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O que dizer quando nos colocam na mão um phablet (junção de phone e tablet), a nova “medida da moda”, geralmente com ecrãs de 6″, que são imensos telemóveis ou pequenos tablets? “É grande demais” ou “deveria ser um pouquinho maior”? Esta é a grande dúvida da mais recente corrida para responder às necessidades de um tipo de consumidor que deseja algo maior que um smartphone que lhe permita ver vídeos, consultar a internet e trabalhar de uma forma mais rápida e facilitada, mas que ainda sirva para fazer e atender chamadas. E é esta a grande diferença de um phablet para a maior parte dos tablets, a possibilidade de servir como telefone. E, na verdade, também se dá menos nas vistas com um 6″ do que com um 7 ou 8″ escarrapachado na cara, certo?

Tenho utilizado e abusado do recente Nokia Lumia 1520 nos últimos tempos em que o vou alternando com outros smartphones, mais “tradicionais”, que me chegam às mãos. Ainda não me decidi sobre os phablets mas está chegada a hora, pois começam a entrar no Xá das 5 outras propostas de marcas mais ou menos conhecidas e esta tendência não engana. Eles estão mesmo a chegar!

Como tenho escrito em anteriores ensaios, sou fã dos Lumia, da sua qualidade de construção e sistema operativo Windows Phone 8. No entanto, vejo-me a saltitar entre eles e os mais recentes Android, devido à facilidade em obter algumas aplicações que me são necessárias em determinadas alturas. O certo é que a loja Windows está a aumentar diariamente o número de aplicações e as vendas também conhecem algum furor em alguns mercados. E eis que se dá o grande negócio da mudança de mãos e nomenclatura: Lumia fica, mas Nokia dará lugar ao branding da Microsoft. E esta realidade tem uma grande, enorme e ainda por perceber até que ponto, importância.

Este 1520 é, quiçá, o último Nokia que analiso no Xá das 5 e não deixo de sentir uma certa tristeza. Ao fim e ao cabo, é uma marca que me acompanha há décadas. Tive variadíssimos modelos, desde os base de gama que ao se estatelarem no chão permitiam a sua rápida reconstrução, como se fossem Legos, até aos mais sofisticados e primeiros terminais em metal e sem antena. E curiosamente, nunca fui fã da marca até surgirem os Lumia…

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O enorme 1520

Vamos então perceber a quem se destina o 1520 e este seu fabuloso e cativante ecrã de 6″. Começo por dizer que me tenho feito acompanhar por ele nestas mais recentes viagens de avião, todas para este blogue, e como são de curta duração, dois ou três dias no máximo, deixei de vez o portátil em casa. E isto por duas razões, a primeira é porque se tornou impossível servir-me dele para ver um filme enquanto a duração do vôo, pois quem me vai à frente tem tendência para deitar a cadeira ao máximo, cortanto-me em 45º a abertura do ecrã. A segunda é o peso. Em dois dias posso perfeitamente escrever os posts para o Xá das 5 com este Lumia, assim como entreter-me no Facebook, responder a emails e tudo o mais. Poderão dizer-me, “ah, mas faço isso com o meu smartphone de 4, 4,5, 4,7 ou até 5”. Até podem, mas há uma grande diferença entre ver um filme em 6″ num ecrã que parece ter sido feito de propósito, com a reprodução sonora de altíssima qualidade (através de auscultadores, como é lógico), ou editar uma porção de texto com a inserção e arrumação de fotografias e, mal chegue ao aeroporto, enviar uma SMS ou fazer uma chamada a dizer que tudo correu bem, do que num, para citar só como exemplo, iPhone.

Este ecrã Full HD IPS de 1080p com tecnologia Clear Black é realmente a mais valia. Legível como poucos, mesmo sob a luz do sol, tem uma definição tão boa que ler as legendas de um filme, mesmo numa dimensão ridiculamente pequena, é fácil (até para pitosgas como eu). O tamanho da tela permite aumentar mais uma fila de Live Tiles, ou seja, os famosos mosaicos dinâmicos do sistema WP8. Escolhendo a mais pequena de entre três dimensões, ficamos com uma fila de seis mosaicos com ligação directa à aplicação. Ou três médios… ou um grande e um médio… enfim, esta é a diferença e vantagem da personalização do próprio sistema, a anos luz de qualquer Android ou iOS.

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A máquina

Longe de querer maçar-vos com as características técnicas, tenho de mencionar alguns pontos que fazem deste 1520 o mais poderoso Lumia até à data. Todos sabemos que uma das vantagens do Windows Phone e da sua arquitectura é a extraordinária leveza, o que permite a escolha de processadores menos rápidos, garantindo à mesma resultados de excepção. Mas a Nokia sabe que um phablet tem outro tipo de utilização e equipou este 1520 com um processador Qualcomm Snapdragon 800 de 2.2GHz Quad Core. É um enorme salto tendo em vista os anteriores modelos. Para a rapidez ser extrema, lá estão 2 GB de Ram. Mas agora atenção aos números que se seguem: o 1520 não é só grande em tamanho, mas tem alma (capacidade interna) a condizer com uns muito apreciados 32 GB a que são acrescidos 7 GB de armazenamento na conta OneDrive. E a cereja no topo do bolo é o suporte para cartões microSD que oficialmente dão até 64 GB, mas já ouvi por aí dizer que podemos contar com uns extraordinários 128 GB. Não experimentei, pois nunca tive um microSD com esta capacidade. Percebem agora porque lá em cima escrevi que tinha substituido um imenso portátil por este phablet para as viagens?

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A câmara

Desde o Pureview 808 (ensaio aqui) ao Lumia 1020 (ensaio aqui) até aos Xperia Z (ler ensaios Z1 compact e Z2) que a fotografia de qualidade (e respectiva gravação de vídeo em alta definição) passou a fazer parte da lista de desejos dos consumidores que levam mais a sério (muito mais a sério) esta função. A Nokia incorporou a sua aclamada e premiada tecnologia PureView neste 1520, com uma câmara com objectiva de cinco lentes que atinge os 20 MP, garante dos excelentes resultados já conseguidos com os modelos citados acima, devido à tecnologia de oversampling e zooming (afterzoom também).

 

As Apps

Quando falamos da Nokia (e do Windows Phone) sabemos duas coisas: a primeira, sempre citada, é que a loja está longe de garantir a oferta das suas duas adversárias directas (a BB não conta). Não deixa de ser verdade, mas a loja já conta com cerca de 200.000 aplicações. A segunda, também sempre citada principalmente por quem já viu ou utilizou, é a enorme qualidade do serviço HERE, cada vez mais completo, mas no qual destaco sempre o Here Maps, o Here Drive+ e o Here Transit. São apenas as melhores aplicações do género, nada a fazer. E vale a pena comprar um Lumia somente por causa delas. Sim, são assim tão boas.

A Nokia tem vindo a aumentar a sua própria oferta e as aplicações próprias são sempre dignas de apreciação e utilização. Por exemplo, a Nokia Storyteller é um organizador de conteúdos muito interessante e até envolvente. A Nokia Mixradio oferece-nos um serviço de streaming rádio com playlists ilimitadas e que acabou de atingir os 30 milhões de músicas disponíveis no seu catálogo internacional, mas a minha atenção recaiu sobre a Nokia Rich Recording, um gravador de voz e sons que utiliza os quatro microfones presentes no 1520 para garante de uma excelente qualidade de gravação. E, garanto-vos, é de suster a respiração e encosta o nosso próprio (quem o utiliza sabe que é um aliado e companheiro) microfone digital dedicado. 

Como não poderia deixar de ser, a suite Office vem já incorporada, completa e activada. Sendo assim, e como referi lá em cima, esta é também uma das particularidades que faz deste phablet um extraordinário, leve e prático instrumento de trabalho. Word, Excel e PowerPoint integrados com edição e partilha imediata para emails, blogues, redes sociais, é escolher.

 

Os pontos menos bons

Vi-me obrigado a ir a uma loja do meu operador telefónico para trocar o meu cartão micro-SIM por um NANO-SIM. Confesso que não compreendi, principalmente porque se há coisa no 1520 é espaço para um micro-SIM ou 50 nano-SIMs… Acontece que esta geração de chips ainda não está generalizada e nem sei se todas as operadoras os fornecem. Pelo menos lá fora existem algumas que ainda o não fazem.

Com o tamanho acrescido deste Lumia, os botões volume e on/off foram colocados mais para o centro do corpo. Em vez de facilitar, complica, pois não existe grande espaço entre ambos nem diferença táctil. Deveriam estar colocados bem mais acima, nas extremidades (assim como o da câmara mais para baixo) e assim facilitar a utilização equilibrada com apenas uma mão.

 

E os melhores

Para além da câmara, do ecrã e da qualidade geral deste Lumia 1520, reforço que é um verdadeiro instrumento de trabalho. Grava entrevistas com uma nitidez incomum, oferece a suite Office, temos acesso às mais variadas aplicações superlativas HERE, tira fotografias como poucos, filma em alta definição e tem a ajuda de um muito bom estabilizador óptico de imagem. É grande? Foi feito para ser. Mas é leve e muito estreito. Com ele veio também uma caixa protectora cuja capa frontal se desdobra (como as dos iPads) e permite colocá-lo numa mesa num ângulo mais vertical. Uma excelente companheira… embora não muito prática para a utilização diária.

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Conclusão

Os phablets estão a chegar em catadupa e serão, quem diria, um dos grandes sucessos de vendas no futuro próximo. Qualquer dia andaremos com dois smartphones, um pequenito para as chamadas e um phablet para tudo o resto. Sim, porque isso de usar um auricular bluetooth já se percebeu que não é para todos. Adorei a experiência e passei a usar o 1520 como computador. O conjunto é extraordinário e os pontos positivos superam em muito os menos bons.

Agora o preço… pode-se comprar um portátil pelo mesmo valor (ou até bem menos). Ou um tablet todo de gama… tudo depende das nossas necessidades reais e teremos que pesar os prós e contras aquando a escolha. Mas não posso dar-lhe uma pontuação fantástica neste sector.


PVPR 789,90 euros

Algumas fotos directas sem edição e com 1/3 da resolução

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CARACTERÍSTICAS DO LUMIA 1520

Sistema Operativo:

Windows Phone 8
Serviços de localização e mapas: HERE Maps e HERE Drive+ gratuitos a nível global; HERE Transit gratuito disponível na Loja.
Ecrã: LCD de 6”, Full HD 1080p; ClearBlack; modo de alto brilho; legibilidade sob luz solar; ecrã táctil super sensitivo, para ser usado com as unhas ou luvas; vidro Corning® Gorilla® Glass.
Processador: Qualcomm Snapdragon 800 (2.2GHz Quad Core).
Memória: 2 GB de RAM, 32 GB de memória interna; 7 GB de armazenamento SkyDrive, suporte para cartões microSD até 64 GB.
Câmara principal: PureView com 20 MP; Autofoco; óticas ZEISS com estabilizador ótico de imagem (OIS); 2x zoom sem perdas; tecnologia de oversampling; flash de duplo LED; vídeo Full HD com resolução de 1080p@30 fps e estabilização ótica de imagem.
Câmara secundária: grande angular HD, com 1.2MP.
Conectividade: NFC; A-GPS+GLONASS; WLAN (2.4/5Ghz) a/b/g/n/ac; μUSB; BT 4.0 LE; acelerómetro, sensor de proximidade, magnetómetro, giroscópio, sensor de luz ambiente.
Bateria: 3400 mAh (integrada), com carregamento sem fios (standard Qi).
Dimensões: 162.8 x 85.4 x 8.7* mm (*volumétrico). Peso: 209 gramas.

 

João Gata

Começou em vídeo e cinema, singrou em jornalismo, fez da publicidade a maior parte da vida, ainda editou discos e o primeiro dos livros e, porque o bicho fica sempre, juntou todas estas experiências num blogue.

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