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Quem está habituado a experimentar colunas wireless sabe que há uma marca (das mais populares) que se coloca sempre a um nível superior a que é difícil chegar. A Bose é pioneira em algumas tecnologias e formatos, conseguindo uma qualidade de som a todos os níveis notável. Mas tem uma concorrente à altura com um nome sobejamente conhecido e com uma larga tradição no que respeita ao segmento áudio. Se as topo de gama da séria X têm uma palavra a dizer, é na média gama que a grande batalha se desenrola e num repente surge a Sony SRS-XB3. O mundo das colunas wireless nunca mais será o mesmo.

O que tem esta SRS-XB3 assim de tão especial? Em primeiro lugar, um corpo compacto e não muito pesado. Em segundo uma legenda que avisa que existe um modo Extra Bass, ou seja, que promete oferecer um melhor resultado exactamente onde este tipo de colunas falha: os sons graves. Consegue fazê-lo?

P1120503Antes de mais, lugar para uma pequena descrição: calhou-me o modelo em azul que é jovem e cool. A caixa tem um tratamento emborrachado que permite um maior grip e também que não ande de um lado para o outro numa qualquer superfície aquando a vibração, situação muito dada a quedas e acidentes. Com este tratamento, a Sony consegue duas coisas: estabilidade e alguma impermeabilidade (IPX5). Percebo as vantagens deste tipo de tratamento mas é também um chamariz para pelos e alguma sujidade. O painel frontal é dominado pela grelha que esconde as colunas (dois canais e um radiador passivo com 48 mm de diâmetro), no topo estão colocados os botões físicos de ligação, emparelhamento e volume, na parte traseira e ao lado de outra pequena grelha que protege o segundo radiador passivo, está uma tampa que esconde as ligações USB para recarregar um telefone, AC power, um botão reset e uma entrada 3,5mm. Tudo bem arrumado e de acesso fácil.

P1120504Num lado mais técnico, lugar para enumerar os modos de som (EXTRA BASS ON/OFF, Clear Audio+, DSEE), a compatibilidade (A2DP, AVRCP, HFP, HSP), o Bluetooth 3.0 e o NFC e as 24h de pujança que a bateria afirma aguentar. Cuidado com os telefonemas pois esta Sony também debita a conversa a alto voz se assim o desejarmos.

Outro ponto muito positivo é a função “ADD” para ligar uma segunda XB3 à mesma fonte reprodutora o que permite conseguir um sistema multiroom (colocando cada coluna numa sala diferente) ou, mais interessante, usar as duas como canal esquerdo e direito para conseguir uma imagem estereofónica convincente. Que tal?

P1120502Vamos ao som, pois é disso que esta Sony vive. Quem a agarra (211x80x83 mm com 0,93 kg) nunca imaginará a potência e a qualidade sonora da XB3. É que parece fisicamente impossível sacar de uma unidade tão pequena um grave tão potente e presente. E depois ainda temos o botão Extra Bass para dar mais punch ao som. Sim, é verdade, mesmo sem esse filtro, esta Sony garante um som cheio, encorpado, presente.

Contudo, não é perfeita para todo o tipo de música. Por exemplo, ouvindo Yann Tiersen e a sua “Amélie”, nota-se que em modo normal os sons mais agudos (cordame e piano) têm muita presença deixando pouco espaço para os sons mais graves. Carregando no Extra Bass, a coisa melhora nos graves que, infelizmente, abafam os agudos retirando-lhes algum brilho. Como não consegui encontrar pontos fracos a ouvir pop (TV on the Radio, Midge Ure, Nitin Shawney), foi nos “quasi-silêncios” prolongados de David Sylvian e Brian Eno que a XB3 mostrou que está preparada para desempenhar com mestria a sua acção em quase todas as situações. Passei depois para um Drums&bass mais puro e cheguei mesmo a desenterrar a estreia dos Prodigy para arriscar o Extra Bass no máximo volume. Potência? Ouviu-se em todo o monte onde estava na altura a passar férias. Distorção? zero! Sim, mesmo com tudo no máximo e uma secção rítmica avassaladora, não houve um pingo de distorção enquanto o som obrigava a bater o pé, mexer o corpo e abanar a cabeça.

Por tudo isto, temos coluna! Parabéns Sony.

PVP: 180,00 €

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João Gata

Começou em vídeo e cinema, singrou em jornalismo, fez da publicidade a maior parte da vida, ainda editou discos e o primeiro dos livros e, porque o bicho fica sempre, juntou todas estas experiências num blogue.

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