Atraente, o HR-V deixou a adolescência a apresenta-se como homem feito, com um belo motor e uma caixa imaculada. O segmento dos SUV ganhou mais um modelo icónico.

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Sempre gostei da originalidade do Honda HR-V (um amigo ainda tem o original de três portas que continua a ser diferente de tudo o resto), o modelo que estreou na marca o conceito dos SUV (nunca nos podemos esquecer que a fabulosa Subaru tudo começou com o primeiro dos Forester) e foi com particular curiosidade que esperei pelos meus dias de ensaio.

Confesso que não sou admirador deste conceito, pois faço 95% da minha vida em cidade e não tenho monte no Alentejo, porém, fui imediatamente seduzido pelas linhas deste novo HR-V. Talvez porque a frente é muito dinâmica e até desportiva, quiçá pelo desenho lateral que até lembra os mais recentes DS, ou também, pelo desenho da traseira que tudo termina de forma graciosa e até emblemática.

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Sim, gosto francamente das linhas exteriores do novel Honda, mas é geralmente o desenho interior dos SUV de segmento B ou C que tudo deita a perder. Então, como foi entrar e sentar-me ao volante do HR-V? Mais uma vez, parabéns à Honda: moderno, atraente, original e bem pensado, permite um extremo conforto de utilização, pois estamos mais elevados, devido aos bancos muito envolventes e confortáveis, uma caixa manual muito directa e precisa e com todos os comandos à mão, bem divididos, resolvidos e montados (mesmo que aqui e ali os materiais pudessem ser melhores).

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Vamos ao motor, um bloco 1.6 i-DTEC turbodiesel com 120 CV que parece ter sido feito de propósito para este modelo, pois permite uma condução mista entre o desportivo e o calmo, estando sempre muito disponível, e sendo até silencioso, o que vindo de um Diesel é dado relevante. Muito suave e despachado, tem na caixa manual um extraordinário aliado, pois está bem escalonada e é muito precisa e directa, oferecendo prazer de utilização. Os consumos, devido ao baixo peso do conjunto, oscilam entre os 5.5 l/100 fora da cidade, subindo aos 6 / 6,5 em utilização urbana. Convenhamos, é um resultado muito satisfatório para um SUV… mesmo que sirva para nos transportar dentro das cidades.

O centro do tablier é dominado pelo ecrã táctil de 7″ que comanda o sistema Honda Connect que, nesta versão, tem tudo o que precisamos e que já é comum nos modelos mais recheados. Um potente sistema de som, ajudado pela boa insonorização do habitáculo, permite-nos fazer um belo karaoke quando parados numa qualquer artéria de uma Lisboa cada vez mais caótica.

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Os comandos, também tácteis e que podem não ser do agrado geral, do ar condicionado e ventilação, estão colocados abaixo do ecrã e voltados para o condutor, o que me fez lembrar o meu saudoso BMW 318Ti.  Existem espaços para pequenos arrumos distribuídos pelo interior. Originais são também os ventiladores para o pendura, de grande dimensão.

De salientar que este HR-V, não sendo um carro grande, tem uma bagageira muito interessante com 470 litros de capacidade. Mas são os seus bancos mágicos traseiros (que permitem ser levantados para criar um espaço para levar uma bicicleta, por exemplo) que fazem parte do ADN Honda e que marcam a diferença, sendo realmente úteis. Têm um senão: não são tão confortáveis quanto deveriam.

Resumindo, gostei muito deste Honda HR-V. Um motor fantástico que me faz esquecer os a gasolina (não é fácil), equilibrado e poupado, que cai como nem uma luva neste SUV. De traço original (e de que gosto), com um interior moderno, está muito bem equipado e tem tudo o que é necessário, com destaque para a segurança passiva e activa. Guiá-lo foi um prazer, tem muita disponibilidade, reforçada pela ausência de rolamento nas curvas mais apertadas, o que não é comum neste tipo de veículos. Caixa perfeita, cockpit atraente, posição de condução imaculada. Não é preciso muito mais para ser feliz. Mas tudo isto tem um preço…

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PVP: 27.640€ (versão ensaiada)

 

João Gata

Começou em vídeo e cinema, singrou em jornalismo, fez da publicidade a maior parte da vida, ainda editou discos e o primeiro dos livros e, porque o bicho fica sempre, juntou todas estas experiências num blogue.

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