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A Huawei conseguiu, mais uma vez, concentrar as atenções mundiais para o seu novo flashgip P8, doravante um dos mais desejáveis smartphones do mercado. Fui a Londres à sua apresentação, ladeada pelo P8 Maxx e P8 Lite, e tem sido difícil mudar para o meu anterior modelo. Na verdade, o meu Xperia Z2 (ensaio aqui) continua a ser extraordinariamente competente e, afinal, tem a mesma capacidade de RAM, quase as mesmas características e uma câmara mais exuberante. Mas então porque está a ser difícil esta passagem? Porque o Huawei P8 é também daqueles smartphones que gostamos de tocar, olhar, admirar e utilizar, é mais fino, leve e pequeno, embora com a mesma dimensão de ecrã. E na cor que foi distribuída na capital londrina aos jornalistas e bloguers convidados, em champanhe gold com apontamentos a branco e metal (a que torci previamente o nariz mas que passei a gostar), está a conseguir o que se propõe: dar nas vistas e ser imediatamente desejável.

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O marca inova com um processador próprio, mais uma vez e seguindo a política do sucesso estrondoso que tem sido o Huawei Mate 7 (ensaio aqui). Desta vez é o mais potente e recente HiSilicon Kirin 930, dois quad-core 2 GHz Cortex-A53 + 1.5 GHz Cortex-A53 e com um GPU Mali-T628 MP4. Como já mencionei, apresenta-se com 3GB de RAM e o modelo que me foi avançado tem 16GB de capacidade. O topo de gama sobe para 64GB que, como a maior parte dos terminais Android, podem aumentar a capacidade com cartões microUSB, neste caso até 128GB.

Fisicamente, não há dúvidas: se o P7 tinha ido buscar ideias ao Xperia Z1, o P8 encontrou inspiração nos mais recentes iPhone e Galaxy, tanto que, observando a base onde estão colocadas a coluna e microfone, as semelhanças são tão imediatas (entre os três modelos) que só apontamos o Apple devido à diferente ficha. Mas numa frente se destaca: a caixa tem um design irrepreensível, com um logotipo que faz imediatamente lembrar a Porsche Design e, francamente, está ao nível dessa mítica assinatura. Desde o material à arrumação, tudo capta os nossos sentidos e, confesso, foi um prazer (tipo miúdo entusiasmado) descobri-lo no seu package. Então, pensei, se a caixa é assim, o P8 tem de estar à altura…

A frente é dominada pelo imenso ecrã, quase sem moldura, de 5,2″ de resolução Full HD (1080 x 1920 píxeis / 424 ppp) e protecção Gorilla Glass 3. Responsivo e com cores brilhantes, é perfeito para todas as operações e está bem coadjuvado pelo binómio RAM/processador. No entanto, tive de puxar o brilho ao máximo aquando no exterior com o sol a brilhar.

Os botões e ranhuras foram colocados na lateral direita, e de cima para baixo, encontramos o volume, on/off, microSD e nanoSIM. Numa outra versão, o espaço para o microSD pode ser utilizado como segundo cartão SIM (ou um ou outro). No topo temos apenas a ficha para auscultadores. É visível a abertura que serve para conseguir contrariar o som ambiente com um cancelamento de ruído extremamente eficaz.

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São várias as cores disponíveis

A Huawei pode ser a fabricante do futuro Google Nexus e o lançamento do P8 já com o sistema operativo Android Lollipop 5.0.2 (entretanto alvo de duas actualizações), para além de demonstrar que essa será uma realidade, empresta uma fluidez e modernismo evidentes ao sistema operativo. Já lançado no Mate 7, o UI (user interface) próprio, designado por Emotion, vai na versão 3.1, mas não lhe vi grandes mudanças desde as anteriores. As mais importantes, como as notificações, quadro das operações e apps abertas, etc., são da responsabilidade Lollipop. Este Emotion UI oferece a possibilidade de escolhermos um motivo para o fundo que, por sua vez, apresenta os ícones de forma mais criativa (dependendo do designer que as assinou). Já não é original (a Sony até tem um espaço em que convida os clientes a fazerem upload dos seus próprios temas), mas continua a dar nas vistas.

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As duas grelhas da base enganaram-me numa primeira observação. Fiquei convencido que seriam os veículos para um som estereofónico, mas infelizmente, não: a esquerda é a coluna e a direita o microfone. Se bem que este microfone tenha soluções avançadas, coloquei muitas vezes o último dedo por cima dele, numa tentativa de apoiar o telefone de forma mais segura, o que automaticamente provocou queixumes de quem me ouvia do outro lado.

Outro ponto menos bom: quando estou a ver um filme, agarro o P8 (ou qualquer outro smartphone) de forma horizontal e com ambas as mãos nos extremos. A localização da coluna faz com que parte da palma da mão a abafe, obrigando-me a ter de rodá-lo 180º, colocando dessa forma os botões volume para baixo. Esta questão é, para mim, importante e uma das razões que me leva sempre de volta ao Xperia Z2 e às suas colunas frontais (como os Motorola X e GII, etc.).

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A Huawei levou muito a sério a capacidade fotográfica e vídeo no novo P8 (seguindo o caminho já iniciado com o P7 e a maior qualidade da câmara frontal para selfies e groufies, termo inventado pela marca) e, escolhendo uma unidade da Sony combinada com software e algoritmos proprietários, inova mais uma vez.

Com 13MP na principal e 8MP na unidade frontal, o P8 está reforçado com um OIS (estabilizador óptico) de até 1,2°, o primeiro sensor RGBW de quatro cores do mundo (que melhora o brilho e o contraste) e um processador de imagem independente em que a marca aponta uma qualidade de nível DSLR.

Mas são os modos criativos que captam imediatamente a atenção, principalmente os modos “pintura de luz” (com quatro efeitos pré-programados: rastos de luz traseira, grafitos de luz, água sedosa e rasto de estrelas) e “intervalo de tempo” (que filma um frame por segundo para criar vídeos em alta velocidade). Existem mais efeitos de raiz (processamento de cor e embelezamento de rosto, etc.).

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Exemplo dos efeitos de luz, foto tirada na apresentação lisboeta

Os resultados são, bem trabalhados e pensados, muito bons. Não digo que a câmara não seja excelente (perde fulgor aquando um zoom, principalmente em situações pouco iluminadas), mas estes filtros e processos criativos abrem, realmente, “novos mundo ao mundo”, pois estamos sempre a falar de um… telemóvel. Já a qualidade tipo DSLR… ainda não está lá por muito que se apregoe. Aliás, os resultados até são sofríveis num ambiente escuro em que não utilize o flash, que é como gosto de fotografar. Há indefinição nas cores e perde-se o contraste. As coisas melhoram com flash, mas não se evita o chapão de luz. De dia, ou com motivos bem iluminados, a história é outra e podemos deiar a câmara compacta em casa. Se tivermos tempo, e tripé, conseguimos resultados muito interessantes com os filtros criativos… mesmo à noite. É tudo uma questão de preparação e algum conhecimento das funções.

Estou a tentar combinar com alguns colegas de ofício uma pequena reunião para experimentarmos outra novidade: o modo Realizador. Esta função promete ser qualquer coisa de extraordinário: podemos controlar até quatro smartphones android para filmarem cada um no seu plano e ângulo, ao mesmo tempo que editamos e sincronizamos o vídeo. Isto promete revolucionar a forma como se fazem clips… para além de se poupar muito dinheiro.

Na apresentação dos P8 e P8 Lite que ocorreu ontem em Lisboa, à semelhança do que foi visto em Londres, os responsáveis reforçaram o entusiasmo sobre algumas tecnologias proprietárias, como a Signal + (antena dupla que aumenta a taxa de ligação e que consegue, dizem eles, garanti-las num TGV a 300 Km/h, coisa que, confesso, ainda não experimentei).

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O Toque+ possibilita criar áreas de controlo por atalhos, dois em cima, três em baixo. Se não soubermos onde deixámos ficar o P8, basta ter ligado a função “detecção de discurso” para o chamarmos (obriga à gravação de algumas palavras chave). Esta mesma função pode ser feita através da Talkband B2, a pulseira com ecrã (que tem dupla função, pois é destacável para se usar como auricular bluetooth). Aliás, esta pulseira tem características perfeitas para acompanhar um Android e algumas em particular com o P8. Outra característica simpática da B2 é desbloquear automaticamente o smartphone sem ser necessário digitar uma senha. Ah, e através de um toque no pequeno ecrã, podemos tirar fotografias à distância (só descobri ontem com a ajuda do Pedro Simões, do Ppl Ware).

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Versão “Grey”

Termino toda esta enumeração com uma das funções que mais uso: dois toques com o nó do dedo, tira uma snapshot ao ecrã. Se desenharmos um circulo com o nó do dedo sobre uma imagem, fazemos um crop automático. E ainda podemos editar essa imagem. Fantástico!!! Só falta mesmo poder desenhar com a ponta do dedo, algo que pensei que era já possível.

Todas estas funções são “matreiras” para a bateria, que com 2600mAh, não aguenta mais que um dia de intenso trabalho. E, garanto-vos, este P8 vai trabalhar na vossa mão. Tem características únicas, algumas de grande impacto, e não tenho dúvidas que vai ser um dos smartphones da moda.

 

O Huawei P8 está disponível com um P.V.PR de 499,90 € nas cores Champanhe e Grey (para já).

 

 

 

 

João Gata

Começou em vídeo e cinema, singrou em jornalismo, fez da publicidade a maior parte da vida, ainda editou discos e o primeiro dos livros e, porque o bicho fica sempre, juntou todas estas experiências num blogue.

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