. Para este mercado, a Huawei pensou num produto jovem, dinâmico e esteticamente muito apelativo. Primeiro foco: o ecrã mais alto e de novo formato num invólucro imaculado em caixa em alumínio.

Com um processador Kirin Octacore 659, o novo Huawei apresenta um ecrã fullview de 5,6″ com qualidade FHD (2160 x 1080). Está equipado com Android 8 e Emui 8, com 3 GB de RAM e 32 GB de capacidade interna expansível com cartão de até 256 GB.

Achei estranho alguma dificuldade de processamento em situações que já considero normais, como a visualização das séries pela Netflix ou mesmo gravação vídeo com iluminação a média luz. Como assino a conta máxima do serviço de streaming, estou habituado à extraordinária resolução de alguns títulos que, se são um espectáculo num TV 4K, não deixam de brilhar num ecrã de um smartphone. Sabemos que o serviço demora alguns segundos a chegar à qualidade máxima, mas no P Smart por vezes isso nem chega a acontecer. Terá alguma coisa a ver com a optimização da própria aplicação ou será que o processador não se dá bem com este tipo de reprodução qualitativa?

Numa outra área de acção, também não fiquei seduzido pela gravação vídeo num ambiente doméstico com luz indirecta. Bastante grão e cores esborratadas não me parecerem compatíveis com os pergaminhos da marca. Mas tirei teimas durante o dia, e com luz, a realidade é diferente e os resultados francamente melhores. Mas fica o aviso que existem estes limites.

Sendo Duplo SIM, tem uma bateria com 3000mAh que serve bem um equipamento para um dia de acção… comedida (e não mais que isso). O sensor de impressões digitais está colocado na traseira e existe, atenção, uma tomada 3,5mm para auscultadores e microfone, pois então, algo que tenho a certeza que muita malta nova vai gostar depois de ter gasto uma fortuna nos seus novos Beats.

Ainda na secção áudio, é curioso o sistema de duplo Bluetooth que nos permite ligar o P Smart a dois equipamentos em simultâneo.

Este Huawei é leve (143g) e tem um bom grip, perfeito para mãos mais descuidadas. Nesta versão de análise, o preto baço fica a “matar” com dois pequenos filetes prateados que separam a parte metálica das duas secções de antena que são em plástico mas que só um olhar muito atento consegue perceber a diferença.

As câmaras estão colocadas em cima e longitudinalmente, encaixadas dentro do próprio corpo e quase nada salientes (só um rebordo para proteger as objectivas).

A qualidade fotográfica está adaptada a este segmento povoado por um consumidor mais activo nas redes que em retratos qualitativos e, para isso, lá estão os filtros criativos da câmara dupla.

A secção principal tem Led duplo e duas objectivas, a principal com 13 MP e a secundária com 2 MP que serve apenas para o efeito bokeh, ou seja, profundidade de campo. Os resultados em modo retrato são bem conseguidos, havendo aqui e ali uma aberração digital que é normal quando estamos a brincar “ao digital” mas, para ser franco, gosto dos resultados mais dramáticos com este tipo de tratamento.

Ainda podemos e devemos utilizar a maior dinâmica do HDR, as aberturas e alguns modos da “casa”. Aliás, devemos fazê-lo em situações de menor intensidade luminosa.

A câmara frontal apresenta-se com 8 MP para umas belas selfies com o avançado modo beleza e uma função fácil de captura por gestos para chamar o pessoal para umas “groufies” e poder estender o braço até ao fim do mundo. Atenção a este filtro de beleza que também actua com um paralelo que força o efeito bokeh (até nos manda tirar selfies de vários ângulos para depois escolhermos “a perfeita”). O resultado pode ser francamente assustador, basta ver como ficou a minha cara quando puxei pelos filtros de “esticanço”.

Esticar a cara e aumentar os olhos dá nisto

Resumindo, o Huawei P Smart é um bom smartphone para quem procura algo moderno, eficaz e razoável e que esteja abaixo da barreira psicológica dos 300€. Ah, e que ainda apresenta uma porta Micro-USB para quem mantém uma enorme colecção de cabos e cabinhos.

O Huawei P Smart está disponível em preto, dourado ou azul com o PVP de 279€.

 

GALERIA DE IMAGENS (fotos originais)

 

João Gata

Começou em vídeo e cinema, singrou em jornalismo, fez da publicidade a maior parte da vida, ainda editou discos e o primeiro dos livros e, porque o bicho fica sempre, juntou todas estas experiências num blogue.

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