Casey é o nome do assistente pessoal da Bosch e o nosso futuro co-piloto


Antes de mais, achei curioso que esta notícia tenha origem numa cidade que conheci há mais de 25 anos. Era um jovem à procura de terrenos profissionais e vim parar ao jornalismo, mais precisamente ao segmento onde me reencontro agora, o da tecnologia. À altura, fui o mais jovem a visitar fábricas, a ir à IFA de Berlim e a eventos vários. Um deles foi em Hildesheim, a convite da Bosch, que inventava todo um futuro chamado RDS (radio data system). Lembro-me que a primeira surpresa foi estar dentro de um Beemer a 200 à hora numa autobahn qualquer, em que de meia em meia hora se ouvia as notícias pelo auto-rádio. “Mas porque é que isto liga assim”, perguntavam os quatro passageiros portugueses. “Das ist RDS!”, respondia o chauffeur.

Ora do RDS de 1990 aos dias de hoje, muita tecnologia passou por baixo da ponte e em vez de ouvirmos o chauffeur em alemão, temos de nos preparar para o diálogo com uma das novas assistentes pessoais. Por exemplo:

– “Eu sou a Casey, a tua nova passageira. Estás pronto para começar?”

Assistentes de voz como Alexa, Siri, Google, Cortana e Bixby assumiram o controlo de casas inteligentes, da iluminação e do aspirador do pó – e a Bosch coloca agora o assistente de voz ao volante do veículo. Esta tecnologia recém-desenvolvida liberta os condutores de distracções para que se possam concentrar na sua tarefa essencial.

“Quando os condutores entram num carro moderno, podem, por vezes, sentir-se como um piloto de avião devido aos botões, telas ou um menu de navegação confuso com mil submenus. A Bosch está a por um ponto final ao caos dos botões no cockpit. Em vez disso, transformámos o assistente de voz num passageiro”, afirma Dr. Dirk Hoheisel, membro do Conselho de Administração da Robert Bosch GmbH. O assistente, que responde ao nome “Casey” na primeira vez que o condutor entra no carro, torna a condução mais segura e mais confortável.

“Diga o que quiser da maneira que quiser dizer: a Bosch coloca um assistente de voz no carro que percebe o condutor exactamente como outra pessoa o faria”, diz Hoheisel. O assistente da Bosch não responde a comandos de palavras rígidas. O sistema de reconhecimento de voz percebe estruturas de frases naturais, incluindo sotaques e dialectos de 30 países do mundo. O inglês não é simplesmente inglês para a talentosa linguista Casey, que fala um dialecto britânico, americano, neozelandês ou australiano.

Mais de uma década de trabalho foi investida no desenvolvimento do controlo de voz. A Casey é capaz de fazer algo que vai além das capacidades dos concorrentes mais conhecidos: pensa mais à frente e aprende. Se, por exemplo, o condutor quiser ligar ao “Paul”, o sistema vai automaticamente aos contactos e considera a localização, a hora e a situação actual do condutor antes de responder. No caminho do escritório, de manhã, “Paul” provavelmente é o colega de trabalho, e esse mesmo nome à noite pode se referir ao melhor amigo. Para ter a certeza, Casey faz uma pergunta: “Encontrei cinco contactos chamados Paul. Quer ligar ao Paul Stevenson?” Essa dependência do contexto é uma primeira etapa da inteligência artificial.

Outra parte desta tecnologia sofisticada: o condutor pode, por exemplo, inserir endereços de destino em França em francês sem ter que fazer, manualmente, alterações nas configurações. Um exemplo: “Leve-me para Champ de Mars, Cinq Avenue Anatole Paris”. A Casey compreende o destino automaticamente e calcula a rota para a Torre Eiffel.

Além disso: o assistente da Bosch não necessita de uma conexão de dados externa. O sistema de infotainment do carro assume o cálculo sem enviar dados para a nuvem, e a Casey permanece com os condutores em túneis, áreas com pouca cobertura de rede móvel e países nos quais o smartphone está desconectado.

Responde a qualquer nome

A conversa no carro torna-se ainda mais pessoal quando o condutor pode chamar o assistente por um nome à sua escolha. Os dias em que o sistema de comando de voz responde apenas ao nome dado pelo fabricante são parte do passado. Independentemente de ser chamado de “Casey”, “Michael” ou “Linda”, o sistema de reconhecimento de voz da Bosch entende e fala 30 idiomas diferentes com um total de 44 vozes de mulheres e 9 vozes masculinas. O condutor activa o assistente ao dizer “Hey, Casey” ou utilizando o novo nome, e inicia novos diálogos simplesmente ao falar diretacmente com o assistente, não tendo que esperar por um toque antes de começar a falar.

João Gata

Começou em vídeo e cinema, singrou em jornalismo, fez da publicidade a maior parte da vida, ainda editou discos e o primeiro dos livros e, porque o bicho fica sempre, juntou todas estas experiências num blogue.

View all posts

Add comment

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *

Siga o VoiceBox

QUAL O MELHOR SMARTWATCH 2017?

A ESTREIA EM DUAS RODAS

Vídeo da semana