AX800

Antes da avalanche sul-coreana, o mundo dos televisores estava dominado pelos alemães e japoneses. Qualidade de imagem e construção foram, sempre, marcas de água de uma mão cheia de logotipos, mas o mundo mudou e alguns dos emblemas mais conhecidos não conseguiram sobreviver à famosa globalização ou, mais concretamente, ao dumping de preços a que temos assistido nos últimos 10/15 anos. Mas, como em todos os campos destruídos por guerras, há sempre uma flor que sobrevive, uma planta que renasce, uma árvore que teima em ficar firme. E, aproveitando esta analogia, aponto a Sony e a Panasonic como derradeiras representantes de uma época que tem conhecido uma evolução tremenda. Ambas têm conseguido o impensável que é, por um lado, resistirem estoicamente aos múltiplos e concentrados ataques sul-coreanos, como ainda, numa óptica qualitativa, estarem um pouco à frente. Pelo menos para o meu gosto, pois sempre preferi tons mais neutros e realistas a cores mais sumptuosas e puxadas.

A Panasonic AX800 chegou-me depois da Sony X9, o primeiro ensaio a que dei um 10 redondo, nota máxima aqui no Xá das 5. Mas não posso compará-las, pois têm um target diferente e valores tremendamente díspares. De qualquer forma, fica uma certeza: em termos de qualidade de imagem, estão muito equiparadas o que só é bom para quem escolher uma delas.

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A Panasonic foi das marcas que apostou na tecnologia Plasma (ao lado da Pioneer e Fujitsu, para citar exemplos) e conseguiu ter um lugar à parte e ser sempre desejada por quem procurava, acima de tudo, a melhor qualidade disponível no mercado de consumo. Mas a partir do momento em que decidiu descontinuar esse segmento de produção, muitos clientes fieis esperavam e desesperavam por uma solução que conseguisse “chegar aos calcanhares”. Não foi um “parto” fácil, mas estou convencido que esta 4K consegue respeitar esse ideal.

Antes de mais, o design: a AX800 tem uma moldura fina e assenta num pé longitudinal com uma abertura ao longo de toda a extensão do ecrã. Esta solução faz com que ela pareça flutuar quando ligada, pois esta frente simples e linear esconde uma imensa e pesadíssima peça central que serve como apoio central e principal. Aliás, a própria AX800 fica “encostada” nesta base, o que lhe provoca uma inclinação de alguns graus (176), quanto a mim, o ponto menos conseguido do conjunto, sempre um pouco “bamboleante” demais para o meu gosto. Outro problema é a altura da mesa de apoio que, se for mais alta que o normal, provoca a que essa inclinação se faça notar, se não na própria qualidade de imagem, na percepção que temos dela.

Sendo um televisor topo de gama, é natural que o dinheiro pague alguns luxos para além da qualidade 4K e uma delas é o reconhecimento físico dos utilizadores do televisor. Sim, escrevi utilizadores em vez de espectadores, pois como tem vindo a ser habitual, a Panasonic equipa os seus televisores com todo um conjunto “smart TV” que possibilita a que cada elemento do agregado familiar possa programar individualmente o seu próprio ecrã inicial, My Home Screen (com o rectângulo maior a emitir tv ladeado por outros mais pequenos que exibem desde os sites preferidos a redes sociais, para além de outra informação). Cada utilizador pode ser fisicamente reconhecido pela AX800 que automaticamente abre as preferências anteriormente seleccionadas. Este reconhecimento pode ser feito através de imagem (rosto) ou voz.

Para comandar por voz as funções, temos à disposição um comando com painel táctil e microfone, bem mais pequeno que o clássico “mastondonte” que, neste caso, até é de metal, bem pesado por sinal. O comando táctil já não é novidade na marca, mas foi alvo de melhorias. Tem mais funções com teclas que o anterior, mas continua a ter algum lag durante a utilização.

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O painel traseiro está recheado de ligações. Pensei, aquando a montagem da base, que esta (devido à dimensão e peso) concentrasse as ligações. Nada mais errado. As ditas estão colocadas “no local habitual”: três USBs, antena, Ethernet, audio digital out, RGB e três HDMI, sendo o primeiro 2.0 input (para conteúdos 4K a 60fps) e o terceiro com a norma ARC (Audio Return Channel, para permitir o controlo de uma soundbar com o comando Panasonic, por exemplo).

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A AX800 não esconde que é um topo de gama, muito pelo contrário. São tantas as funções que somos obrigados a um período de estudo, uma formação constante para conseguir tirar partido de todas as características. Disponível nos tamanhos de 50, 58 e 65 polegadas, está vocacionada para uma experiência cinematográfica intensa e envolvente. É de pasmar a qualidade de imagem com conteúdos 4K puros (guardo uma pen específica para este efeito). A nitidez, o contraste, os negros muito densos e cores realistas, mimam quem a olha. E garanto, passei horas a ver filmes, séries e até, pasme-se, TV em directo, o que faço cada vez menos.

Este  painel LED de última geração com , tem nos sistemas Studio Master Color, Studio Master Drive, Local Dimming Pro, entre outros, o garante para uma reprodução fidedigna, sem arrasto, pujante. Posso mesmo dizer que, em termos de imagem, rivaliza sem esforço com a X9 da Sony, o exemplo da perfeição.

Quanto ao som, tem certificação THX, as três letrinhas mágicas, VR-Áudio Pro Surround 2.1, Dolby Digital Plus/DTS 2.0+, mas não há milagres. As colunas frontais estão escondidas na base e conseguem apenas debitar 18 W. O woofer, na traseira, consegue alguma presença. O conjunto soa bem, consegue até vozes (e diálogos) claros, mas faltam-lhes graves para acompanhar o brilho imagético. Confesso que, se tivesse uma AX800, compraria uma soundbar. Ela merece!

Concluindo, é um excelente televisor e vem dar alento a quem ficou fã dos plasmas da marca. Consegue resultados fantásticos, mesmo na opção 3D (função que evito utilizar em qualquer equipamento), está equipada com tudo o que é necessário para uma vida moderna (streaming, comando e assistente por voz, partilha remota, TV anywhere, etc) com todo um software que a coloca num outro patamar, pois os ecrãs iniciais são verdadeiramente personalizáveis ao gosto de cada um, e após habituação, simples de utilizar… pelo menos para os mais esclarecidos nestas coisas da tecnologia e dos menus e dos comandos físicos e/ou vocais. Quanto a mim, e depois de viajar por eles, deixei-os de lado, pois o que me interessou nesta Panasonic AX800 foi a sua qualidade de imagem. E neste campo é das melhores.

 

Adenda: a AX800 vai ter upgrade HDCP 2.2 na porta HDMI 4, uma excelente notícia para quem a compra, pois torna-a à prova de futuro.

Para se ter uma ideia do que significa este HDCP 2.2, é clicar aqui.

 

PVP: 2299

 

 

 

João Gata

Começou em vídeo e cinema, singrou em jornalismo, fez da publicidade a maior parte da vida, ainda editou discos e o primeiro dos livros e, porque o bicho fica sempre, juntou todas estas experiências num blogue.

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