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Trata-se de uma câmara ideal para utilizadores avançados, pois vale a pena trabalhá-la manualmente, num tamanho muito compacto e com um sistema de focagem de topo.

A Panasonic tem vindo a galgar terreno, posso até dizer, fotográfico. Parece que descobriu a fórmula de melhoramento anual da sua marca emblemática, a já conhecida e procurada Lumix. Este toque de Midas está presente nos mais recentes modelos, de onde se destaca a nova Lumix G7.

Posso até compará-la directamente com a G5 que me tem acompanhado, pois é a unidade que tenho para a “guerra”, e as diferenças são notórias: um corpo muito mais compacto, uma linha de design que apela aos sentidos mais nostálgicos e a fantástica tecnologia empregue nas novas lentes que também conseguiram o milagre da miniaturização.

Se a GH4 (ler ensaio aqui) é uma unidade apontada para profissionais vídeo, a G7 é a versão “mais fotográfica”, embora também possibilite a gravação vídeo 4K, elemento qualitativo transversal aos novos equipamentos da marca japonesa. Aliás, esta pequena mirrorless cheia de controlos físicos, garante resultados extraordinários em termos de vídeo e fotografia. Se a isto juntarmos um visor OLED muito luminoso e informativo, para alem de um ecrã táctil rotativo, temos um formato claramente vencedor.

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Uma das conclusões mais esclarecedoras tem a ver com a comparação com a desejável mas dispendiosa GH4. Parece que a Panasonic encolheu a dita o que resultou na G7. E se isto basta como cartão de identidade para muitos, há que explicar o motivo pelo qual fiquei fã desta Lumix.

De salientar que há concessões: o corpo é de plástico em vez de alumínio ou metal. Se por um lado favorece o peso, por outro retira-lhe aquele toque que os topos de gama transmitem a quem os utiliza. O design retro, contudo, está muito bem conseguido, principalmente nas unidades com dois tons cromáticos, e o novo corpo, mais pequeno que a G5 mas um tanto maior que a G6, oferece um punho mais saliente e encorpado, o que me garante maior grip.

Há comandos físicos por todo o lado: seis botões FN programáveis, rotativos à frente e atrás para os valores ISO e balanço de brancos, novo visor electrónico LVF com resolução melhorada até 2.036k, um super ecrã táctil com 3” ecrã duplo OLED de alta precisão e de velocidade ultra dupla com 1040 pixels, muito prático como complemento funcional e não nos podemos esquecer de uma grande vantagem: as Lumix, como câmaras micro 4/3, têm à disposição todas as lentes de sistema assinados também pela Olympus.

Uma das enormes vantagens que tenho experimentado com as micro 4/3 é a velocidade do auto-focus. A Olympus OM-D (ler ensaio) deu-me as chaves para o Olimpo da focagem, e proporcionou-me alguns bonecos de gaivotas em voo que teria sido muito difícil com outra unidade.

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É neste campo que a G7 também se destaca. Basta meio toque de pressão no obturador para estar focado. É assim, nem damos por ele. Muda-se repentinamente para ali, já está. Para acolá, também. De salientar que se pode desligar o som “bip” deste processo, bastando olhar para o quadrado verde confirmativo. Para fotografias de objectos rápidos, como automóveis em corrida ou pássaros, o modo Burst com 8fps garante quase sempre um bom resultado. Podemos escolher vários modos de focagem (detecção de caras e sorrisos, por fase, tracking, um ponto, 49 pontos, área e pinpoint (ainda exclusivo), dependendo das necessidades, e a rapidez é transversal. Mesmo em situações pouco iluminadas, o sistema garante resultados imediatos. Se a isto juntarmos a facilidade que é escolher o ponto de focagem por toque no ecrã, percebemos as reais vantagens desta máquina e de toda a tecnologia incorporada. Francamente, é mesmo muito bom.

O novo e melhorado sistema de redução de ruído multi processo (NR) consegue uma redução de ruído muito eficiente e um processamento dos detalhes que se adapta a cada contexto e às mais diferentes circunstâncias de cada disparo. Além disso, o novo filtro Random suaviza o ruído cromático e difunde a imagem de modo a se conseguir uma imagem mais natural que reproduz com exactidão o que o utilizador observa no momento. A nova tecnologia NR também permite que a G7 seja capaz de disparar uma ISO até 25600.

O sistema de contraste AF da Lumix G, com uma transmissão até 240 imagens por segundo, oferece um ponto de foco rápido e suave. O sistema de contraste AF da Lumix G7 foi optimizado com a tecnologia Depth From Defocus (DFD), que reduz o tempo de foco.

panasonic-lumix-dmc-g7-12 panasonic lumix g7 Panasonic Lumix G7, aposta total no 4K a preço certo panasonic lumix dmc g7 12

Por sua vez, o sistema AF Low Light permite focar o sujeito de forma mais rápida e precisa em contextos muito pouco iluminados. Para além disso, a G7 é o primeiro modelo que contem Starlight AF, um sistema que permite capturar estrelas e constelações durante a noite.

Mas o que dizer do tal 4K? Afinal, perguntaram-me, como podemos considerar 4K uma objectiva de 16MP que depois resulta num ficheiro de 8MP “rebaptizado” por 4K? Bom, o que se passa é que esta “fotografia” é, afinal, um ficheiro vídeo em 4K MP4. Desse podemos escolher um fotograma dos demais, o perfeito. Mas tudo isto consegue-se à conta do software e nem temos ficheiros RAW para uma edição profissional. Por muito que os resultados sejam bons, chamá-los 4K é um bocadinho exagerado. Contudo, em vídeo tudo muda e a qualidade é a palavra de ordem: gravação a 3840 x 2160 a 24/25 ou 30fps (máximo de 100Mbps em modo MP4) ou 28Mbps a 50/60p.

A nova G7 inclui três novas funcionalidades dentro do 4K Photo:

4K Burst Shooting permite até 29 minutos e 59 segundos de gravação contínua oferecendo 30 imagens por segundo, que pode ser utilizada bastando apenas carregar no botão de disparo.

4K Burst (Start/Stop) permite iniciar o disparo consecutivo carregando no botão e pará-lo com um segundo toque no mesmo, ideal para obter fotografias que requerem tempo de espera e fotografias em movimento, conseguindo sempre captar o momento perfeito.

4K Pre-Burst grava automaticamente 30 frames por segundo antes e depois de carregar no botão de disparo, oferecendo um total de 60 frames, ou seja, 60 oportunidades para captar o momento perfeito.

Tanto a opção 4K Burst Shooting como a Burst (Start/Stop), permitem gravar quase 30 minutos de vídeo de maneira contínua e numa única gravação, oferecendo ao utilizador dezenas de milhares de possibilidades numa grande variedade de resoluções de imagem: 3840×2160 (16:9), 3328×2496 (4:3), 3504×2336 (3:2) e 2880×2880 (1:1).

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A esta panóplia de tecnicismos, o que também interessa é a capacidade criativa que a máquina permite: e se vos disser que os sistemas de auto focagem são também possíveis em vídeo, já para não falar dos sempre necessários controlos manuais? Sim, a G7 é perfeita neste campo (nunca se esqueçam que estamos a falar de uma câmara realmente compacta e leve).

Concluindo, a Panasonic Lumix G7 é a câmara ideal para utilizadores avançados, que já possuam algum conhecimento técnico, pois vale a pena trabalhá-la manualmente e, acima de tudo, produzir até vídeos profissionais. É uma todo-o-terreno que se adapta a condições várias, desde uma Lisboa muito iluminada quanto uma atmosfera fracamente iluminada. Os resultados são de realçar ainda por cima tendo em conta o preço proposto. Será muito difícil para a concorrência oferecer-lhe uma alternativa real e à medida.

PVP:  799,9€ (com lente 14-42mm)

 

 

 

João Gata

Começou em vídeo e cinema, singrou em jornalismo, fez da publicidade a maior parte da vida, ainda editou discos e o primeiro dos livros e, porque o bicho fica sempre, juntou todas estas experiências num blogue.

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