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Tocaram à porta e chegaram, afogueados, dois homens que transportavam, com dificuldade, um imenso caixote que, sabia eu, resguardava um imenso televisor, um dos modelos topo de gama da actualidade, aquele que todos os audiófilos desejam.

Hein? Audiófilos? Mas não estamos a falar de um televisor? Pois que sim, mas de um televisor que é muito diferente de todos os demais. E porquê? Descubram a seguir.

Se subir e dar a curva das escadas do prédio foi complicado, imaginem consegui-lo na interior cuja curva de 45º é bastante apertada… bom, vos garanto, fomos três para fazer subir o caixote por cima das traves de segurança.

Primeira parte da grande aventura X9000B (X9), check!

 

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Felizmente que estes caixotes têm travões de plástico na base, pois de outra forma seria muito difícil retirar o TV lá de dentro. Assim, destrava-se e levanta-se apenas o cartão, para começar a ser vivido o “segundo problema”.

Por idiotice, confesso, e habituado a olhar as imagens deste Sony, meti na cabeça que os suportes só poderiam ser colocados nos extremos. Com a urgência típica de querer ver tudo a funcionar, nem sequer abri o manual. Olhei para o móvel de suporte e percebi que precisava de outra solução. A hora seguinte foi passada a retirar todos os equipamentos audiovisuais e a cablagem. Troquei o móvel por uma mesa de apoio que tem, exactamente 1,50 metros de comprimento, exactamente a mesma dimensão da Sony X9. Logicamente que depois de estar tudo no lugar, reaprendi novamente uma velha lição repetida: “ler sempre o manual!”. Afinal, os suportes poderiam colocar-se mais ao centro do imenso televisor. Mea Culpa!

Consegui, com ajuda, montar os pés e colocá-la em cima da nova mesa.

Segunda parte da grande aventura X9000B, check!

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Terceira aventura: devido ao tamanho do ecrã, o sofá ficou demasiado aproximado, o que, para alem de causar um enorme desconforto, pode causar maleitas físicas. Havia que, mais uma vez, mudar alguma mobília de lugar. E o sofá, que sempre esteve a meio da sala, foi para a parede, uns bons cinco metros para atrás.

Finalmente, a Sony X9 estava pronta, um fabuloso monólito negro com laterais em formato de cunha e, nos extremos, seis colunas de som, a tal característica audiófila, para me fazer vibrar como nunca vibrei a ouvir um televisor.

Sim, esta é uma imagem que se ouve. Graças às colunas que estão montadas dentro de um fluido magnético, ou seja, dentro de uma espécie de gel (para simplificar e muito), dentro de encaixes sem amortecedores e construídos em fibra de vidro e mica. O resultado é, mesmo ligadas, não emitirem qualquer som, vibração nem aquele zunido típico das coisas em stand-by. Agora imaginem o que é estar sentado a ver um filme numa sequência em que o casal romântico conversa à luz das velas e, num repente, um tiro! Acreditem: temos de ter um forte coração para evitar o consequente ataque cardíaco. O posicionamento e a imagem estéreo são tão realistas que não precisamos de sistemas 3.1, 5.1 ou 7.1 para poder vibrar com as emissões. Até as televisivas ficam com outro sabor.

Os tweeters e woofer permitem descobrirmos as nuances que, geralmente, só ouvimos com sistemas minimamente dedicados. Respirações, vibrações, silêncios (sim, é verdade), sons lá atrás, quem vai surgir pela direita, etc.

Para este resultado ser possível, a Sony incluiu neste TV todas as suas artes: sistema ClearAudio+, processamento de som S-Force Front Surround, o reajuste automático das frequências (Clear Phase) e o “Zoom de voz”, ou seja, uma espécie de coluna frontal virtual para aumentar o nível do monólogo/diálogo destacando-a de toda a imagem sonora. E funciona, dito isto por quem teve colunas por toda a sala para conseguir o efeito surround (já me deixei disso).

Este sistema de som é tão bo, mas tão bom que é difícil explicar por palavras. Nunca um tv flat teve esta qualidade e tenho e recuar até ao meu Sony FD1 para relembrar a vantagem que é “ouvir as imagens”.

Assunto arrumado, tempo para passar à tecnologia de imagem da Sony, acompanhada por aplicações e serviços net e, para quem gosta, óculos 3D. Aliás, até podemos transformar emissões 2D em 3D, para quem gosta desse tipo de sensações (confesso, não é o meu caso).

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Uma imagem Xtraordinária

Existe um imenso burburinho em relação à norma 4K. Nem vou explicá-la aqui, mas convém apontar que este é, realmente, um televisor 4K cuja imagem é até quatro vezes mais detalhada que o Full HD (1020 x 1080).

A questão que se tem de levar em conta é que um televisor 4K é apenas tão bom quanto a qualidade da emissão ou conteúdo que recebe. Portanto, e nos tempos mais próximos, não vai ser possível assistirmos ao NCIS ou The Americans em 4K. Que diabos, em Portugal nem mesmo em HD puro, embora esta qualidade seja prometida em muitos canais cabo ou fibra.

Contudo, escolhendo um Blu-ray bem gravado, nota-se, e bem, a abismal diferença de imagem comparando, por exemplo, com a minha própria Sony pendurada na parede desde 2008 (acho eu). São dois mundos diferentes e, com o sofá bem longe, estamos numa sala de cinema sem pipocas e sorvedores barulhentos de coca-cola.

A Sony apresenta um rol de características técnicas que contribuem para este resultado: X-reality PRO, X-tended Dynamic Range PRO (brilho da retroiluminação variável com peaking), X-tended DR, tecnologia Triluminos, LED branco, entre muitos etc.. Quem já teve um televisor japonês sabe bem das diferenças em relação aos coreanos. Quem nunca teve, tente passar por essa experiência pelo menos uma vez na vida. O resultado de todas estes filtros, compensações, melhoramentos e tudo o mais, resume-se numa palavra: perfeição.

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Não me vou alongar nos menus, porque são extensos, complexos e, na verdade, devem estar explicados num qualquer vídeo Youtube. Mas há que salientar os dois comandos, um geral, onde estão as teclas para todas as funções, e um bem mais pequeno, denominado One-Flick, com secção táctil e que funciona como se fosse o painel de um qualquer computador portátil. Tem alguns truques que só a habituação consegue memorizar, como o toque para cima para abrir um menu superior geral e um deslizar para baixo para outras opções. Não é fácil, mas chega-se lá.

Tive alguma dificuldade com a reprodução directa (ligação por Ethernet) do meu NAS que contem muitos vídeos e fotografias, para alem de música e backups de trabalho. A medo, pensei que a Sony continuasse a manter uma tradição que não me agrada, que é a impossibilidade de ler ficheiros srt (legendas) anexos aos ficheiros Avi ou Mkv E, infelizmente, sofri este drama novamente. Sei que, num upgrade de firmware, a questão parece ultrapassada, mas é daquelas coisas que, não sei por quê, continuam a existir sem nexo. Em ligação tradicional, por USB, a coisa já não se coloca e foi assim que vi filmes em catadupa.

Mas este X9 é um televisor à prova do próximo futuro e brinda-nos com as vantagens dos mundos online. Desde ligação directa a canais temáticos e a portais como o Youtube, facebook, etc., podemos explorar o Sony Entertainment Network que é todo um universo de conteúdos. Tem até uma webcam popup para falarmos ao Skype.

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Uma última explicação para um extra (no modelo de ensaio vem na caixa) que é um replicador das portas e ligações que estão colocadas no painel traseiro da X9. Como este tv pesa a sério, a Sony pensou numa solução mais ou menos prática, e este replicador (um extensor de cabo grosso – que deveria ter mais um metro) não dá muito jeito, mas é muito útil, principalmente ppara quem, como eu, liga e desliga vários equipamentos ao dia, principalmente em ensaios.

Para concluir, sim, temos possibilidade de enviar as imagens e vídeos dos smartphones e tablets para o ecrã da X9, com um movimento tipo NCIS LA.

A marca vai apresentar a nova linha durante este Abril, portanto, está na altura ideal para encontrar este modelo com um preço mais em conta. Vale todos os cêntimos pedidos. Mas precisa de uma sala grande.

O problema foi quando me telefonaram para marcar o levantamento. Inventei todo o tipo de desculpas, que não passava pelas escadas, que iria ocasionar problemas na coluna dos coitados que a vinham buscar… nada resultou.

Se é cara? Depende do ponto de vista. Estamos também a comprar uma sofisticada aparelhagem HiFi (até existe um botão no comando para se ouvir música, desligando o ecrã). Quanto a mim é apenas extraordinária e o mais perfeito 10.

Terceira parte da grande aventura X9000B, check!

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Disponível em 139 cm (55″)|164 cm (65″)|200 cm (79″)

PVP: 7,999 euros

 

João Gata

Começou em vídeo e cinema, singrou em jornalismo, fez da publicidade a maior parte da vida, ainda editou discos e o primeiro dos livros e, porque o bicho fica sempre, juntou todas estas experiências num blogue.

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