Análise ao smartphone Nokia 6.1 com Android One, um média gama que é muito atraente com desenho original e construção sólida


O novo smartphone Nokia 6.1 surpreendeu-me assim que o retirei da caixa.

Qualquer smartphone que exiba galhardamente a legenda Android One precisa, antes de mais, que gaste aqui algumas frases a explicar brevemente o conceito.

E a história é interessante porque deu uma reviravolta:

Em 2014, Sundar Pichai (à altura responsável pelo Mobile da Google) apresentou o sistema One no Google I/0 como a grande arma operativa a ser instalada em equipamentos de gamas básicas.

O objectivo era penetrar em mercados emergentes, o que veio a acontecer nos dois anos seguintes e com grande sucesso.

Mas em 2016/17, Sundar Pichai, agora CEO da Google, foi vendo o sistema One a ser continuamente melhorado, tanto em termos de rapidez como de limpeza de aplicações externas, maior segurança, etc..

Análise Nokia 6.1, um média gama de metal com Android One

Plim, uma actualização disponível

De repente, marcas como a Xiaomi começam a escolher o sistema para equipar os seus equipamentos de média gama e este passo veio confundir o próprio papel do Android One.

Em 2018, o Android One é “o menino bonito” do sistema.

À semelhança dos smartphones da casa, os Google Pixel, promete o mesmo nível de segurança, actualizações constantes e sem atrasos, uma relação privilegiada com os próprios OEM, o que dá garantias de sucesso e longevidade.

O mercado rapidamente percebeu esta mais valia e estão agora a surgir os primeiros Android One “adultos” e que querem conquistar um lugar ao sol.

Perguntam “então e os base de gama e os mercados emergentes e isso” ao que respondo: para eles existe agora o Android Go.

Passada esta bonita história sobre o sistema operativo, um dos grandes trunfos deste Nokia 6.1, passemos à apresentação do smartphone que, tenho certeza, vai dar nas vistas e agradar a muito consumidor.

Análise Nokia 6.1, um média gama de metal com Android One

A máquina

Equipado com processador Qualcomm Snapdragon 630, o Nokia 6.1 vem artilhado com 3 GB de RAM, 32 GB de armazenamento interno que são expansíveis através de cartão de memória.

O que também nos interessa, é a capacidade da bateria que com 3000mAh consegue aguentar com algum esforço um dia de laboração, um factor importante para o target a que se destina, principalmente porque também tem recarregamento rápido.

O ecrã mantém as medidas que já foram a norma, sendo neste caso um IPS Full HD com 5,5” de vidro esculpido 2,5D com Corning Gorilla.

Existe neste campo uma curiosidade: mesmo sendo LCD, a Nokia usa um sistema de notificações Android do género “always-on” sem sê-lo mas que nos permitem verificar as mensagens e as horas de forma simples.

É raro especificar este tipo de coisas que só, e realmente, interessam aos mais curiosos sobre o equipamento, mas o Nokia 6.1 é um telefone largo (75,8 mm) cujo corpo é feito a partir de um bloco sólido de alumínio, “so they say”, e cujas arestas são muito pronunciadas.

Estas arestas podem ser menos confortáveis de usar por quem tem mãos mais pequenas e o peso também não ajuda (172g).

Se por um lado, pensei que este Nokia fosse um telefone feminino, duas senhoras tiraram-me essa dúvida: “olhe que não, olhe que não!”

Análise Nokia 6.1, um média gama de metal com Android One

As câmaras e aquela assinatura especial

Se há griffe que está ligada à outrora finlandesa Nokia, foi a Zeiss e as suas extraordinárias lentes.

Aliás, anos atrás, ambas as marcas faziam grande brilharete com o ainda à altura desconhecido “super Pixel” com o modelo Lumia 1020 (ler análise) e os tais 41 MP fotográficos, entre outros.

(Aliás, abro aqui um parêntesis para brindar ao sistema Windows Phone do qual fui e serei para sempre fã)

O Nokia 6.1 brinda-nos com o logotipo Zeiss na capa traseira, logo por baixo da objectiva de 16 MP com flash de dois tons e tecnologia Dual Sight(melhorada).

Análise Nokia 6.1, um média gama de metal com Android One

Plim, uma actualização disponível

Vamos por partes? A objectiva Carl Zeiss tem abertura f/2.0 (PDAF, 1.0um), o que não é particularmente extraordinário, e que apresenta resultados muito crus, ou seja, muito naturais com cores quase neutras.

Os pormenores têm algum destaque, mas sugerem também uma sobre exposição em áreas mais iluminadas o que afecta um pouco o contraste, principalmente em imagens em contra luz.

À noite não há milagres e não podemos espremer grandes resultados desta unidade, mas serve bem as memórias mundanas.

Muito interessante é a aplicação com ícones bastante grandes que nos dão acesso aos vários modos, desde HDR ao manual.

Neste podemos escolher os níveis de equilíbrio brancos, ISO (até 3200), velocidade de obturador e focagem. Muito simples e muito imediato.

Existe também a possibilidade de colocarmos legendas nas fotografias com algumas tags, por exemplo, a localização e a meteorologia.

Outra graça é o Modo Split Camera que faz isso mesmo, divide o ecrã e tira uma foto com cada uma das objectivas. É bastante interessante.

Para os menos afoitos, há o Modo PiP.

A câmara selfie tem 8 MP (f/2.0, 1.12um) e vai servir para o tal Dual-Sight que nos permite criar uma espécie de reportagem em directo.

Ah, o Dual-Sight

Explico: o Dual-Sight liga ambas as câmaras simultaneamente o que permite gravar com a selfie a nossa cara a comentar o que se passa e que está a ser gravado pela câmara principal.

A Nokia dá a este processo a designação #Bothie que é abrilhantada com a captura de som com tratamento Áudio espacial Nokia, seja lá o que isso realmente significa, pois não me deslumbrou tanto quanto o desejável no papel, mesmo com gravação através de dois microfones para encher o espectro sonoro.

De qualquer forma, este sistema, num mundo que vive para ser visto, tem grande potencial para quem ainda se dá ao trabalho de se filmar onde quer que esteja, seja numa festa, num concerto, num rooftop, num happening, num sunset… percebem onde quero chegar.

Mas, quando tiver mais qualidade (ainda aconteceram algumas pausas aqui e ali), pode muito bem servir um repórter numa qualquer situação que exija um directo, tanto para as redes, como para os canais ainda generalistas.

Plim, uma actualização disponível

Este Nokia 6.1 já tem Oreo 8.1.0 o que demonstra bem o que é, afinal, o Android One.

A cada semana tenho recebido uma actualização, geralmente patches de segurança, o que me coloca numa situação quase exasperante: o meu smartphone pessoal que custa três Nokias 6.1, se bem que já tenha Oreo 8.0.1, não me faz plins de actualização, digo agora, o tanto quanto deveria.

Outros mimos de que não estava à espera: suporte Bluetooth 5.0 que já permite compatibilidade com os mais recentes codecs de áudio como o aptX HD e LDAC.

E como tem ficha 3,5mm, podemos usufruir de toda esta qualidade. A outra, USB-C, encontra-se ao lado da coluna mono que faz apenas o seu papel.

Análise Nokia 6.1

Concluindo

É um smartphone que tem altos e baixos.

O design está muito conseguido, o corpo aparenta uma robustez fora de série e os filetes a bronze são um contraste muito vistoso contra o bloco negro.

Por outro lado, as arestas não são confortáveis de utilizar, pois o Nokia 6.1 é um tudo ou nada largo mais largo que o ideal.

Parece um telefone feminino, mas atrai também o gosto masculino, pelo que me foi dado a entender. Se é pela designação Nokia que relembra tempos idos se é pelo bloco de metal, isso fica ao critério de cada um.

E a zeiss?

Fiquei um tanto ou quanto desiludido com a qualidade fotográfica, principalmente quando surge agarrada a um ícone tão importante quanto o “autocolante” da Carl Zeiss.

Mas também compreendo que a HMD queira fazer brilhar os topos da sua gama e que reserve para estes as grandes capacidades desta joint-venture.

O sistema Android One é muito limpo, rápido e perfeito para este tipo de terminais.

Tem tudo o que precisamos para poder trabalhar e deixa-nos escolher livremente todas as aplicações de que realmente precisamos.

Faz também com que a usabilidade deste Nokia 6.1 seja francamente boa.

O preço ajuda ao pacote!

PVP: 299€

João Gata

Começou em vídeo e cinema, singrou em jornalismo, fez da publicidade a maior parte da vida, ainda editou discos e o primeiro dos livros e, porque o bicho fica sempre, juntou todas estas experiências num blogue.

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