É cada vez mais fácil abrir um carro que não utiliza essa coisa antiga chamada chave. Os larápios sabem o segredo do retransmissor de sinal.


A tecnologia facilita inúmeros aspectos da nossa vida quotidiana com tudo o que isso implica. Se funciona para o bem também abre as portas do mal garantindo mais possibilidades de sucesso aos amigos do alheio. Uma das novas “modas” é hackear automóveis, principalmente os modelos sem chave na ignição, de forma remota e, pelos vistos, de dificuldade mínima. E nada pior que enfrentar logo pela manhã o pesadelo do lugar vazio que ontem à noite estava preenchido pelo nosso veículo de transporte, não é?

Estes “ataques de retransmissão” estão até a fazer ressurgir uma moda antiga, os travões de volante, ferros pesadíssimos que prendiam, outrora, o volante aos pedais e que dificultavam a tarefa do larápio.

O alarme é grande e o próprio Financial Times já apresentou um estudo sobre esta situação: desde 2014, os roubos de veículos na Inglaterra e no País de Gales aumentaram 30%. Inclusive, já existem inúmeros vídeos no Youtube que mostram o processo: o ladrão chega na boleia de um colega, aproxima-se o mais possível da casa do infeliz dono do carro, amplia o sinal da chave electrónica que, através de um retransmissor que cabe na mão, destranca o veículo (a porta e a ignição). Depois é só entrar e ir embora. Este sistema é perfeito para os carros estacionados à porta de casa, ou seja, bairros de vivendas ou prédios com apenas um andar.

E como combater ataques que utilizam a mais recente tecnologia? Fácil! Vai-se buscar defesas que existiam antes de todos os sistemas electrónicos como os tais travões de ferro ou, em tom mais moderno, este “disklok” (na imagem) cujas vendas subiram 110% só em 2016.

O artigo do FT ainda menciona que as companhias de seguros incentivam o uso de soluções low-tech para “lutar contra o crime digital”.

Aprofundando a matéria, encontramos algumas possibilidades diferentes e mais práticas: o nome Faraday diz-vos algo? Não, pois então leiam este artigo da wikipedia que nos apresenta o físico e químico inglês Michael Faraday que, pelos vistos, estava realmente à frente do seu tempo. Resumindo, em vez de montarmos um inestético travão no volante, basta escolher um escudo de metal ou malha magnética para bloquear os sinais electromagnéticos e electroestáticos.

João Gata

Começou em vídeo e cinema, singrou em jornalismo, fez da publicidade a maior parte da vida, ainda editou discos e o primeiro dos livros e, porque o bicho fica sempre, juntou todas estas experiências num blogue.

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