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“The tape is dead…. long live the tape”

E se vos disser que a cassete áudio, vulgo K7 em bom português, pode regressar e de forma absolutamente triunfal?

“Ah, já basta o vinil”, poderão responder-me, mas o que é certo é que o vinil, aparte a melhoria da gramagem e gravação, não viveu uma revolução, apenas um saudosismo. A k7 pode muito bem vir a ser o novo formato clássico/futurista. Passo a explicar.

O problema do consumo moderno de música é o excesso de oferta e a falta de tempo para ouvi-la. Isto, paralelamente à pior qualidade de som garantida pelo MP3 e streaming barato, provoca uma situação estranha: nunca houve tanto, tão barato e democrático, mas tão mal reproduzido e ouvido. Pasme-se que até há jovens que transportam a música aos berros através da coluna medíocre e monofónica dos telemóveis, para desespero de qualquer pessoa normal e educada que lhes esteja próxima.

A fraca qualidade dos ficheiros tem uma razão maior: para poupar espaço, cortam-se os extremos (agudos e graves) que, defendem os promotores do algoritmo, não são ouvidos pelo ser humano. Pois que é errado. Podem não ser perceptíveis, mas são essenciais para o corpo do som, o tal “quentinho” que se defende nos vinil como razão para a sua nova vida. Mas deixemo-nos de críticas e vamos ao que interessa e essa é a novidade da Sony (mais uma, depois do novo e fabuloso High Resolution Audio).

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A marca sabe bem que, quanto melhor a qualidade do ficheiro, maior o seu tamanho. E o problema é que, actualmente, o consumidor quer transportar todos os seus ficheiros no bolso. Portanto, que tal regressar ao passado e tirar da prateleira a já defunta cassete?

A revelação aconteceu no passado fim de semana aquando a International Magnetics Conference em Dresden: trata-se de uma cassete com… aguentem-se… 185 TERABYTES!!!!!!!!

Agora que consegui a vossa atenção, explico com a ajuda da Gizmodo: “A fita usa uma técnica de formação de vácuo chamada deposição de ejecção – ou deposição de sputter – para criar uma camada de cristais magnéticos por meio do disparo de íons de argónio contra um substrato de filme de polímero. Os cristais, medindo apenas 7.7 nanómetros em média, se agregam com maior densidade do que qualquer outro método anterior”.

Ciente que vos elucidei sobre o processo, passo a dados bem mais engraçados, numa lista feita pelo ExtremeTech. 185 TB correspondem a:

  • 3700 Blu-rays
  • 64.750.000 músicas
  • 18.5 vezes a totalidade da Biblioteca do Congresso norte-americano

Sabemos que falta tempo para nos chegar às mãos, pois a Super-K7 é indicada para indústrias que necessitem de fazer backups de Big Data e afins. Mas, qualquer dia, teremos apenas uma Cassete Sony em vez de 6587654 CDs, 8923 BRs, 98732 DVDs, 98747833 livros e 987408975084709286458740981730985 fotografias empilhados por toda a casa.

info oficial no site Sony

 

João Gata

Começou em vídeo e cinema, singrou em jornalismo, fez da publicidade a maior parte da vida, ainda editou discos e o primeiro dos livros e, porque o bicho fica sempre, juntou todas estas experiências num blogue.

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