Quem não se lembra do primeiro ecrã curvo, do primeiro telefone modular, do primeiro ecrã duplo frontal? Pois, a LG assina todas essas evoluções.


No Mobile World Congress de Barcelona houve um smartphone que me ficou na retina. Sou um fã confesso das soluções da LG, marca que para seu próprio mal, anda sempre um pouco à frente do seu tempo. Quem não se lembra do primeiro ecrã curvo, do primeiro telefone modular, do primeiro ecrã duplo frontal? Pois, a LG assina todas essas evoluções, mas não consegue fazer passar essa imagem ao mais comum dos consumidores. E assim sendo, é difícil combater a vizinha Samsung, só para citar quem está geograficamente mais próximo.

Em 2016, gostei francamente do LG G5 (ler análise) e dei-lhe mesmo o prémio do smartphone do ano. Mas foi um rotundo fracasso comercial. Fazia todo o sentido mas chegou, mais uma vez, antes do tempo e, também, não se vislumbrava grande vontade do mercado em conceber mais acessórios compatíveis com o sistema modular. Devido a isso, rolaram cabeças na administração e a marca encarou o modelo sucessor com mais calma e ponderação. Ou será que não?

O LG G6 apresenta um formato 18×9, tendo sido um dos primeiros modelos a par com o Samsung Galaxy S8 (ler análise ao S8+), a vestir-se com estas novas medidas.

É uma opção arriscada, penso eu, talvez antecipando outro drama nas vendas. Mas, como afirmação tecnológica, a marca tinha de apresentar algo diferente, muito diferente do modular G5.

E o que se sente com o G6 ao agarrá-lo pela primeira vez? É mais alto que o normal, o corpo encaixa muito bem na mão, tem medidas quase perfeitas, a construção é sólida, mesmo que a capa traseira tenha uma segunda protecção de tinta plástica antes de chegar ao metal (fizeram-se testes na tentativa de mostrar que havia marosca).

O ecrã de 5,7” Quad HD com 2880 x 1440 pixels de resolução convida à visualização de vídeos, navegação net e até mesmo à leitura pois domina todo o ecrã frontal e tem uma qualidade excepcional. As laterais do G6 não escondem a moldura em alumínio, e tanto o vidro frontal quanto traseiro estão protegidos por Gorilla Glass.

Na traseira encontramos as duas câmaras e o sensor de impressões digitais que dobra funções como botão power / power lock.

Na base estão o conector USB Type C (que é à prova de água), a coluna de som e o microfone, em cima a entrada para jack 3,5mm. De lado a entrada para os cartões e as teclas de volume.

Na verdade, este LG G6 é realmente elegante e bem realizado. Ao contrário do que sofri com o corpo demasiado escorregadio do Samsung S8+, é com à vontade que passeio o LG. E estas pequenas diferenças, acreditem, fazem-me escolher um terminal.

A LG não teve hipótese em conseguir equipar este topo de gama com o processador topo de gama da Snapdragon, visto que foram açambarcados pela Samsung, e teve desse contentar com o menos potente 821. Para quem já trabalhou com o 835, pode vir a notar alguma quebra de fluidez, mas é preciso querer mesmo tirar dúvidas. O Snapdragon 821 é muito rápido com o UI da LG que, quanto a mim, tem coisas muito boas mas outras que deveriam ser reformuladas.

O G6 tem 4GB RAM e 64 GB ROM expansíveis até, atenção, 2TB mediante cartão de memória.

Contudo, há que mencionar as mais valias: a função Always On é personalizável, temos um comando por IR para os aparelhos lá de casa, e há compatibilidade com Dolby Vision e HDR10, o que poderá ser importante para utilizadores high-end.

Eis que chegámos às câmaras. São três, duas principais (13MP cada) e uma frontal com 8MP. Tanto a frontal quanto a segunda (vamos chamar-lhe assim) principal são grande angular o que aumenta de forma extraordinária a largura do campo a fotografar/filmar.

Se na câmara frontal nos facilita a tomada de fotos de grupo, tanto em festas como à mesa, com resultados realmente “alargados”, usando a Grande Angular principal (com 125º de amplitude) empurra-nos para outro tipo de composição, como fotos de natureza, viagens e horizontes.

A comutação entre as duas objectivas faz-se por toque e é imediata. Podemos filmar em 4K com qualquer delas, mas é o detalhe da objectiva frontal principal que me encanta, sendo a única que está equipada com estabilizador digital óptico.

A LG sempre foi muito forte em termos de qualidade fotográfica e, mais uma vez, garante um lugar no podium qualitativo. É excelente para retrato, apresenta cores muito definidas e trata muito bem os pormenores. Curiosamente, não é tão boa em situações de fraca luz, onde é visível algum grão (e mais aberração na Grande Angular). E não se esqueçam é que podemos filmar e fotografar à chuva.

Mas nem tudo é perfeito nesta nova medida de ecrã e o G6 recebe a mesma crítica negativa que fiz ao Samsung S8+: muitos dos conteúdos são reproduzidos em 16:9 o que cria uma ou duas barras laterais negras. Podemos preencher o ecrã na totalidade, pois é para isso que ele serve, mas vamos acabar por cortar pormenores do enquadramento original. E isso, meus amigos, é quanto a mim um “no-go”.

O G6 tem uma bateria de 3.300 mAh o que garante um dia de utilização ”à bruta” e o Android 7.0 Nougat também não é alheio a uma melhor repartição dos recursos.

O maior comprimento de ecrã faz brilhar o G6 na leitura de notificações e redes sociais. Esta é a medida que, só por isso, vai acabar por se tornar standard em poucos anos. E ao fim e ao cabo, um ecrã 18:9 são dois quadrados perfeitos, o que também é perfeito para multitasking.

Para concluir:

Revisitei o passado aqui no histórico do blog e relembrei os fantásticos (à época) LG VU, LG G2 e G3S e G3, LG G Flex, LG V10, LG G4 e G5, entre outros, modelos que analisei ao rolar dos tempos. E, não há qualquer dúvida em apontar esta marca como uma das que mais tem trabalhado para o sucesso Android. Espanta-me, contudo, a fraca adesão popular, principalmente de quem se afirma como entendido que depois, na loja ou por pontos, escolhe sempre o modelo mais em voga (ou seja, mais popular).

O LG G6 tem um lugar muito próprio, destaca-se pelo ecrã e qualidade dos componentes. O UI pode não ser do agrado de todos, mas é de fácil habituação. Acima de tudo, o G6 convence pelas duas extraordinárias câmaras. Podem não ser as melhores actualmente (o S8+ está ligeiramente à frente, assim como o Huawei P10+) mas mais nenhum tem uma Grande Angular tanto para as selfies como para grandes, enormes fotografias principais.

Se tivesse sido possível contar com o último grito da Snapdragon não haveria forma de justificar os 200€ de diferença para o modelo da Samsung. A batalha sul-coreana tem sempre um vencedor e não é por motivos tecnológicos.

Para mim, a LG fez mais um brilharete com este G6 e por isso é premiada com o selo dourado.

PVP: 799€~(à data de lançamento, agora está mais apetecível, procurem bem)

Voicebox.pt - selo ouro

João Gata

Começou em vídeo e cinema, singrou em jornalismo, fez da publicidade a maior parte da vida, ainda editou discos e o primeiro dos livros e, porque o bicho fica sempre, juntou todas estas experiências num blogue.

View all posts

Add comment

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *

Análises – reviews

Breves

Siga o VoiceBox, um blogue de João Gata