Verdadeiramente excepcional, o Note 8 é a ferramenta perfeita para uma mão cheia de profissionais de vários sectores. É caro? Sim, mas pelo menos percebe-se porquê.


Dizem que quem compra um Alfa Romeo nunca esquecerá os dois dias mais importantes da sua vida: o dia em que o comprou e o dia em que o vendeu. Serve esta brincadeira para provar que as coisas não são, de todo, assim: tive dois Alfas, o 145 e o 147, e nenhum me deixou pendurado uma única vez que fosse. Já não posso dizer o mesmo de carros de marcas germânicas que me deram contínuas dores de cabeça.

Aproveito também esta introdução para esclarecer que o Note 7 (ler análise) que me foi passado no ano passado para análise nunca aqueceu, nunca mostrou qualquer sinal de problemas e, na boa das verdades, fiquei cheio de pena quando a marca enviou um “motoboy” para mo ir buscar ao monte onde estava a passar uma semana de férias.

Samsung Note 8 análise Voicebox

A conclusão disto tudo? É que nem tudo é o que parece! E o Note 7 poderia ter sido o melhor smartphone do ano passado não fossem os problemas de umas quantas unidades que, curiosamente ou talvez não, abafaram por completo o mesmo problema que existiu nos iPhones 7. Curioso? Talvez não, chama-se proteccionismo.

Passou um ano, a Samsung refez-se da situação, mostrou que é uma marca adulta (em todos os sentidos) e atirou-se com tudo o que tinha para um mercado que gosta de comentar e brincar com desgraças. Nasceu o Note 8 depois do bom embalo do S8 e S8+ (ler análise). A curiosidade maior? Ainda nenhum explodiu, mas o novo iPhone 8 tem sofrido a valer com problemas no mínimo estranhos. Não se vê é meio mundo a falar disso, não é?

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Enfim, back to work!

Infelizmente, a minha análise ao Note 8 correu… imensamente mal. E porquê? Porque mo pediram de volta ao fim de parcos quinze dias. É que este smartphone, ou micro-computador, tem tanta coisa por desvendar que este tempo é manifestamente curto para conseguir extrair todo o seu sumo. Nem que fossem 15 x 4 conseguiria usar na plenitude todas as características deste computador de bolso.

O que vem na caixa? Tudo o que é preciso: cabos e adaptadores USB (necessário para copiarmos o nosso “anterior” smartphone para este, a S Pen e umas quantas pontas extra, uns belos auriculares da TDK e demais adaptadores para o ouvido externo.

Mas é o belo e elegante paralelepípedo negro e de cantos polidos que nos chama a atenção. Agarrar no Note 8 pela primeira vez é algo de muito especial: ao fim e ao cabo, temos na mão um somatório da mais recente tecnologia nas mais diversas áreas e que custa cerca de 1000 euros.

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O fantástico e enorme ecrã “infinito” de 6,3” apresenta-se no cada vez mais comum formato 18.5:9, optimizado para uma experiência de visualização 21:9. Ok, é o que dizem os dados oficiais, mas convém relembrar que tenho sido algo crítico em relação a este formato no que respeita à visualização de filmes ou vídeos, pois existem duas barras laterais cada vez que o formato original é 16:9 (já nem falo do 4:3), o que diminui o tamanho da imagem. Há um truque, em forma de zoom, que mitiga este problema, mas que ocasiona uma modificação do plano / enquadramento originais o que é, para os mais técnicos, complicado de gerir. Contudo, e talvez devido à dimensão do ecrã e à sua curvatura menos extrema, ou até porque me começo a habituar, já não dei tanta importância a este factor, o que só pode ser bom sinal, porque é até um prazer ver em offline os episódios baixados da Netflix quando se vai passar umas horas a bordo de aviões, por exemplo.

As características técnicas deste ecrã são realmente cativantes: Quad HD+ Super AMOLED com certificação Ultra HD Alliance para uma total imersão na experiência de visualização com qualidade Mobile HDR Premium com 2960×1440 pixels e 521 ppi. Como repararam, gastei todo um parágrafo para transcrever as características apenas do ecrã e como sei que estas coisas podem ser encontradas no site oficial, prometo que não repito a graça. Mas que foi giro, foi.

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O Note 8 é uma máquina portentosa: chega-nos com o último grito dos processadores, 6GB de RAM, três escolhas de capacidade interna 64/128/256GB, uma bateria que tem 3300mAh preparada para recarregamento rápido, Android 7.1.1 (mais tarde será actualizado para Oreo), um montão de sensores para tudo e mais alguma coisa, possibilidade de ir à água sem se constipar (IP68) e tudo isto não chega a pesar 200 g. Exacto, onde o mundo chegou.

Antes de passar à S Pen, convém deixar aqui já uma crítica também devido à sua própria existência: uma bateria com 3300mAh não é famosa e vai ser necessário dar um “boost” de energia lá para o final do dia, se forem um denominado “power-user”. E, acreditem, quem compra um Note 8 estará sempre agarrado a ele, seja em trabalho ou lazer. A presença da S Pen retirou algum espaço interior, o que exigiu esta tomada de uma decisão (também com o problema do ano passado sempre em mente). Não é o fim do mundo, mas vai obrigar a andar sempre com um powerbank ou ter uma tomada liberta para o tal boost.

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Vou aproveitar o embalo para vos falar da S Pen. Sempre fui um fã dos Note e cheguei a comprar a segunda versão. A partir daí, também devido às opções profissionais, fui-me distanciando da gama, mas olhei-a sempre com profunda admiração. E mesmo que tenha gostado muito dos dias que passei com o Note 7, a experiência recente com a nova geração encheu-me as medidas. Adoro a S Pen, a suite está cada vez melhor e garante-me soluções que realmente me são úteis, como cortar, rabiscar, anotar uma qualquer imagem (e faço-o constantemente), como escrever anotações de dia ou de noite, mesmo quando estou meio a dormir. Conhecem aquele fulano que dorme com um caderninho e uma caneta ao lado? Sou eu! Agora pensem assim: posso escrever no Note 8 sem ligar o ecrã (a meio da noite) e rabiscar mesmo sem ter de destravar o telefone… sim! Denomina-se “Screen-Off Memo” e é pura e simplesmente perfeito, assim como a função Always-On que me descansa ao fim de um breve entreolhar para saber que o mundo continua inteiro durante o meu beauty sleep.

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Mas há mais: querem fazer corações animados como fogo de artifício para enviar uma mensagem dinâmica à cara metade (Live Message)? Fácil! E que tal seleccionar um trecho de um texto e traduzi-lo automaticamente? Feito! Converter Libras esterlinas em Euros? Simples! Recortar e editar imagens? Para crianças. Enfim, esta suite é tremendamente simples e eficaz, e é um garante profissional para qualquer tipo de necessidade. Se já era fã, mais fiquei. A S Pen está, também ela, mais madura: o sensor de pressão emula uma qualquer caneta ou lápis, sendo muito precisa e equilibrada para uma utilização multi-disciplinar.

Se esta suite é a verdadeira razão porque se deve optar pelo Note 8, a Samsung equipou-o com tudo o que o S8/8Plus têm e que também me apelam ao lado mais emotivo que racional.

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Falo do fantástico ecrã lateral que me deixou sem fala e me seduziu desde que o experimentei, salvo erro no Galaxy S7 (ler análise), pela primeira vez. A possibilidade de personalizar os ecrãs com barras de contactos, informações, agenda, notícias, atalhos, mapas, temperaturas, etc., poupam realmente tempo nas mais variadas interacções com o aparelho. E podemos ainda comprar apps terceiras para necessidades menos mundanas.

Dividir o ecrã a meio para podermos fazer/olhar duas coisas ao mesmo tempo começa a fazer sentido nesta nova medida, pois ao fim e ao cabo, são dois quadrados que se juntam. Tal como em tudo o resto, as vantagens dependem exclusivamente nas nossas necessidades.

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Chegamos assim às badaladas câmaras. Há razão para tanto entusiasmo? Há, sim senhor. Primeiro, porque temos não uma, mas duas objectivas com 12MP cada na secção principal e, aqui muita atenção, cada uma com o seu próprio sistema de estabilização digital óptica (OIS). São elas uma grande angular com abertura de f/1.7 (e com tecnologia Dual Pixel) e uma Tele com f/2.4. A escolha por esta duplicidade, ou cumplicidade, é o garante de também podermos contar com um Zoom que pode ser utilizado sem perder muita qualidade, mas atenção: 2x óptico para 10x digital. E sabemos bem o que a ampliação artificial digital faz à qualidade de imagem.

Uma curiosidade técnica que permite algumas brincadeiras é o Live Focus. Preparado para retrato, possibilita o ajuste da profundidade de campo para conseguirmos o adorado efeito bokeh, ou seja, focar o sujeito e desfocar o fundo.

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Também para retratos, a função Dual Capture permite mudar rapidamente de um plano aproximado para um ângulo aberto. Só truques!

A suite de edição é muito completa e permite-nos retirar muito sumo desta primeira câmara dupla montada num Samsung. Do automático total para a snapshot rápida, até ao controlo manual do mais ínfimo pormenor, passando por filtros e outros truques, os resultados são de se tirar o chapéu.

Também a gravação vídeo, que pode fazer 4K, é exímia e muito ajudada pela estabilização. Qualquer dia, os estabilizadores que muitos de nós compraram ao longo do ano vão ser arrumados num canto.

A câmara frontal tem 8MP e serve-nos muitíssimo bem para as reuniões por Skype ou outro chat, com boa luz e cor. Os microfones embutidos ajudam à conversa e só é pena contarmos com uma única coluna de som neste imenso terminal. Nada de estéreo! Benditos TDK…

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Os sensores e as seguranças

O destravamento dos smartphones estão na ordem do dia, principalmente porque a Apple fez um grande discurso sobre a grande novidade do Face ID, esquecendo-se, naturalmente, que alguma da concorrência já exibe tecnologias similares: por exemplo, os novos Xperia fazem o scan 3D de toda a cabeça, não só da cara, e até nos permitem enviar o ficheiro para uma impressora 3D criar o nosso próprio boneco. Mas a verdadeira utilidade destas tecnologias vêem-se é no dia a dia e, por exemplo, com o Galaxy Note 8 usei e abusei do destravamento por reconhecimento de face e forcei até deixar de ser possível. Esta tecnologia é muito rápida quando há luz, mas está longe de ser útil nos ambientes escuros. Pior, o facto de usar óculos quando se memoriza a face, faz com que exista alguma hesitação quando acordamos sem eles na cara e queremos ver quem nos chateou de madrugada.

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Portanto, é útil, mas precisa de melhoramentos. O reconhecimento por Íris tem a sua razão de existir, pois complementa a face, mas a já clássica impressão digital é que sai a perder neste Note 8. Está tão mal colocada (ler crítica que já tinha feito aos S8/S8+), que pura e simplesmente nem a programei.

Deixo para último a inteligência artificial da Bixby. Ok, confesso que tentei, nem que fosse porque estava sempre a carregar na tecla de atalho directo por engano. Programei, ditei, repeti as frases, fiz tudo by the book. Mas a coisa não funciona bem comigo. Ou então sou eu que me esqueço de iniciar sempre a conversa com um “hello Bixby”. Uma das lutas foi tentar abrir a pasta das músicas. Nunca consegui! Portanto, para que me serve um assistente se ele (ou ela) não vai para onde quero?

O “Take a Selfie” já funcionou mais vezes, mas tiro poucas selfies. Bom, enfim, posso não ser talhado para este tipo de coisa. Mas lá está, e para terminar a análise ao jeito de stand up comedy, é por isto que 15 dias é realmente pouco tempo para testar e apreender tudo o que este Note 8 pode fazer.

(gargalhada, aplauso e vénia)

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Conclusão

O Note 8 é, quanto a mim, a razão de ser da Samsung. É o smartphone que não tem concorrência directa no mercado e que marca a diferença (em tempos, a LG ainda tentou concorrer e até fê-lo bem com este VU, mas desistiu para procurar a sua própria identidade).

É, até agora e pelo que me passou nas mãos, o melhor smartphone que podemos comprar neste momento em que ainda não temos V30, iPhone X e Mate 10 à venda para poder comparar.

Não é preciso tecer mais considerações. Se tiverem 1000 euros e se não vos fizer falta, já sabem, este pode ser o V/ melhor companheiro digital.

Voicebox selo de ouro
Voicebox selo de ouro

João Gata

Começou em vídeo e cinema, singrou em jornalismo, fez da publicidade a maior parte da vida, ainda editou discos e o primeiro dos livros e, porque o bicho fica sempre, juntou todas estas experiências num blogue.

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