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The Omen é um filme de terror que fez história em 1976 (com Gregory Peck, Lee Remick, escrito pelo genial David Seltzer e realizado por Richard Donner) e que conheceu um remake em 2006 com outro casting e realizador, mas que ficou aquém do original (como quase sempre acontece). A tradução do título para português foi, mais uma vez, de uma estrondosa criatividade: “O génio do mal”. Aconselho a fita de Donner para um belo serão e, para quem não tem estômago para filmes que assustam, existe um outro Omen encarnado num computador portátil da HP mas com origem na antiga VooDoo, uma marca que apostou no segmento gaming, e que pode servir de desculpa (trabalhar, jogar, comunicar, etc.) para quem não admira este género cinematográfico.

Existem mais semelhanças “aterrorizadoras” entre os Omen: enquanto os filmes mostram o lado negro da vida com algum sangue às mistura, o laptop da HP veste-se de preto, tem teclado da mesma cor mas que se deixa perceber através da retro-iluminação vermelha, a mesma cor que surge noutras áreas e até faz de discoteca no rebordo e grelha das colunas de som (felizmente pode desligar-se, entre muitas outras opções, como escolher uma de até seis cores disponíveis, programar teclas específicas para jogos, dividir o teclado, etc.).

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Esta proposta da HP tem nos Asus ROG, Toshiba Qosmio e Lenovo Alienware potentes adversários à altura, mas o Omen é fisicamente extraordinário, parece um monolito saído do 2001 de Kubrick devido aos ângulos de corte e aos muitos pormenores que fazem dele uma peça de colecção. Sim, este PC ficará para sempre na posse de quem teve dinheiro para comprá-lo e que… consiga transportá-lo: é que são dois quilogramas que deixam a sua marca. Marcados ficamos quando o tiramos do bonito e exclusivo packaging que acompanha perfeitamente as linhas deste portátil. Anguloso, é todo em metal com a base rendilhada e duas saídas de ar traseiras também… retro-iluminadas. A tampa é lisa e fina, a traseira da base tem todas as ligações bem arrumadas (HDMI, 4 USB 3.0, multimedia, etc.) e que deixa as laterais (à excepção do leitor de cartões de acesso um tanto ou quanto difícil) e a frente limpas de cabos e Pens. O batente que separa o computador do ecrã é, no mínimo, estranho: trata-se de um cilindro em cor de metal com os extremos a serem pintados entre um azul e um cobre tipo ferrugem. Bizarro mas que causa sensação.

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O HP Omen é poderoso, muito poderoso: apresenta-se com um processador Core i7 de quarta geração com quatro núcleos a 2,5Ghz, uma boa gráfica para jogos que é a Nvidia GTX 860M com 4Gb RAM, uns espectaculares 16GB RAM de origem mas, e aqui é o factor que me faz torcer o lábio e franzir o sobreolho, tem um disco SSD com parcos 256 GB e nenhum outro como suporte para backup. Ou seja, tem a mesma utilização que um bom tablet em termos de capacidade de armazenamento.

Esta solução é um tanto ou quanto bizarra pois o Omen é um computador para jogos exigentes, a gráfica e a RAM assim o demonstram, e pode ser fantástico para edição vídeo. Mas sabemos que os ficheiros vídeo são pesados e estes 256 GB são manifestamente curtos. Esta situação levar-me-ia, enquanto cliente ou utilizador, a ter de gastar mais dinheiro num disco alternativo, como por exemplo, o fenomenal WD Black 2, um híbrido com 128GB SSD+1TB HDD. Só que seriam mais 300 euros fora o trabalho de instalação.

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O ecrã tem formato panorâmico e é um 15,6″ táctil com uma resolução Full HD. Esperava um QHD, mas compreendo que se opte pelos 1080p quando se trata de um laptop devido ao consumo da bateria. Mesmo assim, esta aguenta firme até quatro horas o que, pelos padrões actuais, até que o coloca num patamar confortável.

O teclado é de bom toque, confortável de usar e tem a particularidade de personalização (cores tripartidas, segmentos para jogos), mas o que mais me agradou foram as grandes teclas de atalho personalizáveis à esquerda. Perfeitas para associar uma função ou programa e foi logo o que fiz.

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Felizmente, chegou há tempos para análise o jogo Heroes of the Storm e já tinha o pack de expansão do Diablo (reaper of souls) e só posso dizer que o resultado é o que se espera de uma máquina deste calibre: fantástico, fluido, sem quebras. Tudo corre à velocidade da luz, as imagens são muito coloridas e não apresentam lag. E o som? As colunas têm o tratamento da Beats (coisa que não me impressiona, muito pelo contrário, mas que sei uma brand que abre os olhos – e os bolsos – dos mais jovens) e o som têm algum punch. Contudo, esperava mais graves para tais especificações.

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O HP Omen é bonito que se farta e um maquinão único. E pagamos essa exclusividade, claro está! São quase 1900 euros, dinheiro que compra um carrito com 10 anos para dar umas curvas e levar a namorada ou os amigos ao cinema para assistir a um filme de terror. Mas, para quem gosta de ser original e que procura um computador que sirva para os próximos cinco anos, esta é uma boa opção. Afinal, a malta dos Macs também gasta este tipo de dinheiro e aponta sempre a longevidade do equipamento com um dos factores a ter em conta.
Com esta caixa e dinâmica, o HP Omen insere-se nesse território. Mas tem adversários melhor equipados e mais baratos. É uma questão de, também, paixão.

PVP: 1899€

 

 

 

João Gata

Começou em vídeo e cinema, singrou em jornalismo, fez da publicidade a maior parte da vida, ainda editou discos e o primeiro dos livros e, porque o bicho fica sempre, juntou todas estas experiências num blogue.

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