Tem App, câmara de vídeo, mais força para tapetes, nova bateria e até pode ser controlado por voz. Mas valerá este preço? É ler.


Sou fã confesso dos Roomba e já me passaram vários pelo “chão” que me deixaram seduzido e francamente admirado pela facilidade com que ajudam à lida da casa. Ao longo dos anos, a marca tem vindo a equipar com mais tecnologia os seus modelos, mas e também, com maior poder de sucção com bateria para aguentar toda uma sessão. A maior transformação foi a alteração das escovas centrais de pelo para borracha, o que poupa muito trabalho de limpeza das partes móveis dos robots. Mas ainda nem todas as marcas o fizeram, talvez por uma questão de patente.

Mas se a Roomba era a rainha toda-poderosa deste sector, os últimos anos têm mostrado que os equipamentos electrónicos para o lar são cada vez mais procurados e o “filão” é muito grande e apetecível. Será que a Roomba continua a ser o top do nicho ou está a ser, finalmente, acossada pelas outras marcas?

análise iRobot Roomba 980

A App e o smart

Se há coisa que compreendo mas que não me dá jeito nenhum, são estes novos robots aspiradores controlados por aplicações de smartphone. A minha situação é simples: habito um duplex. O problema dos robots é mais complicado: não entendem esse facto pois não têm memória para guardar os mapas de ambos os andares. E isto, meus amigos, leva ao desespero doméstico. Por exemplo, o meu próprio aspirador que é de outra marca, tem esta função que é agravada pela ausência de comandos físicos (ou manuais). Ou seja, cada vez que eu mudo de andar, sou obrigado, através da app, a refazer o mapeamento do local para que a aspiração seja eficaz.

Ora o Roomba 980 tem também esta característica moderna e a minha primeira dúvida era exactamente se o dito podia também ser controlado por botões, simples botões, que devem estar no topo do corpo. Alvíssaras!!! Tem! E metade dos meus problemas foram dissipados (escuso o facilitismo do “aspirados”). Bem vindos botões “Home”, “Clean” e “Spot Mode”!

análise iRobot Roomba 980

Mais descansado, apreciei o design, o peso e a forma: é quase igual ao 780, o primeiro que analisei já no longínquo 2013. Continua redondo, com uma escova lateral que empurra o lixo para os dois cilindros centrais, uma pega, o depósito atrás e os sensores principais à frente. Em equipa que ganha não se mexe, certo? Mas podiam ousar a cores mais vivas e modernas, digo eu…

A App iRobot Home é gratuita e está disponível para Android e iOS. Nela encontramos os três controlos básicos (os botões físicos), mas temos mais opções de funcionamento, como programar o horário, seleccionar funções menos básicas, como o reforço da passagem pelos cantos, dar mais boost se a casa tiver muito tapete ou carpete (embora esta função seja automática depois de accionada, o que dá um jeitão), duas passagem pelo mesmo espaço, etc.

análise iRobot Roomba 980

O Roomba 980 tem mais sensores, melhor bateria, maior poder de aspiração, e toda uma nova programação de linha de limpeza, ou seja, a marca repensou a quadrícula para a movimentação do robot para que este chegue a todos os espaços, ao invés de lhes passar muito perto. Para isso equipou o 980 com uma câmara de vídeo de baixa qualidade para que ela ajude o processador a lembrar-se de todos os locais e dos objectos que temos pela casa.

Ora esta câmara está a gerar alguma discussão conjuntamente com o mapeamento que os robots fazem às casas. Ou seja, são dados domésticos de tudo o que temos e onde temos, para além do registo dos nossos hábitos diários, etc. A questão é se toda esta informação pode ir parar a mãos de algum larápio. As marcas (porque todas começam a usar estes sistemas) dizem que não, que nem pensar, mas tenho para mim que as bruxas existem. Mas, lá está, podemos sempre optar pelos botões físicos, não é?

Por outro lado, saber que podemos controlar o robot quando estamos fora de casa, dá realmente jeito. Imaginem “querida/o, a minha mãe vai jantar hoje lá a casa”, “mas não me avisaste e está tudo por limpar”, “usa a App!”.

Outra função que deve ser realmente útil mas que só serve quem tem um assistente virtual, como o Google Assistant ou a Alexa da Amazon, são os comandos por voz. Sim, este robot faz parte de uma casa conectada, não é?

Sem App é ainda muito Smart

Usei mais vezes o 980 sem App do que através dela, pelos motivos que já mencionei. E a utilização é tão facilitada que apenas é necessário clicar no botão “Clean” para ligar o Roomba. Mais um toque e inicia a aspiração. Outro toque e entra em pausa. E um toque final para terminar a função. Ou seja, um único e simples botão faz tudo o que é necessário, pois o ciclo de limpeza é automático e vai a todos os cantos (com acesso, claro está).

O botão “Home” faz isso mesmo, manda-o para casa, ou seja, para a docking station que vai recarregar a bateria de lítium ion. Bem verdade, esta é uma das grandes novidades do 980, muito necessária também devido ao superior poder de funcionamento que provoca um desgaste mais rápido da bateria. Em relação a esta, a marca diz que cada sessão aguenta até duas horas de funcionamento. Mas tudo depende das características da casa de cada um. Quantos mais tapetes, menos bateria…

Por último, o botão “Spot Mode” concentra-se num espaço definido para limpar mais profundamente essa área.

As paredes virtuais e os sensores

Tenho uma casa com muitos obstáculos, dezenas de cabos e, “tarararam”, uma escada interior, portanto, é sempre com alguma curiosidade que atento na primeira passagem pelos ditos cenários aquando cada utilização de um novo robot. Os Roomba sempre se portaram bem em relação às escadas e são dos melhores a não se deixarem prender pelas armadilhas dos cabos. O 980 não é excepção, passando e ultrapassando quase tudo sem problemas. Até a passagem por cima do tapete do quarto de banho, bem mais alto e grosso que os restantes, foi conseguida. Nota máxima neste enquadramento.

análise iRobot Roomba 980

Também confere alguma satisfação ver que o motor se esforça realmente muito mais quando aspira um tapete. Neste campo, o 980 bate toda a concorrência que conheço e é um grande aliado na luta contra os pelos dos animais, principalmente se forem dois e que gostam de andar à bulha… em cima dos tapetes.

As duas paredes virtuais são agora mais pequenas e alimentadas por pilhas AA. Basta colocá-las à entrada de qualquer divisão ou espaço para “proibir” a viagem do robot. E funcionam.

Concluindo

O Roomba 980 não brinca em serviço. Aspira depressa e bem, mas é muito mais ruidoso que o que estamos habituados nos equipamentos similares. O boost nos tapetes faz-se notar também pelo barulho que até sugere que a casa está a ser aspirada de forma tradicional. Mas não posso nem devo apontar esta realidade como um defeito, pois sei que o ruído tem directamente a ver com a limpeza de germes e demais lixo, contudo, confesso, não estava à espera de tantos decibéis.

Fazer o download da App é uma coisa, fazer com que ela funcione é outra. Precisamos conectar o 980 ao nosso wi-fi, tarefa um pouco complexa, pois o smartphone que estamos a usar também está ligado na mesma rede e o conflito acontece. Há que seguir atentamente as instruções para se conseguir o sucesso.

análise iRobot Roomba 980

O novo sistema de limpeza denominado Aeroforce em conjunto com o Carpet Boost é fantástico e a limpeza garantida de forma muito eficaz. Aliás, a marca garante que limpa 99% dos germes e outra bicharada. Não sei se é assim, mas que o chão fica realmente diferente, fica. Mesmo parte dos líquidos derramados são sugados, contudo, vão obrigar a uma limpeza da escova e cilindros para que tudo continue a funcionar bem e depressa no dia seguinte.

Gostei francamente deste novo topo de gama que, infelizmente, tem preço a condizer. É caro e ultrapassa a barreira psicológica dos quatro algarismos. Valerá a pena gastar tanto quando a própria marca tem soluções quase a metade do preço? Tudo depende das necessidades de cada um. Também se diz por aí que os smartphones que custam mais de mil euros se vendem como pãezinhos quentes… e a vantagem do Roomba 980 é que não vai ser necessário substituí-lo pelo modelo mais novo ao fim de um ano. Nem ao fim de cinco…

PVP: 1099,99€

João Gata

Começou em vídeo e cinema, singrou em jornalismo, fez da publicidade a maior parte da vida, ainda editou discos e o primeiro dos livros e, porque o bicho fica sempre, juntou todas estas experiências num blogue.

View all posts

Add comment

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *

Siga o VoiceBox

QUAL O MELHOR SMARTWATCH 2017?

A ESTREIA EM DUAS RODAS

Vídeo da semana