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A Smart Talk, uma empresa bracarense, decidiu apostar na cada vez mais presente realidade virtual (designada por VR) e colocou à venda em Portugal os óculos 3D VR compatíveis com Android e iOS. Uma caixa plástica branca, muito leve, e com elástico confortável para “atar” na cabeça, são o recipiente para montarmos o nosso smartphone, no qual devemos baixar certas e determinadas aplicações para conseguirmos uma imersão a três dimensões.

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De salientar que estes 3D VR têm características muito positivas, mas também o seu lado menos bom. Começo pelas positivas: são confortáveis porque muito leves e o encaixe tem espaço para óculos (desde que a armação não seja típica dos anos 70) e uma esponja bastante confortável para acomodar a nossa cara. Para pitosgas quanto eu que já usam lentes progressivas, este tipo de equipamento torna-se sempre mais complicado de gerir, mas estes 3D VR têm essa correcção independente para cada “olho”, tanto em ângulo como em profundidade. Este é o ponto mais positivo destes óculos se comparados aos que já experimentei e que por si vale todos os euros que estão a ser pedidos (e que nem são muitos).

DSC09562Também podemos apertar ou desapertar os elásticos, mas como são largos e não magoam, nem tive de alterar as presilhas.  O equilíbrio, com ou sem smartphone montado, é outro dos pontos agradáveis. Contudo, o invólucro plástico onde é montado o smartphone apresenta problemas: mesmo colando as borrachinhas nas “paredes” que vão tocar o smartphone – e criando um espaço para criar “ar” para o botão on/off lateral – foi impossível conseguir que alguns modelos, inclusive o meu próprio terminal (com 5,5″) se mantivesse ligado. A pressão da mola-travão é grande para prender o smartphone, mas essa força também pressiona os botões que lhe ficam à mercê. Este é o ponto mais negativo destes Smart Talk 3D VR, pois trata-se de um equipamento que tem como cartão de visita imediato a total compatibilidade com todos os smartphones existentes e de todos os sistemas operativos (desde que tenham aplicações para funcionar, e aqui aproveito para perguntar à Microsoft como está o ambiente Windows Phone neste enquadramento). Como se percebe, tal pode ser verdade com smartphones até 5,2″ ou mesmo alguns dos maiores se os botões on/off ou volume não colidirem com “as paredes”.

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Toda a minha experiência foi conseguida com o Samsung Galaxy A5 (ensaio que podem ler aqui), o que acabou por ser curioso, pois a primeira experiência que vivi com estes novos wearables foi com a solução sul-coreana Gear VR, infelizmente só compatível com o topo de gama S6/ S6 Edge. E, claro, existem grandes diferenças no conceito e na construção, o que tornam difícil uma comparação.

DSC09564Os Smart Talk 3D VR têm outro defeito que é a falta de um botão de controle de direcção e clique de acção. Existem conteúdos que promovem esta interactividade com o utilizador, mas com este invólucro, que obriga à retirada do smartphone da sua caixa cada vez que precisamos de clicar esse tipo de acção, as experiências são interrompidas de vez em vez. Porém, para outro tipo de exibições 3D, como paisagens, viagens que estão feitas para reprodução sem necessidade de acção, tudo é linear e o resultado bastante dinâmico.

A tecnologia chegou a um ponto que as três dimensões são realmente sentidas. Os zooms das legendas, por exemplo, são muito bem reproduzidos, sem efeito cintilante nas bordas, assim como alguns PiP (Picture in picture – curiosamente, uma opção técnica bastante usada em 3D) nos reforçam a noção de profundidade. Porém, o dramatismo que se pretende em vôos aéreos sobre montanhas ou vales ou até mesmo em viagens subaquáticas, tende a revelar distorção nos objectos mais próximos da câmara (e das nossas lentes) assim que passam pelo centro da acção e se afastam. Nada de grave, pois os nossos olhos continuam a olhar para o aspecto geral, mas que faz com que este tipo de solução smartphone/óculos 3D tenha ainda um longo caminho a percorrer.

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E como funciona?

Só precisamos de efectuar três passos simples:

  1. Baixar conteúdos no smartphone, um leitor 3D (existem muitos gratuitos) e vários filmes ou, depois de instalar o leitor, abrir o canal próprio do Youtube, por exemplo.
  2. Colocar o smartphone dentro da gaveta e fechá-la
  3. Colocar o 3D VR na cabeça e já está.

Mais simples que isto não há. E se o problema está em conseguir encontrar conteúdos de qualidade, aproveito um comunicado que entretanto me chegou da própria Smart Talk com alguns títulos:

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Procura adrenalina? experimente a montanha russa VR Roller Coaster, da Fibrum, construída no meio de uma ilha tropical. Da mesma produtora, Zombie Shooter VR é a aplicação perfeita para quem é fã de labirintos e túneis pós-apocalípticos com zombies e tal. A Lamper VR é a vida de um simpático insecto que vai ter de ultrapassar uma série de perigos ao longo de um percurso cheio de túneis. Se é fã de puzzles e o raciocínio lógico faz parte do seu mundo, experimente a Lost In The Kismet – VR Escape da Fast Company. Para os amantes do mar e do mergulho, existe o canal Discovery VR. Para os mais entusiastas das grandes batalhas históricas, a OddKnot desenvolveu a Battle 360 VR. Baseada numa série da BBC, a War of Words VR é uma aplicação fantástica e bastante emotiva que nos leva até ao campo de batalha de Somme em 1916.

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Como se vê, começa a valer bem a pena ter uns óculos 3D em casa. E ao preço de lançamento a que são propostos, os Smart Talk 3D VR Glasses são uma boa opção.

PVP: 99,99€ mas podem ser adquiridos agora por um preço promocional de 49,99€

João Gata

Começou em vídeo e cinema, singrou em jornalismo, fez da publicidade a maior parte da vida, ainda editou discos e o primeiro dos livros e, porque o bicho fica sempre, juntou todas estas experiências num blogue.

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