Honda NM4 Vultus

Confesso que gosto de motas. Lá o andar em cima delas é outra coisa. Mas todos os anos, quando o sol desponta e enfrento mais uma fila de automóveis ocasionada por uma ordem camarária ou erro de projecto ou teimosia de algum mandante, vejo a rapaziada das scooters a furar alegremente a imensidão de carros com condutores muito chateados ao volante. Nem é a questão da espera, mas também da poluição e do stress. Dá-me logo aquela vontade de deixar o carro ali mesmo e comprar a primeira scooter que encontrar. Mais a mais, tenho umas ideias bem engraçadas para pintar o capacete…

Mas tenho de ter cuidado quando menciono este meu desejo quase secreto, pois sou imediatamente atacado por quem gosta muito de mim (olha os acidentes, o teu corpo é o pára-choques, etc) como “mimado” pelos motards conhecidos (não percebes nada disto, a scooter não é uma mota, etc).

Pois bem, quando a Honda lançou a Integra 700 mostrei entusiasmadamente ao mundo aquilo que é, para mim, a feliz mistura dos dois mundos> uma scooter com pinta e potência de motão. E toda a gente concorda que é fantástica, embora demasiado dispendiosa para o bolso português.

Qual não é a minha surpresa quando abri um dos comunicados de imprensa da marca e me deparo com a fotografia desta fantástica NM4 Vultus, um modelo inovador e que reflecte, atenção, as perspectivas das bandas desenhadas japonesas (anime, manga…). Não acham fenomenal?

Tem o meu nome escarrapachado por todo o lado mas, como não percebo nada de ciclística e tempos e quadros, deixo-vos, primeiro, com as palavras do Sr. Keita Mikura, Chefe de Projecto da NM4 Vultus e depois todo o comunicado que, sei, vai ser lido de fio a pavio por muitas pessoas.

“A Honda é uma grande empresa. Fabricamos todo o tipo de motos. Por vezes, é fantástico que façamos um determinado modelo apenas porque podemos e porque queremos fazê-la e não apenas porque “devíamos”. A NM4 Vultus existe graças à paixão enraizada na nossa empresa. Quisemos criar qualquer coisa de especial, não apenas no mundo das duas rodas, mas verdadeiramente única em todo o mundo – um modelo que ocupe a alma humana como nenhuma outra. A nossa intenção foi criar algo que tornasse cada momento cinéfilo e que cada experiência de condução fosse sempre um acontecimento”

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comunicado de imprensa

Generalidades do Modelo

A “urbanite” jovem e ligada aos meios de comunicação social vive uma existência digital, num mundo em rápido movimento. E esta camada de pessoas citadinas está totalmente ligada ao que é novidade. Sem margem para dúvidas, a NM4 Vultus é isso mesmo. É avant-garde, tanto em termos de aspecto, como também e, talvez mais importante, nos detalhes colocados na criação de uma experiência de condução única. O painel de instrumentos reactivo – com cores diferentes que mudam consoante o modo de condução – e o banco reclinável do passageiro, que serve como encosto para o condutor, são apenas dois exemplos.

A palavra Vultus significa em Latim aparência, expressão – ou face. A NM4 Vultus, com as luzes de LEDs, com o seu estilo “choque-futurista” e silhueta de “bombardeiro-camuflado” oferece uma aparência nunca antes vista na cidade… só nos filmes de anime…

Por baixo desta “ameaça potencial”, encontramos um motor e uma ciclística de referência. O seu motor bicilíndrico de 745 cm³, repleto de tecnologias de baixa fricção e inclinado para a frente, permite criar espaço e oferece uma base de trabalho com baixo centro de gravidade. Com binário e potência fortes, a baixa e média rotação para uma aceleração suave, juntamente com baixos consumos, vem equipada de fábrica com transmissão de dupla embraiagem (DCT), dando ao condutor a escolha entre os modos automáticos D e S – onde basta acelerar – e um modo manual comandado por botões, tal como numa consola de jogos. Intuitiva e fácil de conduzir, esta transmissão aumenta o factor ‘futurista’ da NM4 Vultus, numa moto complementada pelas performances cheias e utilizáveis do seu motor.

Complementando o seu fantástico motor, o quadro rígido em aço é complementadopor uma forquilha telescópica de 43 mm, mono-amortecedor traseiro com Pro-Link,travões de disco de grande diâmetro, jantes de liga leve de 18 polegadas à frente ede 17 polegadas atrás – com pneu traseiro ‘gordo’, de largura 200 – oferecendoníveis de maneabilidade, feedback e estabilidade de moto de estrada.

Estilo e Equipamento

A moto é larga – 810 mm à frente, 933 mm entre espelhos – baixa e comprida e o banco tem apenas 650 mm de altura. Inspirada pelos harmónicos e pelos biliões de bytes que formaram a imaginação do seu criador, as influências dos cartoons manga e anime em toda a NM4 Vultus são óbvias e evidentes em todos ângulos e curvas, especialmente na parte frontal: a sua “cara” ampla e angular nunca passará despercebida.

A iluminação é integralmente por LEDs, com os piscas dianteiros e os espelhos incorporados nas carenagens, enquanto o farol está emoldurado por uma linha definidora de LEDs azuis. Todos os componentes estão ocultados ao máximo – com apontamentos de aço-inox cuidadosamente distribuídos aqui e ali – a Vultus só está disponível numa cor: preto mate.

A pergunta óbvia na mente de cada condutor da NM4 Vultus será “de que filme é que ISTO veio?”. O seu aspecto é assim tão arrojado! E, sendo um modelo saído da cultura de “coração acelerado” dos cartoons manga japoneses, será sempre uma moto diferente do resto. Após se ter absorvido a presença marcante inicial da moto, o pensamento subjacente à sua concepção torna-se mais evidente.

Os espaços para arrumação abundam, ocultos na parte frontal. O compartimento fechado, do lado esquerdo, abre com a chave da ignição e possui 1 litro de capacidade e tomada de 12V para recarregar os “gadgets” do condutor enquanto este conduz. O compartimento do lado direito tem 3 litros de capacidade e abre carregando num botão triangular rebaixado. As malas laterais opcionais integram-se de forma fluida e acrescentam maior capacidade de carga e conveniência.

E, num daqueles momentos “mas como é que ainda ninguém tinha pensado nisto?…”, o banco do passageiro pode ser colocado na vertical, quando não está em uso, oferecendo um encosto seguro para o condutor, dando-lhe uma posição de condução semelhante à posição de pilotagem de um avião de combate. O ângulo de inclinação pode ser regulado em 3 níveis e o encosto pode mover-se para trás e para a frente numa distância de 25 mm, em quatro posições, personalizando a posição adequada a cada condutor.

O painel de instrumentos digital muda consoante o modo de condução seleccionado, com alterações subtis de cor entre Neutro (branco), MT (vermelho), Drive (azul) e por último Sport (rosa). O condutor pode também escolher entre cinco outras gamas de tonalidades de cor – 25 cores individuais ao todo – de acordo com a sua preferência, numa base diária.

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Transmissão de Dupla Embraiagem (DCT)

Em linha com a sua sedução “avant-garde”, a NM4 Vultus está equipada de origem com a exclusiva transmissão DCT da Honda, especialmente ajustada para uma percepção de aceleração suave.

A transmissão DCT oferece mudanças consistentes e ininterruptas, tornando-se muito rapidamente um sistema de “segunda natureza”. Este sistema usa duas embraiagens: uma para o arranque e para a 1ª, 3ª e 5ª e a outra para a 2ª, 4ª e 6ª velocidade, com o veio primário de cada embraiagem localizado no interior do outro, num conjunto compacto. Cada embraiagem é controlada de forma independente pelo seu próprio circuito electro-hidráulico. Quando ocorre uma mudança de velocidade, o sistema pré-selecciona a próxima mudança por intermédio da embraiagem que não estiver a ser usada. Depois, a primeira embraiagem é desengrenada electronicamente ao mesmo que, em simultâneo, a segunda embraiagem engrena.

Isto resulta em mudanças consistentes, rápidas e ininterruptas. Além disso, enquanto as embraiagens gémeas transferem a tracção de uma mudança para a mudança seguinte com o mínimo de interrupção à roda traseira, qualquer choque das mudanças e inclinação longitudinal da moto são minimizados, num sistema com uma sensibilidade e uma suavidade impressionantes.

Com benefícios adicionais tais como a maior durabilidade (já que não é possível danificar os carretos por mudanças mal metidas ou falhadas), impossibilidade de deixar a moto ir abaixo, condução urbana menos cansativa e menor fadiga de condução, o sistema DCT tem vindo a obter cada vez maior aceitação no mercado, com uma popularidade rapidamente crescente.

Há três modos de funcionamento disponíveis. O modo MT permite um controlo total manual, dando ao condutor a liberdade de escolher a mudança pretendida através dos botões no guiador. O modo automático D é ideal para a condução em cidade e em auto-estrada, mas obtendo excelente eficiência de combustível. O modo S é mais desportivo e a ECU deixa o motor subir um pouco mais de rotação antes de engrenar uma mudança mais alta, oferecendo maiores performances. Nas desacelerações, o sistema engrena antecipadamente uma mudança mais baixa, oferecendo a sempre útil travagem adicional do motor.

Seja em modo D ou em modo S, o DCT permite o comando manual imediato, caso seja necessário – basta que o condutor seleccione a mudança pretendida através dos botões de mudança mais alta ou mais baixa do punho esquerdo. Na altura apropriada, o DCT retorna sem intervenção do condutor ao modo automático, dependendo do ângulo do acelerador, da velocidade do veículo e da mudança engrenada.

Além disso, em modo “D”, o sistema DCT detecta variações nas acções do condutor, típicas de determinados ambientes de condução, desde o trânsito congestionado da cidade, às curvas encandeadas das estradas de montanha e adapta a programação das mudanças em conformidade com a situação, criando um nível extra de compatibilidade de condução. As mudanças em “kickdown” (acelerador a fundo) são naturais e intuitivas.

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Motor

O motor bicilíndrico compacto de 745 cm³, 8 válvulas SOHC e refrigeração por líquido que equipa a NM4 Vultus é uma unidade prática, económica e de baixas emissões. O seu design fundamental assegura performances vigorosas na gama de baixa a média rotação. A sua arquitectura de curso relativamente longo e câmaras de combustão de formato especial combinam-se com a cambota de elevada massa inerte para produzir grandes quantidades de binário fácil e sem esforço, logo desde muito baixa rotação. A potência de ponta de 40,3 kW é alcançada às 6.250 rpm, com um pico de binário forte de 68 N·m.
O diâmetro é de 77 mm e o curso mede 80 mm, com uma relação de compressão de 10,7: 1. O motor possui dois veios de equilíbrio para contrariar a vibração da inércia a alta rotação. Assim, esta unidade é requintada, mas retém o “palpitar” característico dos 270° da sua ordem de ignição. Onde possíveis, os componentes realizam mais do que uma só tarefa. A árvore de cames acciona a bomba de água e um dos veios de equilíbrio comanda a bomba do óleo.

A rampa de aceleração é comum aos dois cilindros e possui 36 mm de diâmetro e a combustão limpa também minimiza as emissões nocivas do escape; o sistema PGM-FI de injecção de combustível fornece adequada mistura ar/combustível graças ao sensor de oxigénio presente no escape. Os valores de consumo de 3,5l/100km (modo WMTC) são particularmente impressionantes, permitindo autonomias superiores a 300 km por cada depósito de 11,6 litros de combustível. 

O catalisador de elevada absorção está localizado perto do motor – como resultado, o catalisador atinge a temperatura de funcionamento muito mais rapidamente, após o arranque a frio, contribuindo para reduzir ainda mais as emissões. 

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Ciclística

O quadro robusto na base da NM4 Vultus é em aço e tem formato em diamante, oferecendo os elevados níveis de rigidez necessários para obter uma maneabilidade ágil e responsiva, numa diversidade de condições, desde a condução em ambiente urbano, a uma utilização em estrada aberta. A inclinação da coluna da direcção é de 33° e o eixo de arraste (trail) é de 110 mm, numa distância entre eixos de 1.645 mm, com a distribuição de peso entre a dianteira e a traseira num equilíbrio de 49/51. Atara (peso em ordem de marcha) é de 245 kg.

A forquilha telescópica tem 43 mm de diâmetro e curso de 125 mm. O mono-amortecedor traseiro tem 100 mm de curso e trabalha sobre uma biela Pro-Link, com um curso suave no início, para absorver as irregularidades a baixa velocidade. O braço oscilante em alumínio de baixo peso melhora as reacções e o controlo da suspensão.

Na frente, o disco ondulado de 320 mm de diâmetro e a pinça de dois pistões oferecem potência de travagem suficiente e fácil de modular e são complementados pelo disco ondulado de 240 mm e pela pinça de um pistão na traseira. O ABS de duplo canal ajuda a reduzir bastante a possibilidade de as rodas bloquearem ao conduzir em estradas de superfície escorregadia ou molhada.

As jantes em alumínio fundido e design exclusivo de 10 raios – 18 x 3,50 polegadas à frente e 17 x 6.25 polegadas atrás – têm acabamento a preto e equipam respectivamente com pneus 120/70 ZR18 e 200/50 ZR17.

 
Acessórios
Os acessórios disponíveis para a NM4 Vultus incluem um vidro mais alto, Punhos aquecidos, malas laterais e alarme.

João Gata

Começou em vídeo e cinema, singrou em jornalismo, fez da publicidade a maior parte da vida, ainda editou discos e o primeiro dos livros e, porque o bicho fica sempre, juntou todas estas experiências num blogue.

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