O que poderia ter sido o smartphone do ano viveu hoje o seu último capítulo. A Samsung colocou um ponto final no drama que tem fustigado o Note 7. E fiquei com muita pena.

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Um dos ícones máximos da galeria dos smartphones é, sem sombra de dúvida, o expoente tecnológico da sul-coreana Samsung que surgiu sob a designação Note. Estive presente na apresentação do Note II numa grandiosa festa feita para este pequeno computador de bolso com caneta stylus e logo ali desejei ter um. O Note abria horizontes criativos para quem tem jeito para o traço, profissionais para quem sempre usou uma Stylus e tradicionais como equipamento multimedia que também recebe e faz chamadas. É um modelo que sempre colocou a arqui-rival Apple em segundo plano. Ou colocava… hoje, dia 11 de Outubro, o fenomenal Note 7 recebeu a última machadada num processo complexo e demolidor para a marca: deixa de ser vendido. Quem ainda o tem, é aconselhado a nunca mais ligá-lo. Quem o deseja, vai ter de esperar pelo Note 8. Quanto a mim, confesso, fiquei viciado nele ao ponto de continuar a querer um mesmo sabendo que o final desta curta história não teve um happy-end.

Calhou-me para ensaio, durante Setembro, um Note 7 sem problemas de sobreaquecimento ou mesmo explosivos. Utilizei-o durante uns valentes 15 dias, mesmo tendo sido alertado pela marca após os primeiros dois ou três para os problemas que então começavam. Confesso que a partir daí continuei a recarregar o Note 7 mas durante o dia, ao alcance da vista e sempre colocando-o sobre uma bancada de cozinha ou à beira da piscina. Afinal, estava longe e de férias e… não tinha mais nenhum telefone comigo. Facto curioso: nunca sobreaqueceu nem mesmo durante esta operação diária (o meu anterior Xperia Z2 chegava a queimar a mão, entre outros terminais que chegam a assustar).

Durante este período foi crescendo a minha admiração pelo equipamento. Esta não decresceu aquando a notícia de mais uma ou outra explosão lá longe, num qualquer país. A minha unidade não era das afectadas e nem chegou a fazer parte do primeiro recall. Mas fez do segundo.

Com um Processador Exynos 8890 Octa-core (4 x 2,3 GHz Mongoose e 4 x 1,6 GHz Cortex-A53), o Note 7 é uma super máquina com 4 GB de RAM; 64 GB de armazenamento interno; Android 6.0.1 Marshmallow; TouchWiz UI; Ecrã Super AMOLED CURVO de 5,7″ UHD, Câmara principal com 12MP f1.7 com gravação 4K, frontal com 5MP + HDR; Sensor biométrico; Sensor/leitor de Íris; Sensor de batimentos cardíacos e fluxo de oxigénio no sangue, entre outras características mais ou menos “orelhudas”.

Ensaio ao Galaxy Edge 7

O que automaticamente salta à vista e ao toque mal o agarramos pela primeira vez, é o extraordinário ecrã curvo (em ambos os lados) à imagem do admirado Galaxy Edge 7. Se no Edge, porque escrevo textos no smartphone com os polegares, me enervei bastas vezes porque abria sempre as janelas laterais direitas porque tocava meio milímetro para lá do que era conveniente, tal foi mitigado no Note 7. O corpo está mais equilibrado o que permite maior fluidez de movimentos. A qualidade é francamente boa, tanto em pormenor e tratamento de cores, quanto à visibilidade sob forte luz solar (e garanto-vos que a vivi). O problema continua a estar no vidro traseiro que aconselha ao uso de uma capa de protecção. Os Galaxys são conhecidos pela fragilidade aquando quedas de uma altura não muito alta e quem avisa, amigo é. Os ecrãs laterais, que podemos escolher e até comprar, são a enorme mais valia desta solução. Funcionam, dão prazer a consultar, são rápidos e informativos e têm aquele factor wow que todos procuramos num rectângulo quase idêntico a todos os outros. A qualidade de construção está bem patente em todos os pormenores, mas uma maior atenção foi dada ao orifício para a nova caneta S-Pen. Após os problemas no anterior Note 5 (danos causados no interior devido à incorrecta inserção da stylus), desta feita a Samsung redesenhou a abertura e a própria caneta para ultrapassar essa situação.

Note 7 S Pen

A fantástica S Pen

É este pequeno tubo plástico que faz as delícias de tantos. A nova S Pen é agora resistente à água e ao pó, tem ainda mais funções e melhorou as existentes. Podem ver um resumo com animações explicativas no link oficial da marca (enquanto estiver disponível) bastando clicar aqui. Contudo, deixo uma breve lista: Notas num só lugar, Notas debaixo de água, Memo Screen-Off, Scroll e Captura, Criação de Gifs, Pré-visualização, Zoom e Tradução. De todas as acções, com a ponta mais fina de sempre e uma precisão a todos os níveis notável, são funções outrora complexas que agora se fazem com a maior das facilidades, com destaque para a criação de um GIF apenas ao seleccionar a parte de um vídeo, imagem ou texto. A aplicação Samsung Notes, das mais utilizadas por mim, grava automaticamente as notas ou desenhos e permite um elevado grau de criatividade através de ponta que podemos escolher da mais fina ao pincel mais grosso. E o que dizer da tradução automática? Basta seleccionar a parte do texto e já está. O botão físico lateral da caneta serve para alterar a função para uma borracha.

SAMSUNG

Desbloquear pelo dedo ou olho?

Dois sensores oferecem uma elevada garantia de segurança e protecção dos dados do utilizador. Por um lado, temos o já tradicional sensor biométrico colocado na base frontal. Confesso que nunca uso esta solução devido ao posicionamento, pois não me é lógico nem automático ter de agarrar o telefone com uma mão para pressionar com o indicador (ou outro) o sensor. Prefiro a solução traseira iniciada pela Huawei ou, ainda mais, a lateral que encontramos nos novos Xperia. Contudo, o sensor é rápido mesmo que, por vezes, obrigam a um duplo toque ou ao toque mais prolongado. A Huawei, neste campo, continua imbatível.

Quanto ao sensor de íris, confesso, não cheguei a experimentar. Era daquelas coisas que tinha deixado para último, mas infelizmente, a Samsung levantou o equipamento antes do tempo previsto (sim, foram buscá-lo bem longe de Lisboa, o que desde já arranca um aplauso pelo esforço e cuidado que a marca demonstrou em todo este processo de recall) com a promessa de mo devolver assim que os problemas fossem ultrapassados. Infelizmente, sabemos agora, que isso não irá acontecer.

A já famosa Câmara e outras maravilhas

Pois é, em equipa que ganha só se mexe para melhorar. Se a unidade é a mesma encontrada na gama 7, foi melhorada aqui e ali para ainda ser mais rápida e prática. Com o deslizar dos dedos tanto mudamos de câmara frontal para principal e vice versa, como abrimos o menu que nos possibilita um tratamento manual que replica mesmo o que se pode fazer em câmaras semi-profissionais. Sempre gostei desta unidade principal e considero-a (até ver o que a Sony conseguiu com a sua nova unidade que equipa o novo Xperia XZ) como a melhor da actualidade, superando por muito pouco a que equipa o LG G5 e por um pouco mais a dupla do Huawei p9. Infelizmente, não a vou usar novamente.

O ecrã Always-On é muito mais informativo neste Note 7 e possibilita uma personalização completa, desde o tipo de informação que desejamos ter no ecrã, a uma cor de fundo, à própria cor dos textos, etc. Muito bom.

SAMSUNG

A imensa tristeza de um sentido adeus

Fui dos poucos analistas do sector que não embarcou no histerismo colectivo com memes e trocadilhos. Talvez por tê-lo na mão, o que senti foi uma súbita tristeza. Aqui estava um terminal que eu próprio iria fazer uma tremenda ginástica para adquirir. A qualidade paga-se, sim, mas 900 euros por um telefone… é daquelas coisas que não compreendo nem espero vir a compreender. Mas há razões para que defendem um Note (e principalmente, este Note): é uma fabulosa ferramenta de trabalho. Com ele desenhei e fotografei, pintei e editei, escrevi e publiquei. Rápido como poucos, chega a ser excitante para as funções mais complexas do dia a dia pois sei que não vai falhar. Em suma, vale como telefone, tablet e computador, com Stylus e grande máquina de vídeo e foto, conjunto a que mais nenhum consegue actualmente chegar. Muito menos o maior “rival” da casa de Cupertino.

Será que vale a pena dar uma nota ao Smartphone que seria, sem sombra de dúvidas, a máquina do ano? Talvez não. Até ao Note 8.

 

 

 

 

João Gata

Começou em vídeo e cinema, singrou em jornalismo, fez da publicidade a maior parte da vida, ainda editou discos e o primeiro dos livros e, porque o bicho fica sempre, juntou todas estas experiências num blogue.

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