Samsung SUHD JS9500

Uma qualidade de imagem insuperável mas com preço extra terrestre e a necessidade de uma sala a condizer

Estou comprador de um novo televisor e, como tenho oportunidade de experimentar os novos modelos, vou construindo opiniões. Por exemplo, não me interessa a funcionalidade 3D. Por outro lado, exijo que as legendas em formato .srt sejam mostradas sem qualquer problema quando ligo uma pen USB ou puxo algum conteúdo do NAS. O som tem uma importância maior que o normal e não pretendo ecrãs superiores a 55″ por uma questão do espaço entre a parede e o sofá. Sou também muito exigente em relação às ligações, pois também pretendo mantê-lo activo por mais de cinco anos. E nem vos maço com algumas características técnicas, como Hz, filtros, motores, melhoramentos, sistemas operativos…

Consciente que todos estes parâmetros tornam uma minha decisão quase impossível, eis que a Samsung me telefona para avisar que vai enviar uma coisa especial. Num repente surge um monstro à porta. O caixote, enorme. Os dois coitados que a subiram, estafados. Mau, o que vinha aí? Era “apenas” o topo de gama da Samsung, o imenso, enorme e curvo SUHD JS9500. Uma coisa desde já vos garanto: ofereceu-me uma experiência, no mínimo, esclarecedora.

Depois da montagem, que foi uma aventura e que contou também com a coluna central curva e um sub-woofer, fiquei a olhar para um mega ecrã de 65″, mais largo que o móvel que lhe serviu de base. Esta extraordinária TV é o contrário do que esperamos numa unidade moderna: pesadíssima e com uma caixa grossa. Ah, ainda não expliquei uma característica: esta 9500 tem um fantástico ecrã curvo que, devido ao seu tamanho, realmente “abraça” quem lhe está defronte, no lugar do meio do sofá bem centrado com ela. Posso até dizer que esta 9500 fez de mim uma pessoa egoísta e já vão perceber porquê.

Samsung SUHD JS9000

À semelhança da Sony X9 (aqui também em ensaio) e devido ao mesmo “problema” – o peso -, a Samsung repetiu as conexões no dispositivo One Connect, uma caixa externa que é ligada por cabo específico ao televisor e que pode ser colocada em qualquer local para facilitar as ligações que, ao longo dos tempos, vão mudando, como bem sabemos. Na One Connect encontramos as entradas 4xHDMI, 4xUSB, Áudio e rede. É uma solução que traz conveniência, mas acima de tudo, pode ser actualizada ou substituída. E, quando se gastam todos estes milhares de euros num televisor, essa é uma questão importante, pois sabe-se lá quando é que surge mais uma conexão ou se tornam obsoletas as existentes.

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Não vou perder tempo com características técnicas, pois são muitas e podem ser facilmente consultadas no site oficial da marca, mas sim tentar possibilitar-lhes uma viagem sensorial. O meu sofá dista uns 5 metros da TV e diz quem sabe que o tamanho de ecrã adequado para colocar à frente é entre 45 a 50″. Tenho tido alguns modelos de 47, 49, 50, 55 e 65 polegadas que monto sempre à frente do meu pequenito e antigo 37″. A noção que tenho é que a “perfeição” está entre as 50 e 55″, portanto, uma de 65″ é grande demais. E sim, tenho sempre de ajeitar o sofá e preparar o pescoço para olhar mais para cima, pois o telão não cresce só em largura mas também em altura. Com um modelo anterior da mesma dimensão, confessei algum desconforto físico. Geralmente, pessoas que usam óculos com lentes progressivas têm maior dificuldade em atinar com o ângulo certo e, como é o meu caso, essa necessidade obriga a elevar um pouco mais o pescoço o que causa dores musculares ao fim de algum tempo.

Mas qualquer dor que pudesse sentir foi totalmente mitigada pela experiência visual que tive a faculdade de viver. Quando lá em cima escrevi que me tornei num ser humano mais egoísta, tal deve-se a passar a exigir o lugar do meio do sofá para ficar bem centrado com o ecrã e poder ser, como afirmei, “abraçado”. Não me confesso fã deste tipo de ecrãs, com uma excepção: se for com este tamanho, podem ficar com o meu dinheiro. Depois logo se vê como vou comprar uma casa com uma sala maior para olhar este ecrã como deve ser.

Samsung SUHD JS9500_1

A caixinha que mudou o mundo…. outra vez?

Vamos por partes. Esta 9500 terá de ser apreciada em três fases: a qualidade de imagem e o seu desempenho, as características inovadoras que a ligam ao mundo e a envolvência geral.

Samsung SUHD JS9000_1Ecrã curvo e qualidade UHD 4K já fazem parte do sonho de qualquer amante de filmes ou desporto, mas a Samsung elevou esta sua gama ao máximo qualitativo possível: tem reprodução HDR e sistema de cor Nanocrystal, garantes de um punch de cor e luz difíceis de descrever por palavras. Se tradicionalmente não fico encantado com o exagerado tratamento colorido sul-coreano, achei a 9500 extremamente equilibrada, pujante, posso até adjectivá-la de “expressiva”. Dei por mim a passar mais horas a assistir a séries e filmes, mas foi quando coloquei a minha “pen de ensaios”, aquela produzida pelas próprias marcas para puxar por todas as capacidades dos televisores, que fiquei totalmente convencido: este é dos melhores televisores que já vi.

A Samsung sabe o que fez e garante que duplicou o brilho devido ao HDR (de 500 para 1000 nits) e que consegue transmitir cerca de 93% de espectro colorido dos cinemas comerciais equipados com a norma DCI (digital cinema initiative). Pois muito bem, não tenho ferramentas para medir os nits e muito menos comparar o rácio CDI, mas pelo que vejo, acredito em tudo o que a marca diz. Claro que existe uma explicação técnica para este “brilharete” que mistura temas como a tecnologia quântica de cor, o aumento de 8 para 10 bits, e uma nova fonte de luz para o painel e muitos etc..

 

Tizen ou Android?

Antigamente, media-se a qualidade de um televisor pela imagem, som e ligações. Hoje parece que isso são apenas complementos à imensa tecnologia que o compõe. Por exemplo, a nova batalha tem a ver som sistemas operativos. E se a LG desenvolveu o próprio WebOS, a Sony (por exemplo) optou recentemente pelo Android. Mas a Samsung tem outra opinião e continua apostada no seu amado/odiado sistema Tizen.

Com um novo processador octa-core Smart Engine, os menus são agora mais modernos e com navegação facilitada. Bem mais simplificados que as versões anteriores, têm o que é necessário para uma vida digital moderna. De qualquer forma, ainda requer habituação, como por exemplo, entender que as entradas de sinal passam a ser tratadas como se fossem uma App. Isto para um homem que veio do analógico, não faz qualquer sentido, mas desde que funcione, ok, posso aceitar. Há uma vantagem imediata: ficam colocadas nos “mais vistos” a que acedemos facilmente através da tecla Smart TV.

Pelos comandos, fazemos tudo como se fosse um tablet. O painel táctil foi abandonado e temos agora teclas de direcção, há um apontador tipo rato, entrada por voz e demais funções físicas. Como tudo o que é moderno, requer aprendizagem, principalmente para quem salta de um modelo com mais de cinco anos de mercado.

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Se forem donos de um smartphone Galaxy de topo, como o Note 4 ou o S6, saibam que ao entrar em casa, o televisor conecta-se automaticamente ao dito. Chamam-lhe Quick Connect e usam a tecnologia BLE (Bluetooth Low Energy) e tornam ainda mais fácil partilhar conteúdos de um para outro.

Existem muitos contratos com produtores de conteúdos, portanto, material para ver em UHD não vai faltar: Amazon, Comcast, DirectTV, M-Go e Samgung Sports live são garante de sucesso, através de downloads ou streaming, assim como o Briefing on TV, um serviço que liga o televisor como se fosse um tradicional alarme e nos mostra as últimas notícias e agenda, alarmes diversos e tempo. Muito, mas mesmo muito útil.

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Chego à última parte, o som. E em relação à qualidade áudio, temo que a Sony X9 seja insuperável. O som é bom, atenção, mas não tem aquele corpo que se espera num televisor tão grande e pesado. Tudo bem definido, uma boa imagem estéreo, mas os agudos são algo estridentes e como falta presença no outro extremo, torna o resultado menos bom.

Todavia, chegou também uma coluna frontal com sub-woofer, mas foi-me imossível conseguir conectá-la com a 9500, seja através de bluetooth ou cabos. Ainda hoje estou a pensar no que poderei ter feito mal, mas depois penso na facilidade com o emparelhamento das duas colunas Samsung R7 e R6 que tive em análise ao mesmo tempo e que felizmente tornou a experiência muito mais envolvente e dinâmica.

Para quem é esta formidável 4K?

Para quem tem muito dinheiro, uma sala enorme e que, acima de tudo, goste de cinema e televisão. É estonteante em termos de imagem, quanto a mim (e apenas comparando com o que já vi e experimentei) a melhor da actualidade. Mas é muito pesada, e mesmo que o design curvo e as novas tecnologias expliquem o corpo também muito grosso, é um facto a ter em consideração, pois movê-la de um lado para o outro só com duas pessoas bem fortes. A experiência sonora total, porque não conseguida, foi uma desilusão: imaginei o prédio a vir abaixo, vibrações sensurround como as que vivi no Monumental aquando os filmes catástrofe dos anos 70, mas tal não aconteceu. Mas percebi que juntar dois satélites 360º pode até ser a solução ideal.

Então e afinal, a que conclusão cheguei? Uma bem simples: preciso de ganhar o euromilhões.

PVP: 4 874,99 € (modelo de 65″ sem coluna e sub-woofer)

 

 

 

 

 

João Gata

Começou em vídeo e cinema, singrou em jornalismo, fez da publicidade a maior parte da vida, ainda editou discos e o primeiro dos livros e, porque o bicho fica sempre, juntou todas estas experiências num blogue.

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