Para que serve uma câmara 360º? E será que precisamos de uma? E o futuro dos conteúdos, passará por aqui? A Ricoh tem a resposta.


Pois que são questões quentes nesta altura do campeonato imagético: uma câmara 360º serve para mostrar a terceiros a quase totalidade do meio ambiente onde estamos a filmar ou fotografar, com toda a dinâmica que isso implica. É cool ter uma? Lá isso é. E será que os conteúdos vão, num futuro próximo, ser todos assim? Bom, poderá ser que sim mas tenho algumas reservas.

As imagens 360º têm uma força incomum e transportam-nos para a localização onde foram captadas, com toda a informação que nunca é registada pelos formatos mais comuns. Aquando a visualização, podemos rodar com o dedo esse conteúdo num ecrã de um smartphone ou andar à roda fisicamente enquanto “vestimos” uns óculos VR.

Tudo isto é fenomenal e sou, atentem, grande fã. Mas não sei, há qualquer coisa que me faz não acreditar que o futuro seja assim porque, sinceramente, esta possibilidade já não é uma novidade e nem está à distância de um cartão de crédito com um grande plafond. Percebo o grande e crescente entusiasmo em redor disto, com destaque para a malta dos desportos radicais, mas parece-me que o resto do mundo ainda não acordou para esta transformação.

A nova geração de óculos VR poderá dar a volta ao texto, mas estão demasiado ligados aos jogos e às consolas, não acham? Poderá ser este o calcanhar de Aquiles de toda uma tecnologia que é verdadeiramente impressionante?

Bom, é apenas a minha opinião e vale o que vale. E será que ela mudou depois de passar uns dias com a nova Ricoh Theta V? Uma coisa é certa: durante o lançamento internacional de um smartphone, estive largos minutos a explicar aos técnicos dessa marca como é que a Theta funcionava e as diferenças que tem para outras soluções actuais. Garanto-vos que ouvi Ohhhs de espanto.

A Ricoh não é novata nesta matéria e foi mesmo das primeiras marcas a lançar no mercado um equipamento com estas características. A Theta V é a sua nova arma e que vem lutar contra modelos bem populares da GoPro, Samsung, Garmin e companhia. Como se comporta?

Não é muito fácil conseguir emparelhar um dispositivo que usa uma ligação WiFi ao nosso Smartphone. O pesadelo começa quando queremos instalar uma Gimble, por exemplo, e o processo mantém-se complexo com a Ricoh e as suas similares. Convém ler os passos e perceber como a coisa funciona para depois tudo correr às mil maravilhas.

quando o conseguimos, ficamos a saber uma das grandes vantagens da Theta V que é a comunicação dupla, tanto por Wireless LAN quando por Bluetooth, o que dificulta as quebras de ligação entre a câmara e o smartphone.

A Theta V oferece 19 GB de memória interna e temos de ter isso em conta, pois ao contrário de muitas concorrentes, não tem uma entrada para cartão de memória. Mas podemos e devemos optar por guardar as imagens no smartphone, pois o processo é bastante rápido.

Quanto a características técnicas, a Theta V filma com qualidade 4K (3840 x 1920) a 30 fps, o que garante imagens espectaculares, com muito detalhe e cores definidas, resultado perfeito porque sabemos que vamos fazer muitos zoom in/out para descobrir os mais ínfimos pormenores no espaço filmado. Quanto à fotografia, temos um sensor desenvolvido com um novo algoritmo que garante menos ruído e ficheiros equivalentes a 14 MP de resolução “tradicional”.

Embora o sistema se comporte muito bem em exteriores ou alas bem iluminadas, há que contar com grão e alguma instabilidade nos pontos mais escuros. Nada de dramático, mas como fiquei deslumbrado com o vídeo a 4K (ISO até 6400), pensei que fotograficamente os resultados fossem melhores (ISO até 3200).

Não cheguei a experimentar, por falta de tempo e até oportunidade, uma das características mais interessantes deste modelo que é a faculdade de fazer Live Streaming a 4K. Sim, imaginem isto, especialmente acompanhado pela gravação áudio “espacial” com quatro canais.

E quanto à utilização?

A Ricoh bate tudo e todos neste campo: o corpo da Theta V é perfeito, muito bem construído, sólido mas leve (121 g) e com os comandos nos locais certos. Basta até um simples olhar para se entender o funcionamento: do lado direito, os botões on/off, Modo, Wireless e o led azul que se acende quando ligada e fica intermitente quando a bateria está a chegar ao fim.

Na base fica a rosca para tripé, o terminal micro-USB e uma entrada para um microfone opcional 3D TA-1. Não sei se é compatível com outro tipo de microfones, também me faltou o tempo para esta verificação.

A parte frontal é dominada por um grande botão de operação e de várias legendas visuais que se iluminam conforme o modo que estamos a usar (fotografia, vídeo, gravação, estado, memória, etc).

Tudo muito simples e à mão (ou dedo) de semear.

A Theta V ainda tem mais uma função que é servir também como controlo remoto para podermos “viajar” pelas imagens enquanto as reproduzimos um televisor. Excelente!

Concluindo

A Ricoh fez uma excelente câmara 360, fácil de usar e com resultados qualitativos muito interessantes com evidente destaque para o vídeo em gloriosos 4K. O preço é justo para este pacote!

 

PVP: 350€

 

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João Gata

Começou em vídeo e cinema, singrou em jornalismo, fez da publicidade a maior parte da vida, ainda editou discos e o primeiro dos livros e, porque o bicho fica sempre, juntou todas estas experiências num blogue.

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