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Quando era miúdo, tinha uma pancada. Verdade verdadinha, tinha várias, mas foque-mo-nos apenas nesta em particular. Enquanto muitos dos miúdos à minha volta treinavam os remates à Roberto Carlos e as fintas do Figo, eu sonhava em ter o meu piano. Achava eu que trautear todas as músicas possíveis e imagináveis era o bilhete necessário para ter uma audição musical divina.

Aos 11 anos recebi um Yamaha dos grandes (com direito a disquete e tudo!). Se criei peças musicais dignas de colocar gárgulas de rocha a lacrimejar? Não. Depressa apercebi-me que o sonho se esquecera da necessidade de coordenação entre mão direita e esquerda.Contudo, apenas com uma mão, lá me desenrascava com o Grieg, o Frère Jacques e o Little Star.

carlos 2

Há uns tempos, por recomendação da minha caríssima esposa, descarreguei o Piano Tiles 2, temendo encontrar uma espécie de Synthesia – jogo onde competimos com um teclado de piano completo, carregando nas teclas ao ritmo da música e de indicações coloridas no ecrã. Não podia estar mais equivocado. Piano Tiles 2, da Clean Master, é mais Guitar Hero e arcada do que simulação e perfeição.

O jogo possui ecrãs muito simples, com um design um tudo ou nada berrante, onde podemos selecionar as músicas a tocar em lista. Obviamente que não começamos com todas disponíveis, sendo necessário subir de nível e desbloquear temas mais difíceis. Como funciona este level-up? Ora pois, tocando os diversos temas musicais.

Cada “nível” possui três etapas, da mais fácil e lenta à mais rápida e desafiante. Assim que terminamos uma música, podemos adquirir mais pontos para gastar na loja do jogo. Depois inicia-se o modo Endless Tiles e continuamos, numa prova de endurance, até perdermos.

Mas afinal, como se joga Piano Tiles 2? De preferência, com uns headphones na cabeça e polegares bem treinados. Se puder encontrar um ecrã com boa definição e tamanho, ainda melhor. Utilizei o Galaxy S7 edge e consegui o espaço necessário. Esta preocupação com o ecrã é válida, porque precisamos de todo o espaço possível para carregar nas teclas pretas. Vão caindo, ao som da música, e o desafio passa por pressionar todas no timing correcto.

carlos 1Parece simples, mas uma velocidade por vezes absurda deixa-nos mais perto duma tendinite do que do sucesso. A escolha musical é muito variada e debruça-se sobre os grandes autores clássicos, como Mozart, Beethoven, Chopin. Porém, a qualidade do som e a fidelidade do mesmo deixa, por vezes, a desejar. Para os mais puristas, encontrarão certamente duas ou três notas fora de sítio em alguns dos temas.

Não deixem é que isso vos impeça de se divertirem num jogo que não vos tornará, garantidamente, um pianista de craveira. Nem é esse o objectivo. Treinará os polegares, a paciência, a velocidade de reacção e o conhecimento musical. Só lhe deixo uma última advertência: Piano Tiles 2 é altamente viciante e imersivo. Dará por si a abanar a cabeça, concentrado, sem se preocupar com os esgares de esforço e quem poderá estar a vê-lo. Como eu, há uns dias, quando absorto pelo Tritsch Tratsch Polka, de Strauss, deixei o autocarro passar. Duas vezes. Mas valeu a pena – consegui bater o meu recorde.

 

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Carlos Duarte Mendes

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