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Tive o prazer, porque é disso que se trata, de poder fotografar com as novas Alphas 7 da Sony, marca que tem vindo a ultrapassar os concorrentes firmados no mercado da fotografia com uma rapidez invulgar.

Parece que a marca nipónica escolheu um novo percurso, ao abandonar a sub-marca Vaio, ao quase desistir da sub-marca Bravia, empenhando-se como nunca numa área que sempre teve os seus líderes incontestáveis (Canon, Nikon, Leica, Pentax, Ricoh, Fuji, Olympus, entre outras) e, paralelamente à Panasonic, encabeçou o “movimento” mirrorless (sem espelho) a que todos os profissionais torceram (alguns ainda torcem) o nariz.

Hoje, poucos anos depois da primeira CSC chegar ao mercado, são as marcas clássicas a ter de correr atrás do prejuízo… e do atraso tecnológico. Aquando o lançamento da Alpha 7 na Colorfoto lisboeta, soube que as unidades expostas foram vendidas “na hora” e que a loja teve de pedir e esgotar o stock que a Sony tinha para Portugal. E quem as comprou? Fotógrafos habituados a outras cores e logotipos.

O próprio mundo da fotografia está a mudar com o advento vídeo de alta definição. Os novos artistas procuram ter numa câmara fotográfica a qualidade de vídeo de uma câmara semi-profissional dedicada. Outros, menos fílmicos, redescobrem as vantagens de corpos pequenos, com os mais recentes modelos da Olympus e da Fujifilm a engrossarem as suas listas de clientes.

A Alpha 7 é a segunda investida da Sony nas câmaras com sensor Full Frame com objectivas intermutáveis e a 7 vem tomar o lugar da fantástica Alpha 99. Não esqueci a aventura que tive com a câmara que mais me ficou no goto, a Sony RX1, mas essa é uma compacta de objectiva fixa, embora de outro mundo… e para outro bolso que não o meu.

A família 7

A Sony lançou simultaneamente as Alpha 7 e Alpha 7R família que conheceu recentemente mais uma versão, a Alpha 7S.

Enquanto espero a 7S, explico muito brevemente as diferenças entre a 7 e a 7R: a primeira oferece 24.3MP, a R 36.4MP. O sistema de auto-focagem tem diferenças (fase e contraste na 7, só contraste na 7R) e a R deixou cair o filtro de densidade neutra. A velocidade do disparo contínuo, devido ao maior tamanho dos ficheiros, também decresce na 7R.

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O corpo

É neste capítulo que a família 7 se destaca imediatamente de todas as concorrentes: o corpo é muito delgado e o peso acompanha esta realidade. A 7R consegue ser até 10g mais leve que a 7.

Ou se gosta ou se detesta. Os utilizadores mais clássicos irão olhá-la como uma aberração, pois parece uma compacta crescida e não uma DSLR clássica. Quem não se preocupa com isso, fica a ganhar, pois esta CSC Full Frame consegue criar uma empatia imediata com o fotógrafo, pois é tremendamente confortável e eficaz. Um imenso punho, os botões todos “ao dedo”, o equilíbrio do corpo, a qualidade de construção, a rigidez, tudo fascina. E tudo tem ar moderno, à prova de futuro.

Os comandos rotativos sem travão tanto à frente como atrás do punho, reflectem bem o cuidado com que a 7 foi pensada e elaborada. Como podem ver pelas imagens, os comandos estão colocados de uma forma mais clássica, querendo agradar a gregos e troianos.

Outra vantagem deste corpo: feito em liga de magnésio, está selado contra água e poeiras.

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A Alpha 7R

Tal como a irmã, tem um ecrã LCD de 3” com uma resolução de 921 mil pixéis, perfeito para qualquer ambiente e a qualquer hora do dia. Mas é o fantástico visor electrónico que nos garante, para além de conforto de utilização e máxima informação, toda a qualidade necessária para uma composição perfeita. E sim, é de perfeição de que se tata com uma 7 na mão.

Para os videastas, talvez não seja necessário esperar pela 7S (com saída 4K) ou olhar a Panasonic Lumix GH4, outro exemplo de perfeição, pois a 7R filma a 1080p com 24p ou 60p, conseguindo imagens com “ar” cinematográfico que é, realmente, o que todos pretendemos quando filmamos. Esta 7/7R está preparada para as mais básicas necessidades de um videasta, pois tem sapata para acessórios, entrada para um microfone exerno, saída para auriculares e monitorização áudio.

Como agora é apanágio de todas as câmaras ou equipamentos de certo calibre, vem equipada com Wi-Fi e NFC. Podemos contar com Apps e comprar outras na loja da marca, para poder editar no corpo as imagens conforme o nosso propósito. Também nos permite deixar a câmara num tripé e fotografarmos de longe (não muito, até uns 15 metros), perfeito para paparazzos ou amantes da natureza. Através da Sony Play Memories, podemos enviar por wireless o que fotografamos directamente para o computador e daí para o mundo, o que tem as suas vantagens em foto reportagem, por exemplo.

Existem duas ou três razões para eu preferir a 7 em relação à 7R. Uma delas é, obviamente, o preço. A outra o filtro de densidade neutra presente. E a terceira é o sistema de auto-focagem. Ao contrário da 7, a 7R só está equipada com detecção de fase. É óptimo, mas tende a ser um pouco lento em situações de muito pouca luz. Principalmente se em movimento, digamos, a andar de carro e fotografar alguém que se cruza connosco. Há ali uns milissegundos de “robótica pensante”.

O ecrã que se move para uma melhor visualização de ângulos diferentes tem, como já escrevi, uma qualidade assinalável. Contudo, não é táctil e depois de tantas câmaras que já experimentei, mesmo de segmento de entrada, oferecerem essa possibilidade, principalmente no que toca à rapidez de processo para com um toque escolher o ponto de focagem, não compreendo como a Sony não inclui esse plus numa câmara que, a todos os níveis, é “futurista”. Algo a rever.

Por outro lado, a Sony desenvolveu o modo Zebra que, por meio de riscas pretas e brancas, mostra-nos (e aos automatismos internos) e com a ajuda do Focus-Peaking, as zonas sobre expostas. Podemos com um comando aqui e ali, resolver a situação.

Há um senão que vai fazer-se notar pelos amantes da rapidez das CSC: a 7R é lenta e só permite 2,5fps. Há um truque para chegar aos 4fps, desligando automatismos, mas não é por aí que se ganha vantagem. Para rapidez, a própria marca tem outros modelos que atingem recordes.

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A qualidade de imagem

Outra diferença para a Alpha 7: a 7R requer e exige mais do fotógrafo. Mais conhecimento, maior técnica. Devido a tanta resolução, 36.4MP, a fotografia tem de ser preparada com perfeição, desde o ponto de focagem à própria iluminação, para evitar excessos ou perturbações. O ruído aumenta quando forçamos o ISO e nota-se alguma granulagem a partir dos 1600 quando fazemos um valente crop. Não binquemos, é uma câmara para estúdio enquanto a sua irmã é mais todo o terreno.

Contudo, e de salientar, que tanto a cores como em monocromático, os resultados são estonteantes. E se conseguimos acertar quando clicamos, nem passamos pelo computador para melhor um ou outro ponto: é out of the box.

Com a 7R, é natural que se fotografe em RAW. Temos sempre mais qualidade e o ficheiro é mais editável. O resultado em JPEG parece mais tratado, mais concentrado, mais equilibrado a olho nú.

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Conclusão

A gama Alpha 7 (sem falar da videográfica 7S que oferece 4K a 2299€) é o topo qualitativo das DSC actuais. A 7 é uma câmara todo-o-terreno para fotógrafos que querem rapidez e resultados imediatos. A 7R é mais exigente, dinâmica e precisa que a acarinhem e lhe saibam as entranhas. Os preços também são diferentes, muito diferentes. E a questão quase que se resume ao pormenor. Exacto, é ele mesmo! Quem precisar de mais pormenor, opta pela 7R.

Com apenas 2.5fps é uma câmara para assuntos mais estáticos, planos gerais, retratos, pormenores, objectos. Deixemos, portanto, de lado a Formula 1 ou acções mais rápidas que o olho humano.

Tem um corpo magnífico, rápido, leve e compacto. As objectivas, o grande calcanhar de Aquiles, começam a deixar de ser um problema, visto que com um adaptador, podemos usar as vantagens das Zeiss que já fazem parte da crescente gama Alpha.

 

PVP: 2.099,00 € (corpo)

(1.299,00 € Alpha 7)

 

Galeria

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João Gata

Começou em vídeo e cinema, singrou em jornalismo, fez da publicidade a maior parte da vida, ainda editou discos e o primeiro dos livros e, porque o bicho fica sempre, juntou todas estas experiências num blogue.

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