Estudo Netflix revela preferências dos portugueses consoante a hora do dia e o género de série/conteúdo.


Todos nós gostamos de séries televisivas (os que dizem que não podem passar já ao post seguinte) e, logicamente, temos as nossas favoritas.

Vem-me à memória, por exemplo, coisas tão antigas como o Espaço 1999, Bonanza ou até Os Pequenos Vingadores. Hoje em dia, viro-me para coisas um pouco menos simpáticas e sou fanático por duas dezenas de plots, dos quais destaco o Black Mirror ou o Mr. Robot, só para citar duas.

Isto de ver séries antigamente obrigava a esperar, leram bem, esperar UMA SEMANA, sete dias completos, pelo novo episódio. Uma loucura, garantem os mais novos que (pelos estudos) só conseguem concentrar-se em algo até oito míseros segundos. Pois esta espera tinha uma causa/efeito: passávamos a semana a discutir a história e o futuro dos personagens. E isso garantia, para além de aproximidade humana e discussão oral (confraternização), tempo para memorizar tudo e todos. Por isso é que a malta da minha geração se lembra muito bem dos episódios do Alf, dos pequenos crimes em Hitchock apresenta, ou, vá lá, do Bobby a acordar após um ano morto no “sonho” da Pamela.

Mas isto começou a mudar com os primeiros videogravadores que nos permitiram saltar o tempo.

Agora, essa função nem é necessária, pois serviços de streaming, como a Netflix, oferece-nos toda uma época da série preferida de rajada. E a malta prepara-se para engolir quatro ou cinco episódios de cada vez, assim como os kg de pipocas caseiras que vai preparando no micro-ondas.

A Netflix, sabendo desta mudança radical de hábitos (até fala de maratonas televisivas), vai fazendo os seus estudos: “Durante anos tivemos que moldar a nossa vida em torno da televisão, agora é o oposto”, afirma Cindy Holland, vice-presidente de Conteúdos Originais da Netflix. “Demos o controlo aos consumidores e é interessante ver como reagem quando não estão sujeitos a uma grelha de programação definida por horários nobres. É ainda mais interessante ver como este padrão é replicado no mundo inteiro.

Sendo assim, enviou aos media um resumo do que já conhece do consumidor português. Deixo os dados na íntegra, mudando apenas o erro gramatical que o acordo ortográfico promoveu:

Conteúdo familiar para o pequeno-almoço

Os portugueses elegem o conteúdo familiar para começar o seu dia. Assim, entre as 07h00 e as 10h00, o consumo deste tipo de conteúdos cresce consideravelmente, sendo às 08h00, o momento em que se dá o maior aumento, 106%, em comparação com o resto do dia.

Apesar deste aumento matutino, é importante destacar que em Portugal qualquer momento do dia é bom para desfrutar de séries familiares. Comprovado pelo facto de se manter acima da média entre as 07h00 e as 19h00, face a outros países cujo consumo só ocorre pela manhã. Não há dúvida que os portugueses gostam da companhia matutina de títulos como Uma Série de Desgraças, Beat Bugs ou Skylanders Academy, entre outros.

As refeições servem-se com uma dose de terror

Quando são os espeCtadores a marcar os horários e não a estação de televisão tradicional, a hora das refeições torna-se no momento ideal para continuar a maratona. Em todo o mundo, a visualização de dramas conta com quase metade das visualizações globais (47%) durante a hora de almoço – do meio-dia às 14h00 – o que significa um aumento de 5% em comparação com o resto do dia.

Porém, é curioso ver como em Portugal as séries de terror estão entre as que tiveram um maior aumento neste intervalo de horas, com cerca de 26% face ao resto do dia. Quem disse que séries como American Horror Story ou Scream são para ver apenas à noite?

Na hora do jantar, os portugueses optam por thrillers

Não surpreende que thrillers como The Walking Dead, Dexter, Breaking Bad e Stranger Things sejam algumas das séries mais vistas à noite em Portugal. A nível mundial este género de conteúdos apresenta um aumento de 27% a partir das 21h00, sendo que em Portugal falamos de 22% comparado com o resto do dia.

Curiosamente, e num estilo totalmente oposto, a partir da 01h00 a comédia começa a ter protagonismo, atingindo o pico máximo de visualizações às 05h00 (28%).

Assim podemos afirmar que a determinado momento da noite trocamos Dexter ou Demogorgon (Stranger Things) por Kimmy Schmidt (The Unbreakable Kimmy Schmidt), Ross Geller (Friends) ou Dev Shah (Master of None).

Os noctívagos preferem aprender

O estudo revelou também outros dados bastante curiosos. Globalmente, 15% do streaming acontece entre a meia-noite e as 6h00, sendo que em países como o Japão e a Coreia do Sul esta percentagem sobe até aos 21%.

Mas o que estes noctívagos vêem pode não ser o que se espera. Documentários, tais como Chef’s Table, Making a Murderer e Planet Earth fazem sucesso a essas horas, tendo um aumento de visualizações de 24%. Em Portugal aumenta para 35%, às 05h00.

Qualquer hora é uma boa hora para ver a Netflix

Os espeCtadores adaptarem os seus horários para ver televisão é um procedimento quase ultrapassado. Graças à Netflix são eles que definem o seu próprio horário nobre. Assim, tanto podem existir picos de visualização às 17h00 na Índia, às 21h00 na Colômbia, Estados Unidos, França e Grã-Bretanha ou como às 22h00 no caso de Portugal, Espanha, Itália Argentina e México.

Os preferidos dos Portugueses:

Os cinco títulos mais populares em Portugal na hora do dia em que mais se consome Netflix (22h00) são: Friends, Narcos, Orange Is The New Black, Gilmore Girls e Suits. No que ao tipo de conteúdos se refere, em Portugal, destacamos o drama, comédia, ação, a ficção científica e os thrillers.

João Gata

Começou em vídeo e cinema, singrou em jornalismo, fez da publicidade a maior parte da vida, ainda editou discos e o primeiro dos livros e, porque o bicho fica sempre, juntou todas estas experiências num blogue.

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