A Sony continua a ter a melhor compacta de prestígio com crescente qualidade e um “form factor” imbatível


Há máquinas que nasceram bem e que conseguem chegar mais além. Uma delas foi a primeira compacta RX100 que a Sony lançou faz meia dúzia de anos e que mudou o mundo deste segmento, tocando qualitativamente nos superiores, ao oferecer uma qualidade extraordinário num formato de bolso.

Daí até hoje a Samsung, Huawei, Apple e até a Sony com os Xperia têm conseguido fazer a vida negra aos fabricantes fotográficos e numa mão cheia de anos destruíram por completo as gamas base. Quem quer gastar 100 ou 200€ numa compacta se o próprio telefone já é francamente melhor?

Mas… se há marca teimosa e que geralmente mostra que a paciência e o valor da excelência conseguem, geralmente, triunfar num mercado onde o limite é o dia de amanhã, é esta casa nipónica que já teve o mundo na mão, já o perdeu e o quer voltar a conquistar. E sabem que mais? Um dos caminhos passa pela RX100.

Tive a sorte de experimentar todos os modelos da gama e dei com esta análise guardada nos rascunhos. Confesso que sempre pensei que a tinha publicado a tempo certo, mas na verdade, justifica-se recuperar a dita e fazer esta pequena introdução. Primeiro, porque a quinta versão é a actual. Segundo, porque continua a ser a melhor compacta da actualidade.

Ora vamos a isso.

A RX100V custa uma fortuna, sim, cerca de 1000€. E as pessoas entreolham-se com a questão ”mas porquê tanto dinheiro”. Na verdade, são exactamente as mesmas pessoas que gastam uma quantia similar num smartphone de topo que será esquecido e substituído num ano.

Por outro lado, quem compra uma RX100 sabe que vai, talvez, porventura, por acaso, trocá-la por um modelo mais recente. Seria o meu caso se a tivesse comprado em 2012. Garanto-vos que a venderia para ir buscar a V. É que a Sony conseguiu melhorar o óptimo mantendo o mesmo tamanho compacto original.

A RX100V tem uma objectiva Zeiss com abertura f/1.8-2.8, 24-70mm com zoom 2,9x. O anel exterior, que marcou toda uma geração de compactas tendo sido imitado pela Canon e Panasonic, por exemplo, controla os vários parâmetros dependendo do modo escolhido, o que dá muito mais jeito do que se pensa, inclusive para focar manualmente o motivo quando se escolhe o Modo Manual. Estas subtilezas mecânicas emprestam todo um sentido prático à RX que também promove a utilização com ambas as mãos para um resultado mais profissional.

No topo da pequena Sony encontramos um flash embutido e, como por milagre e que vem da anterior geração, um visor electrónico EVF embutido no corpo e que surge em modo pop-up pressionando um pequeno botão a que se segue um ligeiro puxão manual para o colocarmos na posição correcta. Este visor é toda uma razão de compra pois torna esta compacta no único modelo do género com visor que, quanto a mim, é quase imprescindível para se poder fotografar durante um dia solarengo, entre outras vantagens. Este visor OLED tem qualidade XVGA e quando o pressionamos para baixo também desliga a câmara (algo que podemos alterar no menu).

O ecrã LCD tem 3” e ocupa quase a totalidade do painel traseiro. Podemos escolher o ângulo de visionamento para cima ou baixo e, até, virá-lo 180 graus para tirar selfies ou, no meu caso, para servir de monitor enquanto me filmo. Ao redor estão os botões para as variadas funções da RX assim como uma roda com botão Enter central para aceder e escolher os muitos parâmetros guardados no modelo tipicamente Sony e de fácil acesso. Esta roda tem também quatro pontos (topo, baixo, esquerda e direita) como atalhos para as funções de flash, compensação da exposição, modo Burst e opções de visualização.

Para quem está habituado à gama, já espera encontrar as tomadas para Micro USB e HDMI, e a gaveta para a pequena bateria que é o ponto menos positivo desta câmara. Mas a miniaturização não é amiga da duração. Ligar a RX ao smartphone Android é fácil através da função NFC, mas a App PlayMemories é também compatível com iOS.

Mas vale a pena gastar esta quantia numa compacta quando os telefones de topo oferecem, neste momento, uma qualidade extraordinária e pelo mesmo valor monetário?

Bom, utilizariam um Ferrari para fazer todo-o-terreno? É que as utilizações não são as mesmas. Quem compra uma RX é porque sabe o que é a fotografia, a sua expressão e importância, o impacto da máxima qualidade, o tratamento adequado da luz (ou pouca luz) e, também, a competência de um Zoom óptico. Sim, alguns smartphones apontam essas características como argumentos de venda, mas uma coisa é parecer outra é ser, não querendo, obviamente, menosprezar a qualidade assinalável dos nossos telefones.

Por exemplo, conhecem algum smartphone cuja focagem por fase é feita em 315 pontos para conseguir o ponto perfeito em menos de meio segundo?

Usar esta RX é como se fosse uma extensão prática da super DSLR que temos em casa ou no estúdio. É uma máquina que nos leva a querer fazer mais e melhor, a perceber as dinâmicas do ISO, as diferenças dos valores de exposição, da velocidade de obturação, o controlo manual de todos os parâmetros.

E depois, bom, depois temos a qualidade deste Exmor RS CMOS com 20,1 MP sobre um sensor de 1” que trabalha em conjunto com o processador de imagem Bionz X para, por exemplo, conseguir 150 retratos consecutivos (24fps).

Outra das grandes vantagens desta compacta é filmar a 4K (limitado a 5 minutos devido ao aquecimento) e em modo super-câmara-lenta, o que garante resultados apenas excepcionais. A utilização do ISO chega a uns impressionantes 12,800 o que é notável para este tão compacto corpo. Sim, relembro os 24 fotogramas por segundo…

A Sony RX100V é difícil de bater devido ao tamanho, qualidade, sensor e, acima de tudo, o visor pop-up. Existem alternativas pelo mesmo preço e até menos, mas ficam sempre a perder num ou noutro campo. É pena a questão da duração da bateria, mais a mais porque queremos andar leves e sem carregadores, mas o que faz mesmo pensar duas vezes é a falta de uma entrada para microfone. Ó Sony, vamos lá fazer um buraquinho extra na versão VI que deve estar quase a ser apresentada?

Voicebox selo de ouro
Voicebox selo de ouro

Principais Características

  • Sensor CMOS empilhado tipo 1.0 com chip DRAM de aprox. 20,1 MP efectivos
  • Lente ZEISS Vario-Sonnar T*
  • Motor BIONZ X para detalhes fantásticos e redução de ruído

PVP: encontra-se desde os 896 aos 1100€, vale a pena procurar o melhor negócio

João Gata

Começou em vídeo e cinema, singrou em jornalismo, fez da publicidade a maior parte da vida, ainda editou discos e o primeiro dos livros e, porque o bicho fica sempre, juntou todas estas experiências num blogue.

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