Este robot educativo ensina as bases da programação e desenvolve o pensamento lógico e sequencial dos petizes entre os 4 e os 7 anos. E, quem sabe, também o dos pais.


Chegou a casa numa roupagem vermelha e branca com uma viseira que esconde dois olhos azuis eléctricos e o topo da cabeça recheado com botões. Tem um aspecto engraçado, meio futurista como se pretende para um robot, mas específico para a curiosidade e os “maus tratos” de crianças entre os 4 e os 7 anos.

Chama-se DOC, um curioso trocadilho entre Doc (de doutor) e Doc (de documento) e promete ser o primeiro passo para aprender programação. Perguntarão os pais, “programação para miúdos tão novitos, não deveriam estar a ser traquinas em vez de estar a aprender isso?” Vou tentar responder: numa altura em que os miúdos já o não são, pois vivem constantemente agarrados e a olhar ecrãs, mais vale aprender alguma coisa com isso, não é, pais?

O DOC vem numa caixa que contem, para além dele, 12 cartões em formato puzzle de grande tamanho e que formam dois tabuleiros com jogos diferentes para aumentar o número de opções. O set é ainda composto por um conjunto de cartas (oito azuis e 18 vermelhas) e mais 16 cartões em formato quadrado de dupla face com ordens directas, tipo setas de direcção.

Com tudo montado, e depois de instalar as pilhas no DOC, tempo para perceber os comandos tácteis no topo da “cabeça”: setas direccionais, botão acção, botão cancelar e botão OK. Tudo muito simples e de compreensão automática. Na parte posterior encontramos o botão para seleccionar o modo de jogo (que poderia e deveria estar mais visível, numa outra cor, por exemplo) que liga/desliga o DOC e também serve para escolher os modos Free (livre), Edu (educação) e Game (jogo).

Depois de uma lenga lenga em português (alvíssaras) em que o DOC nos cumprimenta e exclama estar pronto para a acção, chega a hora da brincadeira. Para começar, escolhi o Modo Free e assustei a gataria cá de casa, pois o DOC movimenta-se conforme o número de vezes que pressionamos as teclas e a sua direcção. Por exemplo, três toques em frente e um toque para a esquerda, e lá vai ele para a frente antes de se fazer à curva. Isto ensina-nos imediatamente o processo antes de montarmos o tabuleiro (o tal puzzle). Depois de escolhermos o lado 1 ou 2, basta olhar para as casas e perceber quantos movimentos e direcções teremos de pressionar para que o DOC faça o percurso de A a B. Isto até chega a ser divertido para os adultos, pois um robot, por básico que seja, é sempre um robot, e é algo entusiasmante perceber que ele segue o padrão que lhe inserimos. E, realmente, faz-nos pensar se, em vez de letras, tivéssemos escolhido matemáticas lá no liceu…

O Modo Edu obriga à escolha do tabuleiro 1 e pede-nos para programar três objectivos que terão de ser cumpridos pelo DOC. Este vai dizendo, na sua voz robótica, que o objectivo falhou ou foi cumprido. O jogador tem três hipóteses para atingir o sucesso, desde que recoloque o DOC em cima da casa de partida para que ele reconheça onde está.

O Modo GAME pede o tabuleiro 2 e é mais complexo, pois está pensado para crianças mais crescidas, a partir dos seis anos de idade. À medida que o robot avança, vamos tirando os cartões coloridos que têm instruções que temos de seguir para conseguir alcançar os dois objectivos. Podemos escolher mais que um cartão para tornar a sequência ainda mais difícil e, se errarmos, teremos sempre de recolocar o DOC na casa Partida.

O objectivo deste divertido jogo com robot (bom, é bem mais que um jogo) é ensinar aos petizes a lógica da programação, no seu sentido mais básico e prático, através do erro e da repetição de processos até que se alcance o sucesso. Ao brincar, os miúdos vão apreendendo a lógico dos passos, para além da sinalética (gráfica ou colorida) e entendendo a lógica de processos. O boneco deveria, talvez, ter um acabamento emborrachado para evitar um qualquer acidente, pois isto com crianças já se sabe, não é? Contudo, à excepção das “antenas”, não existem ângulos que possam induzir que algo menos bom aconteça, mas poderá ser uma mais valia numa futura geração do DOC.

Muito cool e belo presente para este Natal pois custa cerca de 39,99 €, talvez até menos numa grande superfície.

 

João Gata

Começou em vídeo e cinema, singrou em jornalismo, fez da publicidade a maior parte da vida, ainda editou discos e o primeiro dos livros e, porque o bicho fica sempre, juntou todas estas experiências num blogue.

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