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Auscultadores há muitos, mas boas marcas de auscultadores contam-se pelo número dos dedos que temos numa mão. Dentro desses, existem aquelas que apresentam um preço tão absurdo que nem vale a pena comentar, mas também encontramos equilíbrio e algumas surpresas muito interessantes.

Para não escrever aqui uma lista de marcas (e muito menos de modelos), posso referir que a Bose tem já pergaminhos neste mundo audiófilo, tendo vindo a conquistar o seu lugar com pleno direito, sinónimo de qualidade mas também de inovação técnica.

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Estes Bose QuietComfort QC25 vieram tomar o lugar dos super premiados QC15. Esta coragem não aconteceu por acaso, pois apresentam melhorias em todos os capítulos, o que não deve ter sido uma tarefa fácil. Da qualidade de construção ao cancelamento de ruído realmente eficaz, tudo foi estudado ao pormenor. O resultado é, quanto a mim, esclarecedor: a Bose criou uns auscultadores que se adaptam às orelhas, sendo elas grandes ou pequenas, ovais ou redondas, juntas à cabeça ou mais salientes, que não pesam ao fim de algum tempo de utilização, que não aquecem os ouvidos e que têm um sistema de cancelamento de ruído realmente extraordinário. Parece que falo de perfeição, não é? Pois andam lá perto.

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O design é típico da marca, com acabamentos sóbrios, materiais de grande qualidade, um pormenor de montagem que nos convida a pousar o olhar, ao que emprestaram um ligeiro toque de modernidade, com um filet de cor azul que tem continuação no interior das bolachas, na rede que protege as mambranas (nesta cor da unidade ensaiada) com as letras L e R bem grandes para dissipar dúvidas. Dobram-se em dois eixos (metálicos) para serem confinados ao estojo de dimensões menores que o conjunto, e onde ainda arrumamos o cabo (com comando) e um adaptador duplo 3,5mm.

As espumas são adaptativas e estão cobertas por uma pele sintética de toque agradável e a alça por um tecido fresco, o que garante um conforto de utilização muito acima da média (mesmo com unidades desta gama).

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Os QC25 não são feitos para ouvir música de géneros mais drásticos, pois estão equilibrados na gama média para deixar sobressair agudos muito equilibrados e detalhados. Os graves têm profundidade, deixam-se sentir, a presença não incomoda pois é tratada de forma muito natural. Em suma, as notas são texturadas e conseguimos inclusive perceber a distância dos instrumentos e onde foram gravados. Isso é notório na música erudita em que o tratamento muito realista transporta-nos para uma plateia virada para a orquestra, o que nos permite criar esse laço.

O tratamento de música mais batida, como a electrónica, demonstra também a harmonia destes QC25, pois temos o “punch” do bombo sem qualquer tipo de atraso e com um ataque forte mas muito delimitado no espaço. São uns auscultadores soberbos para o downtempo, por exemplo, pois toda esta questão do cancelamento de ruído ajuda a que nos compenetremos nos espaçamentos e silêncios que muito autores gostam de trabalhar.

Um destaque para algumas da peças mais recentes de um David Sylvian, por exemplo, em que toda a narrativa tem por base construções salpicadas de tons e waveforms, numa claro convite ao sentimento e abandono de quem ouve.

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Os Bose QC25 obrigam ao uso de uma pilha alcalina AAA para activar o cancelamento de ruído, e sem ela, muita da magia destes auscultadores se esvai, pois toda a dinâmica baixa consideravelmente e a qualidade da reprodução decai de forma notória. Mas não é dramático. Esta pilha convém ser recarregável, pois a utilização só dura cerca de 35 horas. E garanto-vos que elas passam num instante.

Em suma, os Bose QC25 são caros mas valem o valor pedido, principalmente se tivermos em consideração os igualmente dispendiosos Beats que reflectem outro posicionamento e características para um cliente muito específico. Só que os Bose são um campeonato à parte.

 

PVP: 329,95€

João Gata

Começou em vídeo e cinema, singrou em jornalismo, fez da publicidade a maior parte da vida, ainda editou discos e o primeiro dos livros e, porque o bicho fica sempre, juntou todas estas experiências num blogue.

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