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Os dois em um estão na moda e vieram para ficar. Ao fim e ao cabo, são os ensaios que mais pedem ao Xá das 5, a febre é grande e compreende-se: de uma assentada, compra-se um tablet e um computador. Mas será que é assim?

Vou colocar o Surface Pro 4 (ensaio aqui) como o equipamento que encima este segmento. Bom e bonito, está longe, mesmo muito longe de ser barato. Sendo assim, e no que se lhe respeita, uma das principais características dos dois em um fica de fora. Mas, se atentarmos às nossas reais necessidades, talvez não necessitemos de gastar 1500€ num Surface Pro 4 média gama e podemos e devemos olhar para a oferta que existe em todas (ou quase) as restantes marcas. Existem soluções muito interessantes e este HP Pavilion X2, de onde escrevo esta peça, sentado num banco de jardim e com o dito pousado nas coxas, mostra logo a sua principal virtude: ocupa pouco espaço, é leve quanto baste e serve perfeitamente para escrever e editar uma peça jornalística.

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O teclado, todo em plástico, sacrificou o tamanho das teclas para criar um espaçamento maior entre elas. Por mim, é a solução ideal para torná-lo simples de usar, pois este layout ajuda à velocidade de escrita. As teclas têm um acabamento ligeiramente rugoso que facilita a utilização e o mecanismo é silencioso ao contrário de alguns concorrentes. É um teclado completo e muito eficiente, cuja base que o eleva alguns graus para um melhor dedilhar. Mas nem tudo é positivo: não gostei do trackpad, lento e com soluços na operação. O X2 tem um adversário de peso no Acer Aspire Switch 11 (ler ensaio do Swith 10 aqui) cujo teclado acomoda um disco rígido com nada menos nada mais que 500GB. Perde contudo em design, peso e dimensões. Para vos explicar esta importância, basta dizer-vos que neste momento, depois de mudar de pouso e devido à falta de lugares sentados, estou com o teclado apoiado na mão esquerda enquanto dedilho e escrevo com a mão direita. Sim, pesa um bocadito ao fim de alguns minutos, mas a coisa faz-se. Em termos de peso e espessura, o HP vence a contenda.

Em modo tablet, o design é muito apelativo e conseguido. As tomadas estão concentradas na lateral direita, onde podemos escolher uma ligação microHDMI, USB 3.0, entrada para cartões microSD, botões W e volume +/- e, atenção, ficha USB-C para o recarregamento rápido (embora o carregador que o acompanha seja normalizado, o que não compreendi). Em cima está o botão On/Off e na outra lateral a entrada para auscultadores.

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Uma das melhores características deste HP são as duas grandes colunas colocadas frontalmente e que emolduram o ecrã. Nota máxima para esta opção, mais a mais porque têm até uma assinatura a condizer: Bang & Olufsen. Espantados? Também fiquei. Mas cuidado em modo tablet, pois as nossas palmas das mãos podem ofuscar este brilho sonoro.

Se o som é alto e bem colocado, com uma boa imagem estereofónica, o que dizer da qualidade de imagem? Estamos perante um ecrã de 11″ com 1,280 x 800 pixeis, mais que suficiente para se trabalhar e ver um filme dentro de casa, num avião ou comboio. Ou mesmo quando se espera por uma consulta num estabelecimento nacional de saúde (sim, este X2 andou comigo para muito lado). Sob o sol, e com o brilho no máximo, a imagem fica esbatida. Não há milagres, mas permite trabalhar um documento Word.

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O HP Pavilion X2 vem equipado com um processador Intel Atom Z3736F a 1.33Ghz com 2GB de RAM e um disco de 32GB MMCe. É o conjunto técnico “típico” nesta ordem de preços, com ligeiras diferenças entre os concorrentes. Não é um equipamento para gamers ou editores vídeo ou áudio, longe disso, mas serve perfeitamente para as tarefas normais do dia a dia, consultas online, grandes conversas pelas redes sociais e até mesmo a edição básica de uma fotografia para brilhar no Instagram. Tudo fino, quase out of the box. De salientar que, de origem, o X2 vem com Windows 8.1 com motor de pesquisa Bing instalado de origem, o que pode afastar o consumidor mais moderno e ávido do sistema operativo mais recente. Mas nada que não seja ultrapassável com a instalação posterior do W10.

A câmara frontal serve bem uma conversa em Skype enquanto a traseira está lá apenas porque tem de estar. Continuo a ser contra a utilização de tablets para se tirar uma fotografia por todos os motivos e mais algum. No extremo oposto e um ponto muito a favor é a duração da bateria, sete horas em vídeo, chegando um pouco mais longe numa utilização poupada. O tablet pesa 580g e o teclado 600g, ultrapassando um kg se em conjunto, total um pouco pesado para um equipamento de 11″.

Concluindo, é uma boa opção como segundo portátil que se transforma num tablet, o que faz dele um equipamento desejável. Com o teclado como base, assume facilmente três posições de visionamento (tipo tenda, com o ecrã virado para a frente ou para nós), e o teclado é firme mesmo com teclas de pequena dimensão, sendo confortável durante um par de horas. Pena o ecrã ser tão reflexivo sob a luz do sol e o trackpad ter problemas de resposta. O preço está dentro do que podemos esperar, mas a concorrência espreita.

PVP: 329€

João Gata

Começou em vídeo e cinema, singrou em jornalismo, fez da publicidade a maior parte da vida, ainda editou discos e o primeiro dos livros e, porque o bicho fica sempre, juntou todas estas experiências num blogue.

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