A Huawei faz mais uma vez história ao bater o recorde de pré-vendas quando as anunciou para a sua nova coqueluche, o P10. De acordo com os dados do final de 2016, o célebre P9 tinha conseguido vendas na ordem dos 9 milhões de unidades, o que demonstra bem a vitalidade da marca chinesa neste seu ataque aos primeiros lugares do podium global (já está no terceiro). Será que o P10 dá um salto qualitativo em relação ao seu antecessor em pouco menos de um ano? Ou seja, será que o P10 vai vender mais que o P9?

O primeiro P que usei profusamente foi o Ascend P6 em que o bonito e original design já mostrava o crescente interesse da marca num mercado que não era o seu até então. Corria o ano de 2012 quando o mundo ocidental começava a perceber que alguma coisa estava a mudar na identidade da marca. Seguiu-se o P7, o aclamado P8 e a primeira grande ovação graças à câmara dupla com assistência Leica no ainda presente P9.

O topo de gama P (sim, porque a marca tem na gama Mate a sua excelência tecnológica) chega em duas versões, o P10 e o P10 Plus, este último com alterações importantes e que será apreciado a seu tempo. Ambos apresentam um desenho sofisticado, com uma qualidade de construção de altíssimo registo, e pormenores que já fazem parte do ADN da marca, como a objectiva dupla com a legenda que tudo reforça, Leica, que pela primeira vez também ajuda à câmara frontal para uma selfies de grande qualidade… e alguns truques.

O corpo do P10 torna-o imediatamente num objecto de desejo. Tudo está bem pensado e superiormente montado, com nenhuma falha entre as diversas partes que o compõem. Uma das grandes notícias  que acompanhou este lançamento foi a parceria estabelecida entre a marca chinesa e o Pantone Color Institute, nomenclatura demasiado importante para ser deixada à parte por quem trabalha ou acompanha o mundo gráfico.

O que levou a Huawei a estabelecer uma parceria com uma instituição que, à partida, não terá nada a ver com o fabrico de equipamentos mobile, mas que já promete uma original aproximação entre os mundos da tecnologia e da cor?

Acima de tudo, há que olhar para os mais recentes parceiros da fabricante chinesa para percebermos a mais valia deste tipo de associações: a Leica, que catapultou a marca para o topo técnico fotográfico, e a Porsche, que mais recentemente emprestou o seu glamour ao topo de gama Huawei.

A marca afirma que “ao combinar a engenharia avançada da Huawei, e o seu fabrico de metal líder de mercado, com a orientação de cor do Pantone Color Institute, a Huawei espera oferecer aos seus consumidores dispositivos que combinam as mais recentes inovações e uma beleza ímpar.”

Ora isto abre mundos e fundos no que respeita aos próximos lançamentos da marca, e um enorme campo de acção trabalhando a cor e as suas emoções aliadas à condição humana. Isso mesmo foi já estabelecido com as várias versões do P10 (infelizmente nem todas as cores vão ser comercializadas em Portugal) que causaram um dos fortes aplausos aquando a apresentação oficial em Barcelona.

O Dazzling Blue e a cor Pantone do ano 2017, Greenery, foram projectados pelo Pantone Color Institute e optimizados com um acabamento único e original denominado “Hyper Diamond-Cut” que também estará disponível em Dazzling Blue e Dazzling Gold. Os Greenery, Rose Gold, Mystic Silver, Graphite Black e Prestige Gold estarão disponíveis com acabamentos de “Sandblast”, e ainda o muito especial “branco cerâmica”.

Múltiplas parcerias

Para além da Leica, Porsche e Pantone, a Huawei também celebrou convénios com Saatchi Gallery, a Universidade de Artes de Londres Central Saint Martins, a Ricostru e ainda com a Vogue.

O P10 absorveu o que o Mate 9 apresentou em primeira mão, como o super processador (da casa) octa-core Kirin 960 com 4 núcleos Cortex A73 a 2.4 GHz + 4 núcleos Cortex A53 a 1.8 GHz, acompanhado por uns mais que suficientes 4GB de RAM e, na versão mais básica, 64GB de armazenamento interno que, como é normal no sistema Android, pode ser ampliado mediante cartão microSD até 256GB (haja dinheiro).

Existem diferenças entre o P10 e o seu irmão maior Plus, e uma delas tem a ver com o ecrã: esta versão surge com um ecrã 2,5D IPS FullHD 1920x1080p (423ppp) com 5,1″, protegido pelo Corning Gorilla Glass 5. É muito nítido e brilhante e, quanto a mim, perfeito para um telefone com esta medida de ecrã. Como tem vindo a ser norma, vem protegido com uma película de fábrica que convém deixar ficar, e, atenção, uma garantia extra que, em caso de acidente, permite a troca de um ecrã partido nos primeiros meses de utilização. Boa, Huawei, é um golpe bem localizado contra modelos muito conhecidos de algumas marcas que, ao primeiro toque, se partem quase instantaneamente.

Uma das grandes novidades apresentadas com os P10, está no renovado interface de utilizador. Com base no EMUI 5.0, o EMUI 5.1 garante uma real e eficaz optimização de desempenho e tem um algoritmo de aprendizagem que vai memorizando e acompanhando o comportamento do utilizador, o que depois permite uma maior eficácia e rapidez de acção, ao antecipar, por exemplo, o uso de uma aplicação para alocar e reciclar recursos do sistema de forma inteligente.

Este processo está dependente da nova tecnologia HUAWEI Ultra Memory que gere, de forma mais eficiente, a memória para que as aplicações e os serviços mais frequentemente utilizados carreguem mais rápido, o que facilita a operação multitarefa.

Na verdade, todas estas referências, que são “chinês” para muito dos utilizadores, não estão aqui para encher espaço. O EMUI 5.1 tem mais funcionalidades, está mais rápido e apresenta mais formas de pesquisa de imagens, agora podendo ser feita por eventos, pessoas e locais. Tudo é mais lógico e objectivo e, logicamente, informativo. Mas o mais importante, é que provoca uma melhoria na rapidez de funcionamento, mas em apenas alguns casos, em relação ao Mate 9 que tem quase o mesmo coração. Por exemplo, é mais lesto a iniciar e em alguns jogos, mas é igual no carregamento da maior parte das funções.

Contudo, é o sector fotográfico que continua a captar todas as atenções, pois a assinatura Leica é demasiado importante para ser contornada. Se o P9 já era um tratado de qualidade, a Huawei mostra que a opção pela objectiva dupla no painel traseiro foi acertada e vê-se mimetizada pela concorrência (directa e indirecta).

Seguindo também o que foi apresentado no Mate 9, o painel traseiro exibe um conjunto de duas objectivas, uma 20MP Monocromática ladeada pela de 12MP RGB. Com abertura f/2.2, podemos contar com um muito útil estabilizador óptico de imagem (OIS), PDAF + CAF + Laser +auto focus de profundidade e flash de duas tonalidades. A câmara frontal tem 8MP, auto focus e a abertura f/1.9. Em termos de vídeo, tudo nos conformes com a “dádiva” de um Zoom híbrido 2x e a já imprescindível gravação de vídeo 4K.

Mas é a aplicação e o software que acompanha este processo fotográfico que coloca a Huawei num patamar acima dos concorrentes directos (e nunca nos podemos esquecer da qualidade imagética dos Xperia da Sony, infelizmente esquecidos devido a políticas de marketing absolutamente auto-destrutivas, nomeadamente em Portugal).

Um amigo fotógrafo profissional, dedicado aos iPhones, viu-me a fotografar com este P10 e automaticamente quis perceber esta gloriosa aplicação. O resutado imediato? Tirar-mo da mão e olhar para a natureza (estavamos na bela Sintra num dia fantástico pré-primaveril) com o seu olho treinado. Ficou tão entusiasmado com a facilidade de utilização e o modo profissional que, disse-mo, ia comprar um P10. (Adenda: já o fez)

Já para os mais amadores, o menu mostra uma série de modos que enriquecem sobremaneira o resultado, facilitando a captura de imagens de uma forma mais profissional, com filtros muito curiosos (e de que já falei aquando os ensaios aos anteriores Huawei, principalmente o Mate 9) quanto úteis. Uma das minhas opções favoritas é o modo retrato, que usa as duas lentes para simular um belo efeito bokeh que força uma profundidade de campo típica das grandes câmaras DSLR.

Se existem câmaras fantásticas nos topos de gama da Sony, LG e Samsung, que rivalizam e conseguem ultrapassar esta solução da Huawei, uma coisa é certa: nenhuma se apresenta num corpo tão fino quando o P10 o que, em termos de engenharia, é um marco importante. E os 20MP monocromáticos são, pura e simplesmente, imbatíveis, tornando estes novos Huawei (Mate 9 e P10 + derivados) nos melhores companheiros diários para quem prefere a fotografia a preto e branco.

Mas nem tudo são rosas no triunfante caminho do P10: quanto a mim, um smartphone deste calibre tem de ter duas colunas de som para conseguir alguma estereofonia.

Porque não copiar a solução encontrada nos Mate 9 e P9 Plus que a conseguem através de um truque técnico que utiliza o altifalante como coluna assim que se vê um vídeo em modo horizontal? Decerto que esta característica está presente no P10 Plus, mas o P10 deveria ter a mesma opção.

E o facto da versão portuguesa não ser Dual Sim também pode afastar alguns interessados.

A bateria de 3200 mAH também é curta para tudo o que o P10 permite fazer num dia.

Por outro lado, e sabendo que é uma medida muito apreciada pela generalidade dos consumidores, um ecrã com 5,1″ é-me “curto”. Talvez devido à utilização de telefones bem maiores, já não me adapto facilmente a esta medida e, com tudo o que o P10 faz, principalmente em termos de capacidades multimedia, se surgisse um pouco maior faria toda a diferença.

Poder-me-ão dizer “mas é para isso que existe um P10 Plus” e com toda a razão, mas aí encontro outro ponto menos bom: o preço. Mas já lá vamos porque deixei para último uma, senão a maior, grande novidade apresentada no P10: o botão!

Bem verdade, o famoso botão que a Huawei decidiu, e bem, colocar no painel traseiro do já longínquo Mate 7 que duplicava funções como sensor biométrico, passou para a base do painel frontal, à semelhança de marcas e modelos tão icónicos quanto o iPhone.

Mas este botão é capacitivo, ou seja, tem mais que uma função conseguida pela pressão do toque ou deslizamento do dedo. Sim, para além de ser o sensor de impressões digitais (até cinco) e que continua o mais rápido do mercado, este botão central (não posso chamar “home” porque faz mais que isso) vem ocupar o lugar dos três (ou quatro, outra diferença que a Huawei permite através do menu) botões de operação.

Este sistema obriga a alguma prática, mas depois de lhe apanhar o jeito, difícil é passar para outro telefone mais, enfim, clássico. Um toque simples  com a ID memorizada desbloqueia o telefone. Outro toque suave anda para trás, um mais prolongado abre a página inicial e podemos alternar entre ecrãs, tarefas ou aplicações deslizando suavemente com o dedo para a esquerda ou direita. Um deslizar vertical mesmo ao lado do botão, abre o menu da Google e ainda temos os toques com os nós dos dedos para shortcuts de funções como abrir o browser, tirar uma snapshot ao ecrã ou ver a temperatura.

Esta função do botão capacitivo pode ser alterada e desligada no menu, portanto, não se alarmem com este tipo de novidade.

Bom, com tudo isto, em que ficamos? A Huawei está de parabéns, pois conseguiu em pouco tempo (atentem ao timing do lançamento do Mate 9 e do P9) lançar um modelo que a mantém em lugar de destaque, mas a um preço que, quanto a mim, faz pensar duas vezes. A concorrência aperta, mas a marca apresenta soluções ousadas, diferentes e vai estabelecendo parcerias que lhe dão vantagens.

O modelo ideal, graças ao ecrã maior e de melhor qualidade fora a abertura das objectivas principais que promovem um resultado que, penso, seja fantástico, é o P10 Plus, mas o preço a que é proposto vai cair nas malhas dos novos LG G6 e Samsung S8 e não terá uma vida comercial facilitada.

Mas é do P10 que se trata hoje, e resumindo, é um terminal extraordinariamente bem construído que junta todos os ensinamentos retirados dos anteriores modelos, melhorando o que já estava óptimo, como o processador e o interface, apresentando-se num design que conquista olhares à primeira vista, principalmente nas cores mais vistosas.

É um telefone que está na moda mas que deverá ser o último desta gama P que tanto sucesso granjeou à Huawei. E o futuro avizinha-se muito interessante.

PVP: Huawei P10 – 649,9€

 O VoiceBox agradece à Huawei a disponibilidade do equipamento

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João Gata

Começou em vídeo e cinema, singrou em jornalismo, fez da publicidade a maior parte da vida, ainda editou discos e o primeiro dos livros e, porque o bicho fica sempre, juntou todas estas experiências num blogue.

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