O LG V30 é um dos melhores smartphones do mercado com características únicas e um corpo apenas fantástico


Se há marca que tem tido azar no mercado dos smartphones, é a LG. Ano após ano brinda o mercado com soluções originais, engenhosas que, mais tarde, até são copiadas pelas restantes marcas (a LG foi a primeira a colocar botões e o sensor no painel traseiro, por exemplo). Mas o mercado não alinha por esse diapasão. É uma situação complicada que já levou a despedimentos na empresa, a volte faces extraordinários, a desistências de projectos, a fugas para a frente. A mais recente foi, inclusive, a não presença ou lançamento do aguardado modelo G7 no MWC de Barcelona. Em vez dele, surgiu “às escondidas” um V30 renovado com pozinhos do novo holly grail industrial, a inteligência artificial, ou, se for mais realista, a assistência artificial.

Tive a oportunidade de assistir ao lançamento do LG V30 na IFA2017 a convite da marca. Confesso que fiquei muito bem impressionado e até muito entusiasmado. O V30 tinha todas as razões para ser o meu smartphone de eleição em Setembro de 2017. O problema? Chegou-me às mãos em Janeiro de 2018. Durante estes meses, já a Samsung, a Huawei e a Apple tiravam da cartola os seus coelhos tecnológicos, as duas últimas com a grande vantagem da AI, a primeira com o açambarcamento, à altura, do melhor processador disponível.

Teria o V30 alguma possibilidade num mercado tripartido? Foi isso que tentei perceber ao longo de um mês de análise no “terreno”.

A máquina está ao nível dos topos de gama da concorrência. Tem um processador Qualcomm Snapdragon 835 a 2,45 GHz, 4 GB de RAM, 64 GB de armazenamento interno expansíveis mediante cartão até 2TB, mas é o belo ecrã de 6” FullVision Quad HD+ de formato 18:9 que ocupa quase todo o painel frontal que dá, e muito, nas vistas. Este P-OLED (P de plástico) tem resolução de 2880 x 1440 píxeis e permite inclusive alguma personalização do modo Always On como, típico na gama V, escolher as notificações, as cores, o design do mostrador do relógio e até o nosso próprio nome. Podemos inclusive interagir com as notificações durante este modo e aceder a algumas funções, como o reprodutor musical, por exemplo. É apenas fantástico e um ponto a favor do LG V30.

Uma das coisas que tenho de mencionar, porque se provou real, é a extraordinária resistência deste equipamento quando, infelizmente, ocorre uma queda. Não sei quantos equipamentos me passaram nas mãos durante todos estes anos de análises tecnológicas, mas lembro-me bem dos dois que “parti”: um Alcatel Idol e o Samsung Note 7 (o famoso). Ambos sofreram quedas mínimas com resultados horripilantes, ou seja, os ecrãs partidos.

Pois foi quando, num repente, o V30 se me escapou das mãos (é um pouco escorregadio de tão ergonómico e polido) que percebi que a publicidade que a marca faz ao resultado obtido quando passou o teste padrão contra quedas do Exército dos EUA, denominado MIL STD-810G, é real! Absolutamente verdadeira! Nem uma mossa, um risco, um sinal causado por uma altura de mais de um metro. Fiquei fã, vos garanto! É que o LG V30 é um terminal francamente bonito e é uma pena tapá-lo com fortes capas de protecção e foi, desde os últimos tempos, o único topo de gama que transportei no seu estado “puro”. Parabéns, LG, há que salientar este feito que é também acompanhado pela classificação IP68 (poeiras e mergulhos).

O design do V30 foi influenciado pelo LG G6, outra máquina que passou despercebida do público português. Infelizmente, é notória a falta de investimento no marketing com que a marca sul-coreana brinda este segmento em Portugal, pois somos um consumidor ávido por tecnologia e “coisas boas”. E as máquinas LG têm sempre aquela originalidade que é procurada por muitos consumidores, mesmo que sejam projectos abandonados em pouco tempo (veja-se o fantástico e modular LG G5).

Sendo assim, resta-nos alimentar a esperança que a marca reveja este posicionamento para os próximos lançamentos. Até lá, é o V30 actual que nos enche as medidas. E reparem bem numa situação esclarecedora: toda a gente, mas mesmo toda a gente (à excepção de dois ou três teimosos) ficaram rendidos quando tocaram e apreciaram o V30. E falo mais concretamente de colegas deste ofício.

Existem razões, como a qualidade de construção, o corpo fino, delgado e muito leve, um ecrã fabuloso e, neste caso, um acabamento azul metálico que é lindo de morrer. Mas para além de tudo isto e do que já mencionei, há que levar algum tempo a tratar uma das qualidades deste modelo: a sua capacidade e qualidade fotográfica e, acima de tudo, vídeo.

Agora a questão que se impõe? Onde está o segundo ecrã que surgiu no V10 e fez com que a LG brilhasse mais uma vez? Pois esse ecrã… desapareceu! Mas não desesperem: em seu lugar, a LG optou por uma função designada por “Floating Bar”, ou seja, uma janela flutuante que podemos colocar em qualquer espaço do ecrã e fechá-la para o canto. Esta janela tem as mesmas funções do segundo ecrã, como atalhos e notificações várias. Mas, muito sinceramente, não é a mesma coisa, não tem aquele factor entusiasmante a que a série V nos tinha habituado.

Mas a LG continua a oferecer-nos mais valias práticas. Os toques no ecrã são fantásticos, principalmente para ligar e desligar o dito, a função QuickMemo+ permite agora guardar imagens e gifs para além de notas que também podem ser escritas com o dedo ou uma caneta com ponta específica.

Outro factor interessante são os modos “Smart Settings” que podemos escolher como se fossem receitas IFTTT. É simples programar o V30 para vários automatismos como, por exemplo, chegar a casa e emparelhar com a coluna Bluetooth, chegar ao carro e ligar o sistema mãos livres, etc. “O mundo é uma ostra”.

O V30 tem duas câmaras principais, uma com uma lente de 16 MP (abertura f/1.6) e a paralela com uma lente grande angular de 13 MP (f/1.9). Reparem que escrevi paralela e não secundária. Ao contrário da opção da Huawei (um sensor RGB e outro monocromático), a LG (tal como a Asus no seu Zenfone 4) dá-nos a escolher entre um enquadramento clássico ou uma grande angular para alargar o campo de visão. Esta solução, que foi apresentada originalmente no LG G5) é fantástica. Mudar de objectiva é quase automático, basta pressionar no ecrã o ícone que desejamos para aquela fotografia.

A qualidade das imagens captadas está ao nível do melhor que se apresenta no mercado. Pode não ser tão brilhante quanto a do Mate 10 Pro (abertura f/1.4) nem tão pormenorizada quanto a que encontramos nos Samsung Note 8/S8, mas é dinâmica, com aquele “punch” que procuramos numa boa foto, com excelente tratamento das texturas inclusive em ambientes pouco iluminados. Quando utilizamos a grande angular, percebemos que existem aberrações normais nos extremos das imagens, principalmente se provocarmos um ângulo menos “clássico”, mas os resultados são francamente entusiasmantes.

Existem alguns parâmetros e modos de operação dignos de registo. Por exemplo, o “Graphy” permite importar os parâmetros manuais e setups profissionais de câmaras de marcas orelhudas. Os resultados são bastante interessantes e, criativamente, dá para perder/ganhar muito tempo a “brincar” com esta opção. O Zoom tem mais qualidade que o que esperava, mas é a função “Point Zoom” que me fartei de mostrar aos amigos e que funciona em vídeo onde a utilizei bastas vezes. Basta seleccionar um ponto no ecrã para onde queremos que o Zoom vá (ou vice-versa) e automaticamente, repito, automaticamente, o V30 faz esse Zoom. O resultado é suave e muito interessante e mais um dos pontos que me fez apaixonar pelo V30. Mas há mais, ou se há!

O modo CineVideo tem um potencial enorme que nos cativa e nos convida à criação cinematográfica. São filtros pré-programados que emulam as cores e as linguagens plásticas do cinema profissional e que garantem um “look” muito acima do que seria possível fazer com um smartphone. Esta oferta garante duas coisas: primeiro a qualidade do que nos propomos realizar, pois incentiva ao planeamento, a levar as coisas a sério. Depois, este resultado é conseguido com o V30, sem softwares de pós-edição de tratamento de cor, enquadramento, etc. Se o V30 me entusiasma em alguns pontos, este é certamente o que me levaria à sua compra imediata.

Ver para crer!

A câmara montada no painel frontal é uma grande angular de 5MP. São, garanto, mais que suficientes para uma boa imagem e, acima de tudo, conseguimos sem esforço algum fazer uma selfie de grupo sem ter de esticar o braço para além do possível. E, neste campo, poucos terminais podem gabar-se de conseguir um tão bom resultado.

Mas o LG V30 está mais focado no vídeo (com toques cinematográficos) que na própria fotografia. Se esta prioridade foi pensada porque a marca percebeu que, neste momento, seria difícil ultrapassar a concorrência directa, foi um tiro muito certeiro. A LG equipou o V30 com um OIS – estabilizador óptico de imagem – que faz maravilhas!

Outro dos campos em que o LG V30 dá cartas é na qualidade áudio e, se as especificações impressionam no papel, garanto-vos que os resultados na utilização fazem jus a tudo o que podemos esperar quando o escolhemos por este motivo. Reparem: HiFi Quad DAC melhorado pela Bang & Olufsen, autenticação Master Quality pela primeira vez num smartphone, uma equalização profissional, podemos inclusive fazer streaming de áudio com qualidade Hi-Res e tudo isto acompanhado por uns excelentes, direi mesmo, espectaculares auriculares da B&O que…. é ouvir para crer. E ainda bem que vêm na caixa, pois o V30 é francamente pobre no que respeita à reprodução áudio através do corpo físico: só tem uma coluna e não é grande espingarda. Mas temos direito a uma ficha 3,5mm para os belos auriculares. Mas ainda há mais: por exemplo, o microfone foi melhorado para conseguir gravações de extrema qualidade o que também ajuda para quem quer fazer um vídeo de férias ou um Vlog diário. Não precisa de mais nada.

Um dos pontos menos positivos do V30 é a bateria de 3300mAh que se esgota quando puxamos pelas funções vídeo. O que vale é o carregamento rápido que nos garante 50% em apenas 30 minutos. Nada mau, nada mau.

E então, em que ficamos?

O LG V30 chegou tarde ao mercado, principalmente ao lusitano, e com um preço ao nível dos tipos de gama mais desejáveis e da moda, portanto, parte novamente como o parente pobre, o primo afastado, o tio de que ninguém quer saber. E, francamente, é uma pena que assim seja. O LG V30 está, quanto a mim, ao nível dos melhores em muitos aspectos sendo aqui e ali melhor e ali e aqui menos bom. Pode não tirar as melhores fotografias, mas faz os melhores vídeos. Pode não ter as melhores colunas de som, mas tem um processamento e auriculares fantásticos assinados pela B&O. Tem o design mais limpo do mercado, fazendo-o ser o mais bonito (se podemos aplicar essa apreciação tão subjectiva). Mas há vantagens escondidas: o facto de ter sobrevivido a uma queda sem um “ai” é um factor relevante para mim. A bateria não é tão boa quanto a do Mate 10 Pro? Está a milhas, mas tem ficha 3,5mm e suporte para cartão de memória (até 2TB).

E depois está equipado com aquelas funções que realmente gosto de utilizar, como os toques no ecrã que são muito úteis e o QuickMemo+ que dá pano para mangas e faz lembrar o Note8 com a sua super S-Pen.

O meu conselho? Pensem neste V30 mas, se esperaram até agora, mais vale aguentar pela versão que foi “mais ou menos” desvendada no MWC de Barcelona e que acrescenta um S à designação. O novo LG V30S thinQ já tem Inteligência artificial e um melhoramento fotográfico digno de registo.

Concluindo, o LG V30 é um dos melhores smartphones do mercado com características únicas e um corpo apenas fantástico. por tudo isto, merece o selo de ouro!

PVP: 840€ (aproximadamente, pois existem flutuações de loja para loja)

Voicebox selo de ouro
Voicebox selo de ouro

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João Gata

Começou em vídeo e cinema, singrou em jornalismo, fez da publicidade a maior parte da vida, ainda editou discos e o primeiro dos livros e, porque o bicho fica sempre, juntou todas estas experiências num blogue.

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