O Microsoft Surface Pro 4 tem um excelente ecrã e qualidade de construção, é desejável e competente, sofisticado e muito transportável. Mas é caro e tem uma bateria insuficiente.

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O Microsoft Surface Pro 4 tem um excelente ecrã e qualidade de construção, é desejável e competente, sofisticado e muito transportável. Mas é caro e tem uma bateria insuficiente.

Extremamente fino e leve, o novo Surface Pro 4 tem todos os predicados para ser um dos mais desejáveis equipamentos da actualidade. Mas, porque há sempre um mas, existe um pequeno óbice para a felicidade de todos quantos o desejam: o preço. Se nos anúncios vemos que começa por volta dos mil euros, há que ter em conta que o anunciado é o modelo base de gama, cujo processador não é grande espingarda. E a Microsoft também ganhou um mau vício: imitar a Apple na política de preços dos acessórios. Há que fazer contas a tudo: tablet + capa/teclado. Felizmente que, na versão Pro, a caneta stylus já vem incluída no pacote. Mas o Type Cover tem um preço muito exagerado. Só depois da aritmética se perceberá se vale mesmo a pena ir a correr à loja mais próxima ou refrear o anseio e olhar a concorrência… que existe.

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Mas vamos partir de outro pressuposto, em que somos profissionais muito atarefados e sempre a correr de aeroporto em aeroporto ou de reunião em reunião. Se pensarmos na rapidez de processamento, form factor, design, peso, medidas e qualidade de construção, SIM. Eu, como CEO, posso olhar o Surface Pro 4 topo de gama como o modelo a ter. Esperem… eu como bloguer ando de aeroporto em aeroporto, carrego muitas vezes um laptop às costas e passo a vida em apresentações, reuniões e redacções… afinal, eu mesmo sou um potencial utilizador deste computador híbrido. O problema é que um bloguer português não tem o income de um CEO empresarial.

A Microsoft faz campanha dirigida também aos artistas gráficos e, sim, o Surface faz frente ao Macbook Air e outras soluções. Mas fará ao iPad Pro com o novo Pencil? Será um combate digno de se ver.

Por mim, que sou mais dado às escritas e à produção audiovisual, sou um utilizador misto. No dia a dia, busco rapidez de processamento na edição dos blogues, o que implica alguma edição fotográfica e, de quando em vez, uma brincadeiras com ficheiros bem mais pesados, como os de vídeo. Por outro lado, e mais raramente, preciso de editar todo um episódio do Xá das 5 em vídeo, o que implica a utilização de software realmente pesado, fora todo o processamento. Vou fazer a experiência com este Surface que é, atenção, o média gama já com o novo processador Intel i5 de sexta geração. Ou seja, não custa os tais mil euros…

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Saiu recentemente um estudo que garante que trabalhamos mais em equipamentos topo de gama e com design apelativo. É natural, digo eu, pois estando na mesa do café com este Surface aberto e teclado acoplado, a prosa está a sair-me com mais facilidade pois, entre outros factores, tenho espaço na mesa para colocar as anotações, o telefone, a cola zero, o café e mais umas coisas. Depois, bom, depois dá mesmo algum gozo escrever neste teclado semi-elevado e conectado magneticamente ao ecrã, num ângulo que oferece mais conforto de utilização. O brilho e qualidade do ecrã ajudam, mesmo sob o sol, a ver e ler bem o que escrevo, outra vantagem em relação a ecrãs mais antigos.

Chegados aqui, sabemos que é leve, fino, bem construído, apelativo e desejável. Mas será que compensa os euros que pede em troca? Bom, tudo depende do nosso tipo de utilização. Como vocês, também desejo o topo de gama, mas chego à conclusão que gastar mais 500€ neste i5 com 8GB/256SSD em relação ao básico Intel Core M3 com 4GB/128SSD pode não ser a melhor das opções. Isto porque vou usá-lo para escrita, navegação e edição online e alguma edição fotográfica, quase na totalidade do tempo. Reservarei outro tipo de funções para o desktop que tem um imenso ecrã Philips ultraWide que me enche, realmente, as medidas. Portanto, o Core M deve bastar para estas funções básicas, certo?

Mas se por outro lado estiver a pensar em fazer edição de vídeo ou áudio e transportar os ficheiros e o software, sempre muito pesados, de estúdio em estúdio, então terei de optar pelo i7 com o máximo de disco, brinquedo que me pode custar 2500€. Com esta quantia existem opções mais “tradicionais”, laptops pensados para o mercado gaming que têm gráficas dedicadas e poderosas. A questão, e é apenas neste ponto que podemos discutir a opção, é que um laptop gaming pesa quase 4KG e tem uma dimensão avantajada, sendo mais um desktop replacement que um laptop transportável. Portanto, mais uma vez, tudo depende da utilização e “liberdade de movimentos”.

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A máquina em si pouco difere da geração anterior, mas as diferenças são importantes: é mais leve (786 g) e fino (9,1 para 8,4mm) e o ecrã aumentou ligeiramente (de 12 para 12,3”) o que permite que o teclado TypeCover também cresça com evidentes melhorias para quem lhe escreve, com um maior espaçamento entre as teclas. Se já gostava do anterior, estou fã com a rapidez de resposta deste, se bem que o touchpad pudesse ser melhorado. A Microsoft afirma que poderia ter construído este Pro 4 ainda mais fino e leve, mas optou por manter as ligações físicas na lateral. Neste caso e na direita, temos uma USB 3.0 e uma MiniDisplay Port. O orifício que parece ser um leitor de cartões é, afinal, a ligação ao transformador, infelizmente, de design único, o que implica o seu transporte. Mas, atenção, existe um leitor de cartões MicroSD, o que permite oferecer mais alguns GBs para conteúdos. Está muito escondido e deixo aqui esta espécie de “jogo das escondidas”. À esquerda apenas a tomada mini-jack e em cima o on/off e volume +/- . Cai, portanto, uma segunda USB que equipa o Pro 3. Mas atenção ao transformador que tem uma USB extra para podermos, por exemplo, recarregar o smartphone. Um toque de Midas porque é verdadeiramente útil.

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O stand, que quanto a mim é a grande vantagem do Surface, tem ângulo livre como encontramos na geração anterior. Continuo a criticar a falta de plástico ou borracha no ponto de contacto com uma mesa, pois esta tampa de metal pode ocasionar alguns riscos se formos um pouco descuidados. Mas atenção, Microsoft: a concorrência adoptou esta solução, principalmente lá para as bandas da Lenovo…

Mas é por baixo do ecrã que está a mais importante modificação: os sensores estão mais “próximos” dos nossos dedos e, por conseguinte, da Pen e a tecnologia de ecrã PixelSense é altamente responsiva, o que faz com que seja fácil e mais imediato controlar tactilmente o novo Surface para além de dar mais utilidade à caneta Surface Pen que agora detecta 1024 níveis de pressão. Ok, mil ou cem é, para mim enquanto rabiscador, coisa indiferente, mas garante-me quem lhe desenha que é um outro mundo de facilidades.

A outra grande alteração qualitativa tem a ver com o ecrã. Dos 2160 x 1440 do Pro 3, temos agora 2736 x 1824. Para quem gosta destas coisas, a resolução passou para 216 para 267 ppi – o Macbook Air tem escassos 128 ppi), o que é apenas fantástico para criativos gráficos.

Toda esta qualidade tem o seu lado menos bom e, mesmo que o corpo esteja muito bem construído e o calor se dissipe de forma rápida, a bateria é o elo mais fraco do conjunto. Muito fraco mesmo. Tenham atenção a este factor no momento da decisão, pois numa utilização normal, ligado por wi-fi e bluetooth e com ecrã no brilho máximo, não fui além das 5 horas, o que quanto a mim, é muito pouco.

De salientar que tem uma câmara frontal HD de 5MP e uma traseira de 8MP com focagem automática e gravação de vídeo HD 1080p. Conta com microfones estéreo e altifalantes estéreo com som Dolby.

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A Surface Pen e o Type Cover

Como já afirmei lá em cima, a Surface Pen tem agora um nível qualitativo próximo do ideal e é, finalmente, uma extraordinária ferramenta para desenho. É confortável de se usar, porque mais leve, tem um botão em cima com multi função: um clique abre o Onenote. Dois cliques abrem a captura de imagem e, pressionando mais tempo, abrimos a assistente Cortana… mas por enquanto só disponível lá nas américas. Pode ficar presa magneticamente ao corpo do Surface, o que é muito confortável (mesmo que numa mala se destaque com facilidade). Acabou-se o drama de nunca saber onde ela está ou, como acontece muitas vezes, ser confundida com uma caneta tradicional e arrumada ao lado das Bics.

O teclado é, para mim, obrigatório (e onde estou a escrever toda esta matéria). Este novo Type Cover é mais fino que o anterior, e como já expliquei, ligeiramente mais largo, o que permite um outro layout mais espaçado, perfeito para quem escreve. É até interessante como mudei rapidamente de hábitos, pois vejo-me a usar tanto as teclas como o ecrã táctil sem sequer pensar nisso, mas que me facilita a acção e torna mais rápido todos os movimentos. As teclas são retro-iluminadas, o que é extraordinário se levarmos em conta a estrutura do bloco. Contudo, não é perfeito e começou a ficar muito lento e com bastante lag no momento em que entrou no modo de poupança de bateria. Um problema que deverá ser anotado pela Microsoft.

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Concluindo

Existe ainda espaço para melhoramentos. Na utilização conheci alguns crashes, e, por exemplo, um white screen no Edge que só ultrapassei depois de reiniciar o equipamento. Tenho também conhecimento de algumas queixas em relação ao trackpad mas que, comigo, nunca criou um problema. Mas esta máquina é pensada para uma experiência perfeita com o Windows 10 e a Microsoft continua a lançar updates de melhoramento de sistema.

A grande questão é se considero o Surface Pro 4 como opção para substituir de uma assentada os meus computadores. Bom, comparando directamente com o Mac, posso dizer que prefiro, para o dia a dia, o Surface. É infinitamente mais leve e fino e convida ao seu transporte diário, como se fosse uma sebenta. Mas é uma sebenta cara se quiser ter um processador competente… Quanto ao desktop, prefiro continuar como estou, pois dá-me mais consistência para uma utilização 24/7.

A questão da utilização é fulcral para esta escolha. Se for uma pessoa que utilize a suite Office, navegue na net e veja uns filmes em streaming, pode ser a escolha certa. A qualidade de imagem é fantástica e o som, para este form factor, apenas fabuloso. Mas para quem precisa de mais velocidade de processamento, há que fazer contas, pois será necessário investir a sério para se ter um topo de gama. E, não esquecendo, a concorrência pode até vir da própria Microsoft com o seu muito aclamado Book.

 

PVP: Surface pro 4: €1.499 (modelo i5 8GB/256SSD)

PVP: Type Cover: €155

 

 

 

João Gata

Começou em vídeo e cinema, singrou em jornalismo, fez da publicidade a maior parte da vida, ainda editou discos e o primeiro dos livros e, porque o bicho fica sempre, juntou todas estas experiências num blogue.

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