O novo Ibiza tem ares de leão e, nesta versão FR, até passa por rei da selva urbana. Mas nunca se esqueçam que estamos a falar de 1.0 L de cilindrada.


O novo Seat Ibiza está “feito um homem”! Mais largo, mais equipado, mais adulto mas, mesmo com tudo isto, mantém o ar jovem, agressivo e dinâmico, pelo menos nesta bela versão FR, que sempre fez as delícias da malta nova nas gerações anteriores.

Análise IBIZA 1.0 TSI 115 CV FR

Quase decalcado do seu irmão maior Leon, o ar de família é reconhecível de todos os ângulos. Aliás, até o acho bem mais atraente (talvez “giro” seja o adjectivo certo), o que é louvável pois é sempre mais difícil conseguir o design perfeito quanto menores são as dimensões do modelo. Menos visível é a nova plataforma que é mais rígida 30% que a anterior e que também serve os novos modelos do grupo, como o VW Polo, e os futuros como o Audi A1. Até a bagageira cresceu, oferecendo agora 355 litros o que, para um “utilitário”, não é mesmo nada mau. Aliás, o Ibiza, tal como o Polo, tem vindo a crescer de geração em geração e já está maior que algumas gerações antigas do próprio Golf, mesmo que neste caso seja só em largura, pois o comprimento e a altura diminuíram o que até rema contra a maré.

Análise IBIZA 1.0 TSI 115 CV FR

E se por fora é giro, lá dentro abre-nos um sorriso!

O interior é apelativo, sólido e apresenta uma qualidade de construção digna de registo. O design é moderno e muito conseguido, fazendo-nos acreditar que estamos num carro de segmento superior. E num bom carro, note-se. Com posição de condução mais baixa, parece que vamos deitados num qualquer bólide racing, algo de que não gosto quando se trata de carroçarias normais (o novo Ibiza só existirá em versões com cinco portas) e demorei quanto baste a encontrar o equilíbrio perfeito, mas após uns minutos de centímetros para lá ou para cá, chega-se lá.

Análise IBIZA 1.0 TSI 115 CV FR

Os bancos são muito confortáveis com excelente apoio lombar, e todos os comandos estão acessíveis, com a caixa à mão para uma troca de mudanças bem vigorosa à imagem do logotipo FR. O desenho do cockpit é muito simples com uma linha longitudinal que posso ousar definir como “germânica”. Se o volante desportivo (em D) está recheado com comandos, o painel de instrumentos tem mostradores e ecrãs LCD que nos dão muitas informações sobre o estado do veículo assim como as mais prosaicas que são também expostas no enorme painel LCD táctil de 5″. Este Ibiza, tal como o antecessor, é um carro conectado e conectável, indo ao encontro das necessidades mais actuais e mundanas, como estar sempre ligado ao mundo quer através do smartphone quer das Apps que vêm pré-instaladas de origem, como o bluetooth e serviços de streaming. A qualidade de reprodução áudio é excelente devido às seis colunas o que, aliada a uma insonorização do habitáculo bastante eficaz, oferece uma sala de concertos digna de um bilhete de camarote. Temos ainda a conexão Aux-in/USB para quem ainda utiliza suportes físicos.

Nem só de Apps se faz um carro moderno. O que procuramos, acima de tudo, é segurança e, neste capítulo, à marca espanhola basta escolher o que precisa de todo o banco de possibilidades do grupo VAG. No caso do modelo ensaiado, contamos com ajudas passivas e activas à condução, como a detecção de peões, detecção de fadiga, cruise control adaptativo, faróis led e cornering, ajuda electrónica à estabilidade, mas todas estas realidades dependem, em parte, da versão ou dos pacotes que pagamos. Não há milagres no base de gama, certo? Contudo, este FR está recheadinho.

Ao volante, tudo é prático. Este motor tem apenas 1.0 de cilindrada mas surge reforçado com um turbo que garante 115 cavalos. Ora 115 cavalos já é uma potência interessante para um carro que vai fazer, acima de tudo, percurso urbano, portanto e o que interessa mesmo, é a resposta e a marca conseguiu um equilíbrio muito interessante. A caixa de seis velocidades está bem escalonada, mas quase entusiasmante é escolher entre quatro modos de condução que realmente alteram a alma deste motor: Eco, Normal, Sport e Individual que explicam bem o comportamento mais ou menos dinâmico, poupado ou desportivo. Escrevi “quase” porque as alterações estão longe de ser radicais, contudo, dá para sentir que qualquer coisa muda, o que já é garante que os euros foram bem gastos.

Análise IBIZA 1.0 TSI 115 CV FR

Pior são os consumos. Estes motores modernos e fantásticos de mínima cilindrada mas com muitos cavalos são gulosos, não há grande coisa que contrarie esta evidência. Portanto, tudo depende do peso do pé no pedal direito. E esta versão FR, toda cheio de estilo e garra, acorda no condutor o seu alter-ego desportivo, quer em arranques quer em estrada, o que aumenta exponencialmente os consumos. Nunca baixei dos 5,5 litros em toada calma, mas ultrapassei-os em muito quando brinquei um bocadinho. Mas a vida não é sempre séria e o que este Ibiza promete é uma condução simples, um equilíbrio conseguido e muita segurança para um veículo deste segmento, mesmo quando, vá lá, exageramos um bocadinho.

Custa quase 20.000€ com todos os extras e equipamento, valor que já toca modelos de segmento superior. Mas o desenho exterior é apaixonante e isso, meus amigos, vale o seu peso em ouro.

 

 

João Gata

Começou em vídeo e cinema, singrou em jornalismo, fez da publicidade a maior parte da vida, ainda editou discos e o primeiro dos livros e, porque o bicho fica sempre, juntou todas estas experiências num blogue.

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