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Finalmente, e depois de os ver na cabeça de comentadores, apresentadores e actores barra modelos, chegou a minha vez para experimentar os badalados Samsung Level Over, uma designação até um tanto ou quanto infeliz, pois não é fácil de memorizar rapidamente: Level One, Level Phoner, All Over, errei demasiadas vezes até conseguir acertar. Mas isso é de somenos importância. A questão é que são uns auscultadores de nível superior, com acabamentos espectaculares e um preço a condizer. E isto é bom ou mau?

Sou muito cioso com o que coloco nos ouvidos e ainda não possuo um par de conchas de grande qualidade sem fios. Sem fios, tenho uns LG muito interessantes para, enfim, desporto e uns antiquíssimos Sony de aro fino, acho que o primeiro modelo sem receptor à parte, cujas esponjas já se esfarelam com o toque do dedo. Na verdade, e ao longo dos anos, tentei várias vezes comprar uma solução overear, mas depois de experimentar, deixava-a na loja.

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Com os Samsung Level Over senti que, e finalmente, poderia ter chegado a hora para poder usufruir de todo o conforto que uma unidade com cancelamento activo de ruído e a magia do bluetooth permite: ouvir música sem afligir ninguém, de forma confortável e qualitativa. Porém, estes auscultadores têm pontos a favor mas também alguns contra.

Do lado bom está a magnífica qualidade de construção, união das peças e materiais usados. A versão que me calhou é em branco acetinado, que normalmente não prefiro, mas que faz um belo contraste com o poliuretano a imitar (e bem) couro em tom camel que protege as esponjas e o aro de apoio. Esta qualidade também se observa nos mecanismos em metal e nos poucos botões presentes: a concha esquerda guarda o on/off e o multifunção para emparelhamento e ligar/desligar o cancelamento de ruído. Ainda encontramos as duas ligações microUSB (para recarregar) e uma mini-jack 3,5mm (para usá-los de modo tradicional, ou seja, com cabo incluído no pack). Resta apontar o orifício para o microfone e outros três para o cancelamento de ruído, tudo muito bem disfarçado.

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Mas o que salta à vista é a tampa da concha esquerda que é táctil, ou seja, permite-nos comandar com ligeiros toques várias definições: um toque central para reprodução, dois para pausa, para cima mais volume, para baixo menos, lateral para a esquerda ou direita o avanço e recuo das músicas. Sinceramente, isto faz a diferença e é muito prático e rápido, pois não temos de memorizar onde estão colocados os botões dessas funções. Fiquei, neste ponto, maravilhado. A outra tampa toca-se para ligar ou desligar o cancelamento de ruído.

Mas nem tudo são rosas e, com a utilização diária, percebi que os Level Over também têm problemas: por exemplo, são muito grandes e não têm partes móveis, portanto, temos de transportá-los assim (dentro da bolsa semi-rígida que os acompanha). Também os achei pesados o que, com uma utilização prolongada, se começa a fazer sentir. E com estes 30 graus de temperatura ambiente, provocam ainda mais calor, devido às características físicas.

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Mas o que é mais importante é a qualidade de som e sinto-me dividido. Falta pujança e extremos que tornem o corpo mais denso e continuei à procura dessa atmosfera mesmo com audição através do cabo. É tudo muito certinho, muito limpo, muito “moderno”, sem lugar para surpresas. Ou seja, aquele punch que o baterista dá na tarola de vez em quando, é atenuado por todos os filtros. Os agudos estão muito definidos (no limite da sua waveform) e os médios demasiado controlados. Prefiro uma audição mais “analógica” se é que me faço compreender.

Na mesma altura que os experimentava, pedi à Sony um dos novos modelos Bluetooth e fizeram-me chegar os ZX770BN. Se o conceito é o mesmo, a construção e o target estão colocados mais abaixo, o que também se reflecte num preço mais democrático. Achei-os mais soltos e brilhantes, embora com uma qualidade de construção bem mais abaixo dos Samsung, mas que deu para ter um padrão de comparação na audição sem fios em médios/topo de gama. Com este método, regressei aos Level Over e percebi-lhes um equilíbrio tonal constante que, inevitavelmente, aumenta o conforto de utilização por mais tempo. Depende do género musical que o ouvinte prefira e da sonoridade a que esteja habituado. Em suma, são “bons sons” para as gerações digitais, mas não os indico para quem vem dos tempos analógicos.

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Termino com um apontamento bem útil: a app da Samsung (Android) que activa o interface SoundAlive e que nos permite alterar alguns parâmetros através de um prático equalizador é bem útil. E outra informação pertinente: cada carga serve para 15 horas de audição, valor mais que suficiente.

O problema é o preço: 349€ é muito dinheiro para dar por uns auscultadores e como não somos futebolistas que gastam os pontapés nos Beats, há que escolher o melhor modelo que o “money can buy”. E o melhor é feito por marcas com presença neste segmento ao longo de décadas. Contudo, Samsung, parabéns pela ousadia e padrão hitech.

 

 

João Gata

Começou em vídeo e cinema, singrou em jornalismo, fez da publicidade a maior parte da vida, ainda editou discos e o primeiro dos livros e, porque o bicho fica sempre, juntou todas estas experiências num blogue.

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